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    Mercado de cannabis medicinal pode chegar a R$ 1,2 bilhão em 2026
    Poder360·27 de set., 10:00

    Mercado de cannabis medicinal pode chegar a R$ 1,2 bilhão em 2026

    O mercado brasileiro de cannabis medicinal deve movimentar de R$ 1 bilhão a R$ 1,2 bilhão em 2026 no Brasil, estima o CEO da blis , Toninho Corrêa. A plataforma conecta médicos, pacientes e importadoras de produtos de cannabis. O setor fechou 2025 em cerca de R$ 950 milhões e, na avaliação do executivo, está longe de alcançar seu potencial, limitado pelo custo dos tratamentos, regulação e dificuldade de posicionar a cannabis como alternativa terapêutica, entre outras.

    400 cidades e foca na tecnologia para organizar uma cadeia que envolve médicos, importadores, fabricantes, farmácias e a Anvisa ( Agência Nacional de Vigilância Sanitária). “ É um público refratário, que já tentou de tudo, mas não encontrou uma solução terapêutica tradicional. São diversas possibilidades de uso da cannabis, como questões de sono, ansiedade e estresse.

    A bliss se propôs a organizar a jornada até o medicamento ”, disse Toninho em entrevista ao Poder360 . Assista à íntegra (22m39s): A projeção de Corrêa é que o mercado alcance R$ 14 bilhões até 2030, em uma análise que considera mudanças regulatórias e expansão da produção nacional. Para ele, porém, esse número pode ser ainda maior se a cannabis deixar de ser vista como tratamento para pacientes refratários e passar a ocupar espaço em mercados terapêuticos específicos, como o de distúrbios do sono.

    ” Toninho Correa tem 43 anos, e está à frente do app blis desde 2024. É formado em publicidade e acumula o cargo de CEO da Pullse, agência do grupo Dreamers, que possui o Rock in Rio, The Town e diversas outras operações. O executivo afirma que 80% dos usuários da blis estão fora das grandes capitais e que o perfil predominante é de pessoas entre 35 e 50 anos, com poder aquisitivo alto.

    000, embora dure mais de 1 mês. Corrêa também defende a complementaridade entre produtos importados e nacionais e vê potencial para o Brasil se tornar exportador de cannabis medicinal. Ele se diz contra movimento por ampliação para o uso recreativo.

    ” Como funciona a blis e por que ela tem despertado interesse? A bliss nasceu de um grupo de pacientes que buscavam acesso a tratamentos com cannabis medicinal. É um público refratário, que já tentou de tudo, mas não encontrou uma solução terapêutica tradicional.

    São diversas possibilidades de uso da cannabis, como questões de sono, ansiedade e estresse. A bliss se propôs a organizar a jornada até o medicamento. São vários agentes envolvidos no processo.

    Primeiro, há a prescrição médica –o tratamento não é para todo mundo e quem avalia essa necessidade é um especialista. A blis conecta o paciente a um médico autônomo. Se for o caso, é preciso encontrar o fabricante e fazer a importação direta, regulada pela RDC 660.

    São várias etapas burocráticas fragmentadas, e o paciente tinha de cuidar de tudo sozinho. Nós organizamos pelo aplicativo, sempre respeitando a autonomia de cada agente. Trouxemos mais segurança e reduzimos o prazo.

    Por isso, a plataforma explodiu: já foram mais de 1 milhão de downloads. A Blis também trabalha com pacientes que pedem autorização na Justiça para o plantio? A Blis nasceu para resolver a importação direta, que hoje representa 40% do total.

    Por isso, focamos nessa esteira. 015. Há algumas dezenas de produtos cuja venda direta já é autorizada em farmácias e na manipulação, onde há personalização da dosagem.

    Não atuamos na parte de associações nem na permissão de produção pelo próprio indivíduo. Ainda há uma certa gray zone, ainda mais complexa. É uma esteira que não abordamos.

    Quantos downloads foram feitos do app? Vocês abrem esses números? A blis nasceu com a premissa da democratização.

    Alguns números chamam a atenção: 80% das pessoas que utilizam o app estão fora das grandes capitais. O tratamento com cannabis medicinal tem um valor mais elevado e não é tão democrático, mas a demanda não está concentrada nas capitais. 400 cidades nos 27 Estados.

    A tecnologia que construímos está dando acesso a cidades que muitas vezes não têm médicos, tem chão de terra e sinal de celular ruim. Somos hoje o único aplicativo do mundo aprovado oficialmente pela Apple para essa jornada. Passamos por 9 audiências, nas quais demonstramos regulamentações, modelagem de negócio e sustentabilidade.

    Nosso modelo é novo e tivemos diversas audiências em várias áreas e inquéritos. Já nos explicamos muito. Mostramos que a gente não compra, não vende, não importa, não tem estoque e não atende.

    Somos uma estrada conectando todos esses agentes. É como o Uber: o app não é o carro nem o motorista. É a tecnologia.

    O iFood é a mesma coisa. Na nossa jornada, há o médico, a importadora, as marcas, o fabricante e a Anvisa. É um ambiente complexo.

    Quais as maiores dificuldades que vocês enfrentaram nesse primeiro momento? Primeiro, foi deixar clara a diferença entre autorização e aprovação. 015 autoriza produtos que podem estar na farmácia.

    A RDC 660 autoriza a importação direta de alguns produtos. 015, ele aparece como venda irregular. Mesmo sem fazermos venda, isso começa a gerar confusão.

    Tivemos um trabalho regulatório muito forte. E o próprio sistema é rigoroso, não permite fraude. Outra etapa é a consulta: eu conecto o médico ao paciente, mas não há ato médico da minha parte.

