SJX NEWS

    forbes.com.br

    Forbes Brasil

    SJXNEWS
    Mariah Rovery Mira na Alta Joalheria e Expande Seu Universo de Peças Únicas
    Forbes Brasil·26 de out., 08:00

    Mariah Rovery Mira na Alta Joalheria e Expande Seu Universo de Peças Únicas

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. Talvez seja preciso voltar aos 5 anos de idade para entender por que Mariah Rovery decidiu, quase duas décadas depois de criar a marca que leva seu nome, fazer um movimento pouco óbvio para quem construiu um negócio no mercado de luxo: diminuir. Na infância, durante as férias na praia, ela passava horas com as irmãs recolhendo conchas e furando-as com a tesourinha de unha da mãe para transformá-las em colares e pulseiras.

    “A gente brincava de fazer joia ”, lembra. Anos depois, vieram as incursões pela 25 de Março, onde comprava acessórios para desmontar, remontar e vender. “Eu nunca vendia o acessório como comprava.

    ” Não houve escola de joalheria no caminho. Formada em publicidade, Mariah trabalhou em empresas como a Sony antes de transformar o impulso criativo em negócio. 500 que ganhou dividindo o prêmio de uma cartela de bingo.

    Criada em 2009, a marca cresceu, conquistou clientela e chegou a um dos endereços mais simbólicos do luxo paulistano. Em 2016, Mariah abriu uma loja no Shopping Iguatemi, em São Paulo. E ficou ali por nove anos.

    Em 2025, decidiu fechar as portas. Não para encolher o negócio, mas para rever o que queria produzir e, principalmente, como queria produzir. Saiu a lógica de uma operação de shopping; entrou um ateliê em Pinheiros, com atendimento marcado, mais tempo para pesquisa e uma produção concentrada em peças de caráter único.

    Naquele momento, cerca de 70% do portfólio já era formado por joias não replicáveis. A mudança também aproximou o trabalho de Mariah da alta joalheria que ela sempre interpretou à própria maneira. Em vez de obedecer apenas à preciosidade convencional dos materiais, pedras brutas, pérolas garimpadas, rubis, flores vitrificadas e até elementos naturais entram em composições em que a raridade pode estar justamente na impossibilidade de repetição.

    Hoje, a linha Gold Label da marca reúne peças com diamantes, esmeraldas, turmalina Paraíba e rubis, com criações que ultrapassam os R$ 60 mil. Foi uma experiência ruim, aliás, que ajudou a empurrá-la para esse território. No início da carreira, ao chegar à Turquia para encontrar um fornecedor, descobriu suas criações sendo reproduzidas e vendidas no Grand Bazaar.

    De volta ao Brasil, entrou por acaso em uma loja de pedras e encontrou uma pirita bruta. “Olhei e falei: ‘Com uma pedra bruta, ninguém vai conseguir me copiar. ’” Nascia ali um princípio que ainda conduz seu trabalho, o de encontrar valor naquilo que não pode ser reproduzido exatamente da mesma maneira.

    Agora essa lógica ultrapassa o corpo. Mariah começou a criar o que chama de “joias para a casa” : objetos escultóricos, peças construídas a partir de materiais garimpados e intervenções em objetos encontrados pelo mundo. Um antigo porta-joias pode receber pedras ou cravações; insetos encontrados em Murano aparecem em uma peça cuja chapa leva rubis; escamas de peixe podem virar ponto de partida para um novo desenho.

    “Não estou presa ao material, assim como não estou presa ao material na joia”, diz. A seguir, Mariah Rovery fala à Forbes Brasil sobre sua trajetória, a decisão de deixar o shopping, a busca por um luxo menos associado à escala e a expansão de seu universo criativo da joalheria para a casa. FB: Você não tem formação em joalheria.

    De onde veio esse interesse? MR: Eu sou publicitária, então não tenho nenhuma formação em joalheria. ”.

    Minha família não trabalhava com joias, não era uma família super-rica que ganhava joias do pai ou tinha uma tradição nesse sentido. Faço uma terapia junguiana que tem uma coisa chamada sandplay . Um dia, olhei para umas conchas e me deu uma emoção muito forte.

    Falei: “Nossa, entendi”. Quando eu era criança, meus pais, minhas irmãs e eu ficávamos catando conchinhas na praia. Passávamos o dia fazendo furinhos nelas com a tesourinha de unha da minha mãe.

    Fazíamos colares, pulseiras. Brincávamos de fazer joias. Eu devia ter uns 5 anos.

    FB: Mas antes de viver de joias você construiu uma carreira na publicidade. MR: Trabalhei em agência, indústria farmacêutica, Sony, consultoria de marca. Quando estava na Sony, uma chefe descobriu que eu desenhava e comecei a fazer presentes, retratos.

    Aquilo voltou a mexer muito comigo. Eu me sentia criativa trabalhando no marketing, mas queria fazer alguma coisa com as minhas mãos. Minha irmã estava morando em Milão e fui visitá-la.

