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    Minas É a 3ª Maior Economia do Brasil. O Que Falta para Avançar?
    Forbes Brasil·28 de set., 08:00

    Minas É a 3ª Maior Economia do Brasil. O Que Falta para Avançar?

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. Minas Gerais registrou um Produto Interno Bruto (PIB) de  R$ 971,98 bilhões em 2023 , segundo o dado oficial do Sistema de Contas Regionais do  IBGE . Com esse resultado, o estado se manteve como a  terceira maior economia do Brasil , atrás apenas de São Paulo, com PIB de R$ 3,445 trilhões, e do Rio de Janeiro, com R$ 1,173 trilhão.

    Estimativas mais recentes da Fundação João Pinheiro (FJP) , instituição de pesquisa do governo de MG, mostram que o PIB mineiro avançou desde então. Em 2025, a economia de Minas Gerais atingiu R$ 1,157 trilhão , o maior valor nominal da série histórica estadual, com crescimento real de 1,4% no ano , segundo a instituição. Os serviços, responsáveis por quase dois terços da economia estadual, movimentaram R$ 635,6 bilhões em Valor Adicionado Bruto (VAB) em 2025, enquanto a indústria somou R$ 278,1 bilhões .

    A agropecuária, por sua vez, alcançou VAB de R$ 98,2 bilhões e apresentou crescimento real de 3,2% no período, conforme os dados da FJP. A dimensão da economia reflete uma das principais características de Minas Gerais: a diversidade. O estado reúne setores de peso, como mineração, agronegócio, indústria, energia, tecnologia e serviços.

    Mas, apesar dessa base econômica robusta,  gargalos estruturais ainda limitam um crescimento mais acelerado. A Forbes Brasil ouviu especialistas que acompanham a economia local para entender o que impede Minas Gerais de avançar mais e quais caminhos podem destravar seu potencial de crescimento. Mineração segue entre os motores da economia mineira Potência produtiva esbarra na infraestrutura A mineração é — e sempre foi — uma vantagem competitiva do estado, principalmente pela disponibilidade de recursos minerais e pela presença de grandes companhias do setor, como Vale, Anglo American, CSN Mineração e Samarco.

    A atividade extrativa mineral cresceu  3,1% em 2025 , segundo a FJP, com destaque para a produção de minério de ferro. O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária atingiu o recorde de R$ 167,8 bilhões no ano passado, crescimento de  13,5%  em relação ao ano anterior, de acordo com dados do  Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa)  compilados pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa). As lavouras responderam por  R$ 112,7 bilhões , enquanto a pecuária movimentou  R$ 55,1 bilhões , segundo o mesmo levantamento.

    Já em 2025, a cafeicultura registrou VBP de  R$ 58,7 bilhões , de acordo com os dados do Mapa compilados pela Seapa. Minas também se manteve como o  maior produtor de café do Brasil , segundo o IBGE. A soja alcançou VBP de  R$ 18,8 bilhões  e o milho, de  R$ 7,7 bilhões .

    Na pecuária, a produção de leite movimentou  R$ 18,1 bilhões  e a carne bovina, outros  R$ 18,1 bilhões , conforme os dados do VBP divulgados pela Seapa. “Além de tudo isso, vejo uma oportunidade muito importante na região:  a transição energética . O Vale do Lítio, o nióbio e o potencial de geração solar podem colocar Minas em novas cadeias globais de valor”, comenta Elisa Machado, economista-chefe da KAT Investimentos.

    As atividades são ainda mais estimuladas pela posição geográfica. Localizada entre grandes mercados consumidores e regiões produtoras do país, Minas funciona como ligação entre o Centro-Oeste, o Sudeste e o Nordeste. Na prática, porém, parte desse potencial encontra obstáculos na infraestrutura necessária para conectar a produção aos mercados.

    Dívida elevada limita a capacidade de investimento do Estado Para Fábio Murad, economista da Wiser Asset, que acompanha o mercado local , a logística está entre os principais gargalos. “A primeira questão é a infraestrutura”, afirma. Transporte ferroviário, rodovias e conexão entre polos produtivos e mercados consumidores ainda representam custos elevados para empresas e produtores, afirma o economista.

