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    Mercado busca novo patamar de preços na Bolsa, avalia estrategista
    CNN Brasil·31 de out., 20:55

    Mercado busca novo patamar de preços na Bolsa, avalia estrategista

    Os investidores estrangeiros retiraram R$ 8,86 bilhões da Bolsa brasileira em apenas quatro pregões consecutivos, entre os dias 22 e 27 de outubro. O movimento representou a devolução de 44% dos recursos que haviam ingressado no mercado ao longo do mês, embora o saldo acumulado de outubro e do ano ainda se mantivesse positivo. Em entrevista ao CNN Money , José Cassiolato, estrategista da Victrix Capital, avaliou que o mercado está em busca de um novo patamar de preços para o Ibovespa .

    Segundo ele, a movimentação recente está diretamente ligada ao resultado das eleições. “Sem dúvida nenhuma, houve uma reação em relação ao resultado das eleições”, afirmou Cassiolato. Leia Mais Chilli Beans pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 340 milhões Halloween: Tarifas encarecem fantasias e assustam consumidores dos EUA 7 filmes criados com IA que mostram o futuro do cinema O estrategista explicou que, com base em análises de regressão da Victrix Capital, a saída de aproximadamente R$ 3 bilhões registrada na segunda-feira deveria ter gerado uma queda de cerca de 1,4% no Ibovespa.

    No entanto, o impacto nos preços foi consideravelmente maior do que o esperado diante do volume de saída. “Foi um dia bem atípico. O mercado já abriu negociando numa baixa muito grande e a gente viu um desequilíbrio representativo entre a quantidade de vendas e a quantidade de compras”, detalhou.

    Para Cassiolato, o impacto se manifestou no preço e não no volume de saída do investidor estrangeiro. Pontos-chave para os próximos meses Cassiolato destacou três momentos decisivos que deverão influenciar o comportamento dos investidores estrangeiros nas próximas semanas. O primeiro é a reunião do Copom, que decidirá sobre a taxa de juros — uma variável que, segundo ele, reagiu de forma drástica ao cenário recente, com vencimentos pré-fixados acima de cinco anos pagando 15% ao ano.

    O segundo ponto diz respeito aos nomes que serão escolhidos para compor a equipe responsável pela gestão da política econômica, em especial o equilíbrio entre promessas de campanha voltadas ao social e o compromisso com a trajetória fiscal. “Se o governo fizer uma sinalização mais clara desse compromisso com o fiscal, pode haver uma reversão do fluxo de investidores estrangeiros”, afirmou. O terceiro fator apontado pelo estrategista é a eleição dos presidentes do Senado e da Câmara, prevista para o início do próximo ano.

    Cassiolato ressaltou que esse momento coincide, estatisticamente, com a média histórica de retorno de preços após períodos de queda. “Esses momentos de queda comumente têm uma amplitude muito próxima de 20%, que é onde a gente está gravitando nesse momento. E a média de retorno para o preço anterior gira em torno de quatro meses”, explicou.

    Aversão ao risco se espalha além da Bolsa O movimento de aversão ao risco não ficou restrito ao mercado de ações. Cassiolato apontou que a renda fixa local, os bonds brasileiros negociados no exterior e as ADRs — instrumentos que permitem a investidores estrangeiros acessar empresas brasileiras por meio dos Estados Unidos — também sofreram desvalorização expressiva. “Todo esse universo ligado ao Brasil viu um aumento muito grande na perspectiva de risco e acumulou um prêmio bem representativo”, disse.

    Apesar do cenário de incerteza, o estrategista lembrou que o Brasil possui atrativos estruturais aos olhos do investidor internacional, especialmente por sua exposição a commodities e ao setor financeiro, que conferem ao país um perfil complementar dentro de portfólios globais diversificados. Para Cassiolato, caso o governo consiga transmitir credibilidade em relação à política fiscal, a atratividade das ações brasileiras poderá aumentar ainda mais nos próximos meses. ]]>

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