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    Medo de IA destruir empregos é global; pesquisas mostram onde impacto já aparece
    Olhar Digital·20 de set., 20:24

    Medo de IA destruir empregos é global; pesquisas mostram onde impacto já aparece

    O medo de que a inteligência artificial (IA) se transforme em uma “destruidora de empregos” não está restrito a poucos países ou grupos de trabalhadores. Pesquisas recentes mostram que a preocupação aparece em diferentes regiões do mundo e em diversos recortes do mercado de trabalho . Ao mesmo tempo, os dados apontam para um cenário que vai além da ideia de uma demissão em massa provocada pela IA .

    Os primeiros sinais aparecem em mudanças mais silenciosas, especialmente na entrada de jovens no mercado de trabalho e na maneira como empresas adotam e controlam o uso dessas ferramentas. Maioria espera menos empregos com a IA Uma pesquisa do Pew Research, realizada em 37 países, mostra a dimensão da preocupação. Em 34 deles , as pessoas consideram mais provável que a IA reduza empregos nos próximos 20 anos do que crie novas vagas; Na mediana dos países pesquisados, 46% acreditam que haverá menos empregos por causa da tecnologia, enquanto apenas 9% esperam um aumento nas vagas.

    Cerca de um quarto dos entrevistados respondeu que não sabe o que esperar; O pessimismo é ainda maior em alguns países ricos. Austrália e Coreia do Sul aparecem com 76% , enquanto os Estados Unidos chegam a 71% entre os que acreditam que a IA provavelmente reduzirá o número de empregos; A percepção sobre desigualdade também segue tendência negativa: mais pessoas acreditam que a IA aumentará a distância entre ricos e pobres do que aquelas que esperam uma redução dessa diferença; Ainda assim, a relação com a tecnologia não é exclusivamente negativa. Na mediana global, 41% dizem estar tão preocupados quanto animados com o uso da IA no dia a dia.

    Outros 37% afirmam estar principalmente preocupados, enquanto 13% estão principalmente animados. Jovens são os primeiros a sentir o impacto nos EUA Uma análise revisada do Stanford Digital Economy Lab , baseada em dados de folha de pagamento da ADP que abrangem milhões de trabalhadores estadunidenses até junho de 2026, encontrou sinais de impacto especialmente entre os profissionais mais jovens. Segundo o estudo, o emprego de trabalhadores de 22 a 25 anos em ocupações muito expostas à IA está 19% abaixo do esperado , na comparação com jovens que trabalham em funções menos expostas à tecnologia.

    Os próprios autores fazem uma ressalva importante: isso não significa que 19% desses trabalhadores tenham perdido seus empregos por causa da IA . Os dados também não comprovam uma relação de causalidade, já que outros fatores econômicos podem ter influenciado os resultados. O padrão observado parece estar mais relacionado a menos contratações do que a um aumento expressivo nas demissões.

    Na prática, a mudança pode estar aparecendo primeiro na porta de entrada das empresas. Entre profissionais mais experientes, o estudo não encontrou uma diferença comparável. Em algumas funções, o nível de emprego permaneceu estável ou chegou a crescer.

    Agentes de IA podem transformar tarefas de milhões de trabalhadores Outro estudo, conduzido pelo Stanford SALT Lab , analisou como os chamados agentes de IA podem alterar o trabalho de aproximadamente 70 milhões de pessoas nos Estados Unidos . Os pesquisadores ouviram 1,5 mil profissionais de 104 ocupações e analisaram 844 tarefas , buscando entender não apenas o que a IA é capaz de fazer, mas também quais atividades os próprios trabalhadores estariam dispostos a delegar às máquinas. Em 46,1% das tarefas , os trabalhadores avaliaram positivamente a possibilidade de automação, principalmente quando ela poderia liberar tempo para atividades consideradas mais importantes.

    Essa distinção é central para o estudo: uma coisa é perguntar o que a IA consegue fazer ; outra é saber o que as pessoas querem entregar para ela . As duas respostas nem sempre são iguais. Em muitas ocupações, o modelo preferido pelos trabalhadores é o de “parceria” , com humanos e IA dividindo as tarefas, em vez de entregar todo o trabalho para a máquina.

    A pesquisa também sugere uma mudança na importância relativa de determinadas habilidades. Tarefas ligadas ao processamento de informações , como atualizar conhecimentos e analisar dados, podem perder espaço proporcionalmente, enquanto atividades relacionadas à coordenação, interação e tomada de decisão tendem a exigir maior participação humana. Outro estudo analisou como os chamados agentes de IA podem alterar o trabalho de aproximadamente 70 milhões de pessoas nos Estados Unidos – mayam_studio / Shutterstock Leia mais: Hackers que invadiram a OpenAI alertam para problema de segurança na indústria de inteligência artificial Anthropic, OpenAI, SpaceXAI e Google são acusadas de fazer acordo ilegal para frear avanço da IA Trump anuncia criação de “Força de IA” nos EUA e promete nomear um “czar” para acompanhar a tecnologia Um terço usa IA no trabalho sem avisar o chefe Uma pesquisa da Deloitte UK , que ouviu 25 mil trabalhadores , mostra outro aspecto da transformação: a adoção de ferramentas de IA dentro das empresas nem sempre acontece de maneira oficial.

    Segundo o levantamento, 63% dos trabalhadores usam IA generativa no trabalho e quase um quarto afirma utilizar essas ferramentas diariamente. Entre os usuários, 31% dizem usar IA sem que o empregador saiba . É o chamado shadow AI, situação em que ferramentas de IA passam a fazer parte da rotina profissional sem necessariamente estarem previstas ou autorizadas pelas regras da empresa.

    O levantamento também aponta que quase metade dos trabalhadores, 49% , não recebeu treinamento formal para utilizar IA de maneira segura e eficaz. Isso pode aumentar o risco de informações internas serem enviadas inadvertidamente para serviços externos. Os dados indicam, portanto, que simplesmente liberar ou bloquear ferramentas de IA pode não ser suficiente.

    Para as empresas, o desafio também envolve entender onde a tecnologia está sendo usada e quais tarefas realmente se beneficiam dela . Por que a tecnologia assusta tanto? Os diferentes levantamentos ajudam a explicar por que a IA provoca preocupação em tantas partes do mundo.

    Quando a tecnologia é percebida como uma ameaça ao próprio trabalho e à renda familiar, seus possíveis benefícios podem não ser suficientes para eliminar o receio. Parte desse cenário também está relacionada à maneira como a própria indústria de IA apresentou suas tecnologias nos últimos anos. Na tentativa de demonstrar aos investidores o potencial dos produtos, executivos, como Sam Altman, da OpenAI, e Dario Amodei, da Anthropic , falaram sobre a possibilidade de a IA substituir profissões inteiras e representar nova revolução industrial.

    Esse discurso ajudou a destacar o potencial econômico da tecnologia, mas também alimentou preocupações sobre o futuro do trabalho. Agora, pesquisas realizadas em diferentes países mostram que o receio já faz parte da percepção pública sobre a IA, enquanto estudos sobre o mercado de trabalho começam a identificar mudanças, especialmente entre trabalhadores jovens, e nas tarefas que empresas e profissionais estão dispostos a delegar às máquinas. O post Medo de IA destruir empregos é global; pesquisas mostram onde impacto já aparece apareceu primeiro em Olhar Digital .

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