    Não sei por quê, mas fui com uma ideia fixa de que faria uma marca de joias. Voltei e desenhei uma coleção inteira. Um namorado me apresentou a pessoas da joalheria, conheci um ourives com quem trabalho até hoje e comecei a ir atrás de tudo.

    Completamente sem conhecimento. Acho que tenho uma característica muito forte de coragem. Gostei?

    Vou fazer. FB: E é verdade que o primeiro investimento veio de um bingo? MR: É verdade.

    Eu era estagiária e fui ao Bingo Imperatriz. Dividi uma cartela cujo prêmio era R$ 5 mil e ganhei. 500.

    Comecei minha marca com um pouco do dinheiro que tinha do estágio e com o dinheiro do bingo. Devia ter uns R$ 4 mil ou R$ 5 mil. Comecei fazendo eventos no salão de festas do meu prédio, participando de feiras aos finais de semana e eventos beneficentes.

    Fui construindo minha clientela enquanto continuava trabalhando no mercado. FB: Por que você resolveu fechar a loja do Iguatemi? MR: Abri a loja em 2016 e fechei a loja do Iguatemi em 2025.

    Acho que atender com hora marcada no ateliê é muito importante porque é outro tipo de atenção. É parar tudo para estar com aquela pessoa. É ouvir, conseguir endereçar uma ideia, criar num fluxo de paz.

    Não significa criar menos ou trabalhar menos. É trabalhar em outro ritmo. As pessoas vivem numa aflição em que tudo precisa ser feito, produzido, vendido, é preciso contratar mais pessoas.

    São todos excessos. Eu fechei tudo, tirei os excessos e faturo mais do que faturava no meu ateliê. Isso, para mim, é luxo.

    FB: A cultura japonesa que você conheceu durante a sua viagem na mesma época teve influência nessa decisão? MR: Muito. A cultura japonesa me mostrou que existem coisas que levam dias, gerações.

    E eu vou querer fazer joia na batida de fritar um ovo? Não vou. É joalheria.

    É um trabalho artesanal. Se eu ficar com um maçarico em cima do meu ourives, o que ele vai conseguir me entregar de qualidade? Preciso ter tempo para ir a uma feira.

    Fui para Hong Kong dois anos seguidos para garimpar as pérolas e as pedras mais especiais que já vi na minha vida. Pesquisa depende de tempo. FB: Então sua ideia de luxo hoje passa mais pelo tempo do que necessariamente pelo preço?

    MR: Acho que o tempo é o luxo da nossa geração. Você vê as pessoas viajando mais, buscando experiências. E existe uma massificação de tudo.

    Está tudo cada vez mais igual. Mesmo para quem tem muito dinheiro, hoje é difícil se diferenciar. Porque as pessoas que têm muito dinheiro muitas vezes são as que mais querem parecer umas com as outras.

    Existe um código: todo mundo quer usar o mesmo relógio, a pulseira de prego, o solitário de diamante, a Birkin. Para mim, luxo é poder ter experiências de vida e transformá-las em coisas mágicas. São relações verdadeiras construídas com tempo de qualidade.

    É poder conhecer coisas novas, mesmo que sejam muito simples. FB: Você achou clientes de alta joalheria que compactuam com esse pensamento? MR: Sim.

    Já aconteceu de uma cliente ver uma lagarta virando borboleta na casa dela, me trazer um casulo e falar: “Cria disso o que você quiser”. Quer confiança maior do que essa? É isso que quero: transformar o ordinário em extraordinário.

    FB: Qual foi a peça mais especial que você já criou para uma cliente? MR: Não vou citar a peça, mas tenho clientes que me pedem para garimpar pedras especiais em uma feira de Hong Kong. Com elas faço peças que podem ir de 100 a 500 mil reais.

    E são únicas como pérolas lapidadas como um diamante. Divulgação Pérola lapidada como diamante FB: E agora esse raciocínio está saindo do corpo e chegando à casa. Por quê?

    MR: Senti vontade de fazer essas joias para a casa. Não estou presa ao material, assim como não estou presa ao material na joia. Acho que é uma nova janela de expressão.

    Nesta coleção ainda existe uma conexão grande com os materiais da joalheria, com os banhos, mas é o meu universo. Já fiz peças com pedras. Tenho um viveiro com insetos que garimpei em Murano e a chapa é cravejada com rubi.

    Agora estou garimpando porta-joias pelo mundo para fazer intervenções neles. Tenho um da década de 1970, um ovo pintado à mão. Comprei outro na Turquia, feito com osso de camelo.

    Pode ser que eu queira cravejar. Não existem barreiras. Gosto de me sentir livre para criar o que sentir naquele momento.

    O post Mariah Rovery Mira na Alta Joalheria e Expande Seu Universo de Peças Únicas apareceu primeiro em Forbes Brasil . ]]>

    Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.

    Leia a matéria completa em Forbes Brasil →