Microsoft abandona corrida por assistente pessoal de IA e se dedica a Copilot corporativo ‘turbinado’
A Microsoft decidiu unificar as versões para consumidores e para o ambiente de trabalho de seu assistente de inteligência artificial Copilot em um único produto voltado a clientes corporativos, abrindo mão do disputado mercado de chatbots pessoais, que conta com soluções de OpenAI, Google e, mais recentemente, a Meta Platforms. Em um evento realizado em Seattle no início desta semana, executivos da Microsoft apresentaram a algumas dezenas de líderes empresariais e de tecnologia uma prévia do que estão chamando de novo Copilot . Resultado de um trabalho de engenharia de seis meses, a versão mais recente do assistente incorporou a versão separada destinada ao uso doméstico, adotando alguns de seus recursos de design mais sofisticados e deixando de lado o esforço de marketing que buscava posicionar a companhia como desenvolvedora de uma IA pessoal.
As pessoas têm expectativas elevadas em relação a softwares para o ambiente de trabalho, moldadas por sua experiência com aplicativos de smartphones, disse na quarta-feira (23) ao público de clientes corporativos Jacob Andreou, responsável pelo desenvolvimento de produto do aplicativo unificado do Copilot. Incorporar alguns recursos de experiência do usuário do aplicativo para consumidores “tornou o Copilot muito melhor apenas nos últimos meses”, afirmou. Leia também The Wall Street Journal Meta vs Amazon: entenda o que está por trás da disputa sobre compras feitas por agentes de IA Negócios Agente de IA da Meta espalha temor de impacto em empresas que se beneficiam de ‘consumo por inércia’ Os usuários individuais da Microsoft, acrescentou Andreou, tendem a ser pessoas que gostam de explorar recursos no PowerPoint e no Excel e estão mais interessadas em “todo o poder que oferecemos aos usuários corporativos” do que em um aplicativo simplificado de conversa.
Novo Copilot O software atualizado, anunciado nesta sexta-feira (25), permite aos usuários editar documentos do Word ou Excel dentro do aplicativo Copilot ou de uma aba do navegador, respondendo a uma reclamação frequente de que o assistente da Microsoft tinha apenas um alcance limitado dentro dos próprios softwares de produtividade da companhia. Há também uma aba dedicada a um assistente de programação, permitindo que usuários comuns montem painéis ou automatizem tarefas. O Scout, da Microsoft, um assistente que fica permanentemente ativo e pode ser acionado por colegas de trabalho, também está sendo incorporado ao pacote Copilot, rebatizado como Autopilot.
O novo Copilot, que começará a ser disponibilizado nas próximas semanas, encerra uma das maiores apostas da Microsoft na era da IA. Há dois anos, executivos criaram equipes separadas para desenvolver dois assistentes – um para o ambiente de trabalho e outro para uso doméstico. Depois de ajudar a OpenAI a levar o ChatGPT ao mundo, a Microsoft apostou que seu próprio assistente para consumidores poderia conquistar um novo grupo de clientes e colocou o veterano da indústria de IA Mustafa Suleyman à frente da iniciativa.
A disputa rapidamente se mostrou difícil quando o ChatGPT avançou até atingir 1 bilhão de usuários e o Google levou seu assistente pessoal Gemini para o vasto ecossistema Android. Comparativamente, poucas pessoas aceitaram a oferta da Microsoft de um chatbot pessoal. Em março, Suleyman transferiu suas responsabilidades pelo desenvolvimento do Copilot para Andreou, um ex-executivo da Snap.
O recuo da Microsoft coincide com a chegada do Muse, da Meta, um assistente pessoal capaz de agir em nome dos usuários e que rapidamente chegou ao topo dos rankings de downloads de aplicativos. Leia também Negócios Bill Gates alerta que IA é poderosa o suficiente para provocar ‘1 bilhão de mortes’ Negócios Anthropic lança novo Claude antes de esperado IPO e acirra guerra das IAs por eficiência Em entrevistas nesta semana, Andreou e Charles Lamanna, executivo que supervisiona equipes da Microsoft responsáveis por alguns dos principais recursos do Copilot para o ambiente de trabalho, disseram que o sucesso do Muse demonstrou que as pessoas estão receptivas à automação por IA. A oportunidade para a Microsoft, segundo eles, é levar recursos semelhantes aos trabalhadores de escritório.
Não é um ‘companheiro pessoal de IA’ “Não vamos construir um Copilot que seja como seu companheiro pessoal”, disse Lamanna. ( Em abril de 2025, Suleyman havia apresentado as ambições da Microsoft para o Copilot justamente nesses termos, diante de uma enorme tela de vídeo que anunciava “Seu Companheiro de IA”. ) “Isso simplesmente não é o que as pessoas querem da Microsoft”, disse Lamanna.
” Andreou afirmou que muitos dos recursos do Copilot pessoal, incluindo ferramentas especializadas para questões de saúde, estudos ou para encontrar notícias e informações, foram incorporados ao produto reconstruído. “Nesse Copilot unificado, você ainda tem, na verdade, todas essas incríveis verticais para consumidores e todos esses tipos de experiências feitas sob medida”, disse. Alguns outros recursos do Copilot pessoal, incluindo podcasts personalizados e um avatar em forma de bolha animada que aparecia durante as conversas, foram descontinuados.
Elementos antropomórficos permanecem nos novos bots do Autopilot, que aparecem como formas sorridentes quando são acionados em uma conversa no Teams ou em um e-mail. O CEO da Microsoft, Satya Nadella, comparou a transformação do trabalho de escritório provocada pelos serviços automatizados de IA à substituição de memorandos internos e aparelhos de fax pelos computadores pessoais. “Aquilo não se resumiu às nossas novas ferramentas digitais”, afirmou durante o evento desta semana.
“Foi uma maneira completamente nova de conceber como funcionava a trajetória daquele processo de negócios. ” 30 milhões de assinaturas As empresas pagavam por mais de 30 milhões de assinaturas do Copilot no fim de junho. E, embora usuários individuais possam utilizar gratuitamente versões limitadas da experiência de chat do Copilot, suas ferramentas mais poderosas são reservadas aos assinantes do pacote de aplicativos M365 da companhia, que tem cerca de 90 milhões de usuários pagantes.
David McLaren, responsável pela área de dados e IA na GHD, empresa canadense de engenharia e serviços profissionais que participa de um programa da Microsoft para usuários pioneiros de ferramentas de IA, afirmou que funcionários estavam recorrendo ao Copilot para obter resumos de teleconferências e ajuda no gerenciamento de e-mails, além de utilizá-lo na preparação de apresentações comerciais e análises para clientes. “Ele ajuda você a sair da página em branco”, disse. A GHD começou a usar o Copilot no fim de 2023, com um teste envolvendo 300 pessoas, e desde então disponibilizou a ferramenta a todos os seus 12 mil funcionários.
“Fico impressionado com os casos de uso”, disse McLaren. ” ]]>
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