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    Master não avisou Coaf sobre operações suspeitas ligadas ao BRB, diz PF
    Revista Oeste·28 de out., 20:16

    Master não avisou Coaf sobre operações suspeitas ligadas ao BRB, diz PF

    A cúpula do Master decidiu reduzir alertas internos e não comunicar ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf ) as operações suspeitas envolvendo a Tirreno, empresa vinculada às carteiras vendidas ao Banco de Brasília (BRB). A conclusão consta de um relatório que a Polícia Federal (PF) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira, 28. De acordo com a investigação, a decisão foi tomada em reunião do Comitê Operacional de Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo, em 4 de julho de 2025.

    Os alertas apontavam movimentações incompatíveis com o perfil da empresa e valores elevados, além do uso de uma estrutura considerada atípica pela própria área de controle. Entre os integrantes com direito a voto estavam Alberto Félix de Oliveira Neto, da Superintendência de Tesouraria; Luiz Bull, da Diretoria de Gestão de Riscos e Controles Internos; e Angelo Ribeiro da Silva, da Diretoria de Contabilidade. O superintendente de Compliance e Prevenção à Lavagem de Dinheiro, Fábio de Souza Castanheira, participou como relator, sem direito a voto.

    Em documento encaminhado à PF pelo liquidante do Master, ele atribuiu exclusivamente aos membros votantes a decisão de baixar os alertas. A deliberação, segundo a PF, teve como fundamento as informações fornecidas por Alberto Félix e um contrato de parceria firmado pela diretoria do banco. O comitê também aprovou as movimentações financeiras.

    v=vJrCFY0L1-I&pp=ygUNUmV2aXN0YSBPZXN0ZdIHCQkyDAGHKiGM7w%3D%3D Empresa do Master já era considerada de alto risco para o BRB A sequência descrita pela PF começou em 22 de maio de 2025, quando a área de Cadastro Institucional solicitou ao compliance uma análise reputacional da Tirreno. Conforme o relatório, o pedido mencionava o ingresso de novos administradores, sem informar as operações bilionárias de cessão de créditos ou o relacionamento com o Master. No dia seguinte, após consultar informações sobre os administradores e beneficiários finais, o compliance classificou a Tirreno como cliente de alto risco para fins de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo.

    + Veja mais notas exclusivas e de bastidores na coluna No Ponto Em 18 de junho, o monitoramento identificou uma situação considerada atípica: a abertura de uma “conta interna” em nome da empresa. Segundo o documento, essa modalidade era normalmente destinada a controles do próprio banco, o que motivou questionamentos sobre seu uso por uma companhia externa ao conglomerado. Na mesma data, foram registrados dois alertas sistêmicos: um por movimentação financeira incompatível com o perfil do cliente.

    Cobranças sem acesso aos documentos das operações A área de Cadastro explicou que a conta estava ligada a um parceiro de negócios do segmento de crédito consignado. O compliance, contudo, manteve os questionamentos e voltou a pedir esclarecimentos em 26 de junho. Somente em 30 de junho foi informado que Alberto Félix era o responsável pelo relacionamento com a Tirreno.

    Depois de nova cobrança, em 2 de julho, ele respondeu que a conta estava vinculada a uma parceria para originação de crédito consignado e encaminhou um contrato. Ainda segundo o ofício citado pela PF, a área de controle interno não recebeu contratos de cessão, documentos comprobatórios dos créditos, fluxos financeiros ou documentação operacional das transações bilionárias. Dois dias depois, o comitê decidiu baixar os apontamentos e não comunicar as operações ao Coaf.

    Novo alerta não mudou a decisão Em 25 de agosto de 2025, o sistema gerou outro alerta porque persistia a incompatibilidade entre as movimentações e o perfil econômico da Tirreno. O relatório descreve a companhia como recém-constituída e sem informações de faturamento ou patrimônio. Mesmo assim, segundo a PF, o entendimento anterior foi mantido.

    A Tirreno continuou classificada como cliente de alto risco, sem que as operações fossem comunicadas ao órgão de inteligência financeira. Leia também: "O triunfo da malandragem" , artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 346 da Revista Oeste O post Master não avisou Coaf sobre operações suspeitas ligadas ao BRB, diz PF apareceu primeiro em Revista Oeste . ]]>

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