    É preciso demonstrar que existe independência médica e conexão direta. Resolvemos isso de maneira fracionada, estruturando o negócio para atender às regulamentações. E vamos expandir para outras frentes.

    Quais frentes? Queremos oferecer soluções para qualquer tipo de tratamento que exija prescrição, avaliação médica e, muitas vezes, importação ou compra no mercado de manipulação. Nos Estados Unidos, existe algo parecido, chamado One Medical, da Amazon.

    Eles integraram tudo em um ecossistema. Fizemos um trabalho parecido, mas dentro das regulamentações brasileiras, que são diferentes. Hoje, qual é o tamanho do mercado de cannabis medicinal no Brasil?

    Quanto movimenta por ano? O mercado de cannabis vai gerar em torno de R$ 1 bilhão a R$ 1,2 bilhão até o final de 2026. Fechou o ano passado perto dos R$ 950 milhões.

    É um mercado ainda tímido. Sou sócio e CEO da Pulse e faturo R$ 1 bilhão. Uma empresa fatura um mercado inteiro de cannabis.

    O potencial é grande, mas a configuração inicial do mercado serve como freio. A cannabis medicinal virou, dependendo do contexto, algo miraculoso, que serve para tudo. E não é verdade.

    Ouvi uma comparação de um médico: “não existe especialista em Tylenol”. Existe um médico que tem opções terapêuticas à sua frente, e a cannabis é uma delas. Acho que ela pode crescer, mas não dá para comparar com o mercado norte-americano, que tem mais foco no recreativo.

    Aqui, é medicinal. Temos que entender exatamente para quais terapias serve. Por ser um mercado fechado, está quebrando o nicho agora com a produção nacional.

    Ainda é subdimensionado e enfrenta dificuldades de crescimento e de posicionamento. Houve um crescimento relevante de R$ 950 milhões para até R$ 1,2 bilhão. O crescimento está em curso.

    A expectativa é chegar a R$ 14 bilhões até 2030. Essa projeção conta com um crescimento exponencial e com a quebra ou remodelagem de algumas alavancas regulatórias. Mas o mercado pode ser visto por outro ângulo.

    Imagina o seguinte: eu, como paciente, conheci cannabis por causa da insônia. Tenho insônia crônica. Para mim, não é uma solução cannabis.

    É uma solução para o sono. Qual é o tamanho do mercado do sono? É muito grande.

    São bilhões e bilhões de reais. Se a cannabis medicinal se tornar um produto de primeira linha daqui a alguns anos para o sono, ela já será muito maior do que R$ 14 bilhões. É difícil explicar o tamanho do mercado pensando que ainda é uma terapia refratária.

    Acho que os números talvez sejam muito maiores que isso. O mercado ainda não aconteceu. Qual o perfil do consumidor de cannabis medicinal no Brasil?

    É alguém na faixa dos 35 aos 50 anos, na meia-idade, mais consolidado financeiramente e que já passou pela quebra do preconceito. Ainda existe uma dúvida muito grande, porque a primeira percepção que vem à cabeça é o uso recreativo. É preciso ter um entendimento claro de que a grande maioria dos produtos de cannabis medicinal não tem efeito psicoativo.

    Esse é um efeito colateral que não é desejado. É um mercado usado por ambos os sexos, principalmente até os 50 anos, com consumidores de todo o Brasil e maior poder aquisitivo. 000, embora possa durar mais de um mês.

    Pensando que 72% dos brasileiros devem pelo menos R$ 500, você já corta uma grande massa. O SUS, por outro lado, cada vez mais distribui cannabis medicinal para diferentes terapias. Está democratizando o acesso.

    A importação é de quase a metade do consumo brasileiro, certo? Hoje, 40% é importação e 40% é venda em farmácias. O restante são HCs e associações, cerca de 20%.

    E cresce muito. É uma decisão dos órgãos reguladores, mas o que entendemos é que existe uma complementaridade entre a importação e o produto nacional que deve ser mantida no médio e longo prazo, estabelecendo exatamente qual perfil necessita de importação e qual pode ser atendido pela produção nacional. Há produção na Colômbia, Venezuela, Canadá, Estados Unidos e dezenas de países no mundo inteiro.

    O Brasil tem um potencial muito grande para ser exportador no futuro. A condição natural é favorável para a produção de cannabis. Existem questões sobre concentração de THC, CBD, CBG e CBN, dos fitocanabinoides, mas o Brasil tem um potencial muito grande.

    Como você vê o futuro próximo do mercado canábico no Brasil? Uma maior abertura a novos produtos ou um processo lento e constante? Quando iniciei nesse mercado, tive a percepção de que havia muita resistência em relação aos órgãos reguladores, que eram travados, amarrados.

    Só que, ao longo do tempo, percebemos que cada vez mais o mundo está indo na direção do que a regulamentação brasileira promove desde o começo: o uso medicinal. Não vejo muita necessidade da abertura recreativa da cannabis. Não tenho preconceito nem problema em relação a isso.

    O álcool também é uma alternativa recreativa, e a cannabis pode vir a ser. Mas, enquanto existir essa confusão entre o uso recreativo e o medicinal, não vamos destravar o uso medicinal. Acho que a tendência é um olhar mais voltado ao medicinal, com determinações de concentração mais próximas do que o paciente precisa.

    No mundo, há uma resistência cada vez maior ao recreativo. Não sei se é por causa de lobby, mas também sou bastante pró-movimento de mais uso medicinal e menos recreativo. ]]>

    Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.

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