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    Maias podem ter sido envenenados sem saber por substância usada em rituais
    Olhar Digital·08 de nov., 15:50

    Maias podem ter sido envenenados sem saber por substância usada em rituais

    Pesquisadores identificaram concentrações elevadas de mercúrio em sedimentos de lagos próximos a dois antigos sítios arqueológicos maias na península de Yucatán, no México . A contaminação persistiu por séculos e atingiu diferentes organismos aquáticos, indicando impactos nos ecossistemas da região. Publicado na revista Science Advances, o estudo analisou amostras de Coba e Xcach e encontrou alguns dos maiores níveis de mercúrio já registrados em locais da era maia.

    Os resultados também sugerem que a população pode ter sido exposta ao metal pelo consumo de água e peixes. Mercúrio foi encontrado em dois sítios arqueológicos maias A pesquisa analisou amostras coletadas no fundo de lagos próximos a duas antigas cidades maias . Uma delas foi Coba, sítio arqueológico bastante estudado, enquanto a outra foi Xcach, local menos conhecido.

    , que durou aproximadamente 150 anos. O período coincide com o início do Período Clássico, considerado a era de ouro da civilização maia. C.

    C. , próximo ao fim daquele período. A pesquisa amplia o conhecimento sobre a presença de mercúrio nas planícies do norte da região maia, onde havia poucos registros anteriores.

    Cinábrio era usado em rituais e pinturas A contaminação está relacionada ao uso do cinábrio, mineral de coloração vermelha intensa que tinha grande importância religiosa e cultural para os maias. Associado a conceitos como sangue, vida e alma, era utilizado como pigmento em murais e templos, além de aparecer em cerimônias e ritos funerários. Cinábrio era utilizado pelos maias como pigmento em murais e templos, além de ser empregado em cerimônias e rituais funerários – Imagem: Bjoern Wylezich/Shutterstock O que a civilização não conhecia eram os riscos do material, composto principalmente por mercúrio, um elemento altamente tóxico que pode contaminar o solo e os corpos d’água.

    Segundo Matt Waters, professor de ciências ambientais da Universidade de Auburn, no Alabama, e autor principal do estudo, as concentrações encontradas ultrapassaram amplamente os limites estabelecidos pelas regulamentações modernas de toxicologia e poluição. A equipe também identificou mudanças na presença de bactérias, algas, cianobactérias, organismos com concha e mosquitos nos sedimentos dos lagos. Vários desses organismos diminuíram em quantidade ou desapareceram, indicando que o mercúrio atingiu diferentes níveis da cadeia alimentar.

    População maia pode ter sido exposta ao metal A exposição ao mercúrio pode provocar danos ao sistema nervoso central, ao cérebro, aos rins, aos pulmões e ao coração. Savanna Wooten, pesquisadora de pós-doutorado no Jones Center e coautora do estudo, afirmou que a contaminação dos ambientes aquáticos sugere uma possível exposição dos maias ao metal pelo consumo de água ou peixes. No entanto, a equipe não identificou diretamente essa exposição nos registros de sedimentos.

    A descoberta também acrescenta um possível fator às investigações sobre o declínio de grandes cidades maias. Muitas foram abandonadas no final do Período Clássico, e entre as hipóteses para explicar o processo estão mudanças climáticas e guerras. Os pesquisadores ressaltam, porém, que não há evidências suficientes para relacionar diretamente a contaminação por mercúrio ao abandono das cidades.

    Segundo Wooten, o estudo acrescenta mais um fator de estresse à lista de pressões ambientais e climáticas que atingiram a civilização naquele período. O post Maias podem ter sido envenenados sem saber por substância usada em rituais apareceu primeiro em Olhar Digital . ]]>

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