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    Master: associações da BA são investigadas por suspeita de fraude de R$ 1 bi
    Revista Oeste·17 de set., 21:56

    Master: associações da BA são investigadas por suspeita de fraude de R$ 1 bi

    Duas associações ligadas a Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, reuniam mais de 103 mil autorizações para descontar mensalidades e serviços diretamente dos salários de servidores da Bahia. A carteira vinculada a esses descontos foi estimada em R$ 1 bilhão e entrou no foco da investigação sobre créditos negociados pelo Master com o BRB. 111, relata a Folha de S.

    Paulo . O Master havia informado ao Banco Central (BC) que as duas associações estavam na origem de créditos consignados pertencentes a uma carteira de R$ 6,7 bilhões posteriormente negociada com o BRB. v=8KUP1BWEkRU Ao confrontar essa informação com os registros do governo da Bahia, o BC encontrou outra natureza para aqueles descontos: segundo o BC, eles apareciam como mensalidades e serviços associativos, não como parcelas de empréstimos consignados.

    Os dados constam do inquérito da Polícia Federal (PF) sobre suspeitas de fraudes envolvendo o Master. O sigilo dos documentos foi retirado por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Dados do governo baiano consultados durante a apuração indicaram, porém, que os descontos nos contracheques não correspondiam a parcelas de empréstimos consignados.

    Tratavam-se de mensalidades e pagamentos por serviços oferecidos pelas entidades. Esse foi um dos problemas encontrados na versão apresentada inicialmente pelo Master ao BC. As operações atribuídas às associações incluíam CPFs de pessoas de diferentes Estados, ao mesmo tempo que a movimentação financeira das entidades não correspondia ao tamanho das cessões informadas.

    A vinculação das carteiras à Asteba e à Asseba apareceu em uma comunicação encaminhada pelo Master ao BC em 25 de março de 2025. Depois dos questionamentos da autoridade monetária, o banco de Daniel Vorcaro modificou a informação e passou a indicar a Tirreno como responsável pela origem dos créditos. A mudança não encerrou as dúvidas dos investigadores.

    O BC também não identificou na Tirreno movimentação financeira compatível com operações daquela dimensão. Outro ponto destacado foi o fato de a empresa manter, dentro do sistema financeiro, relacionamento apenas com o próprio Master. Mesmo diante dessas inconsistências, as carteiras foram revendidas ao BRB entre janeiro e maio de 2025 por R$ 12,2 bilhões.

    Desse montante, R$ 5,5 bilhões correspondiam a um prêmio pago nas operações. Uma auditoria citada na investigação estimou em pelo menos R$ 5 bilhões as perdas do banco público decorrentes da aquisição desses ativos. A PF atribui a Lima participação na elaboração de carteiras consideradas fraudulentas.

    A defesa do empresário contesta essa conclusão. Segundo os advogados, a associação da Asteba e da Asseba aos créditos foi informada equivocadamente pelo próprio Master ao BC, sem autorização de Lima ou das duas entidades. A defesa afirma também que nenhum documento vinculando as associações aos créditos do banco foi assinado por eles.

    Asteba e Asseba foram alvo de mandados de busca e apreensão durante a Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF em novembro de 2025. Lima chegou a ser preso. Posteriormente, foi colocado em liberdade e passou a usar tornozeleira eletrônica.

    Empréstimos com associações da BA no caso Master O Ministério Público Federal (MPF) também apura os vínculos do empresário com as duas associações. Relatório do MPF afirma que ambas foram criadas e controladas por Lima. As entidades utilizavam o mesmo endereço de e-mail de contato da Terra Firme da Bahia, empresa pertencente exclusivamente ao empresário.

    Uma delas compartilhava ainda o número de telefone da companhia. Lima presidiu a Asteba e deixou formalmente a função em 2008. Segundo o documento do MPF, entretanto, teria continuado a exercer controle sobre a entidade por intermédio de terceiros.

    O relatório também o identifica como procurador da Asseba, com poderes para movimentar recursos. Leia também: "Master, Fake News e o 8 de janeiro: anulem tudo" , reportagem de Roberto Motta publicada na Edição 339 da Revista Oeste A defesa rejeita essa versão. Os advogados afirmam que Lima mantinha contratos regulares de prestação de serviços com as associações e efetivamente realizava os trabalhos previstos, mas não possuía procuração nem movimentava as contas das entidades.

    Lima também ficou conhecido pela transformação do Credcesta em um cartão de benefício consignado, modalidade na qual as parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento. O produto foi lançado em 2018 para servidores públicos da Bahia e posteriormente expandido pelo Master . Chegou a 24 Estados e 176 municípios.

    Os advogados ressaltam ainda que Lima deixou a sociedade e a direção do Master em 28 de maio de 2024, data que, segundo eles, consta da documentação do BC. A Operação Compliance Zero foi realizada em 18 de novembro de 2025, cerca de um ano e meio depois de seu desligamento. Em nota, a defesa sustenta que as acusações contra o empresário não encontram respaldo nos elementos da investigação e afirma que PF e BC já teriam afastado a participação das associações nas supostas fraudes relacionadas ao BRB.

    " Procuradas, Asteba e Asseba não apresentaram resposta à reportagem. Na primeira entidade, uma funcionária informou por telefone que não havia integrantes da direção disponíveis e os recados deixados não foram respondidos. As ligações feitas para a Asseba não foram atendidas.

    A Secretaria da Administração da Bahia, do governo de Jerônimo Rodrigues (PT), declarou que não comentaria os contratos de cooperação mantidos com associações. Esses acordos abrangem serviços destinados aos associados, entre eles planos odontológicos, aquisição de celulares e assistência jurídica. O post Master: associações da BA são investigadas por suspeita de fraude de R$ 1 bi apareceu primeiro em Revista Oeste .

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