    062,9 quilômetros de rodovias , equivalente a cerca de  16% do conjunto das rodovias federais, estaduais e municipais do Brasil, o que faz do estado o dono da maior malha rodoviária do país, segundo dados do Governo de Minas Gerais. 571,9 quilômetros são de vias municipais, a maioria não pavimentada, de acordo com o levantamento do governo estadual. Ou seja, embora o estado disponha da maior rede rodoviária do país , a extensão territorial e a predominância de vias municipais não pavimentadas aumentam a necessidade de investimentos em conservação, pavimentação e integração da infraestrutura de transportes.

    A Pesquisa CNT de Rodovias 2025 mostrou que  65,4% das rodovias avaliadas em Minas foram classificadas como regulares, ruins ou péssimas . Isso aumenta o custo de transporte e reduz a competitividade de tudo aquilo que o estado produz. “Minas é quase um  “mini Brasil” : temos regiões muito desenvolvidas, como a Central, o Sul e o Triângulo, convivendo com regiões como o Norte de Minas, Jequitinhonha e Mucuri, que apresentam indicadores econômicos e sociais muito inferiores”, diz Elisa Machado, economista-chefe, da KAT Investimentos.

    Para  Paulo Henrique Duarte, economista da Valor Investimentos, em Belo Horizonte , infraestrutura é um problema para a região. “Pela localização central, principalmente em relação ao Sudeste, a presença logística de Minas Gerais no Brasil deveria ser muito mais forte”, avalia Duarte. Para melhorar a situação, o economista defende maior participação das ferrovias no transporte de cargas.

    “A ferrovia é uma forma mais eficiente e barata de fazer esse tipo de transporte”, diz. Minas possui uma malha ferroviária de aproximadamente 5 mil quilômetros, que atravessa em torno de 180 municípios , segundo o Plano Estratégico Ferroviário (PEF) do Governo de Minas Gerais. De acordo com o governo estadual, a rede mineira corresponde a aproximadamente  16,3% da malha ferroviária nacional , colocando Minas na primeira posição entre os estados em extensão ferroviária.

    Infraestrutura ainda é um dos gargalos para o crescimento O que impede Minas de crescer mais? Baixa produtividade, complexidade tributária e a dificuldade histórica de transformar vantagens naturais em cadeias de maior valor agregado aparecem entre os principais gargalos, segundo os especialistas consultados pela Forbes Brasil. O economista-chefe da Wiser Asset, Fábio Murad , aponta que o estado dispõe de uma combinação relevante de recursos: mineração, agronegócio, energia, localização estratégica e um parque industrial.

    O desafio, explica, é transformar esses ativos em mais inovação, empregos qualificados e empresas capazes de competir globalmente. Café e minério de ferro mantêm peso nas vendas de Minas ao exterior Na prática, o crescimento sustentável não depende apenas de produzir mais minério, café ou outras commodities. Passa também pela capacidade de transformar conhecimento em negócios, tecnologia em produtividade e investimentos em desenvolvimento econômico.

    “Minas tem grandes empresas e setores competitivos, mas precisa ampliar a capacidade de inovação, tecnologia e agregação de valor, especialmente para que sua produção não fique concentrada apenas na venda de commodities “, diz Murad. Outro ponto é a burocracia e o ambiente regulatório . Para atrair investimentos de longo prazo, Murad comenta que o Estado precisa oferecer previsibilidade, segurança jurídica e processos mais eficientes.

    O mercado de trabalho mineiro, por outro lado, atravessa um momento de baixa desocupação. Em 2025, a taxa média de desemprego em Minas foi de 4,6% , a menor da série histórica da PNAD Contínua, iniciada em 2012, segundo o IBGE. Força das commodities Além da produção de commodities minerais e agrícolas , principalmente minério de ferro e café , Minas Gerais ganhou relevância nos últimos anos na exploração de lítio, sobretudo no Norte do estado.

    “O local é muito rico e favorecido por vários minerais que estão em evidência no mundo inteiro”, destaca Duarte. Em 2025, Minas Gerais exportou  US$ 45,6 bilhões , crescimento de  8,6% em relação a 2024  e o maior valor registrado desde o início da série histórica, em 1997, segundo o  Panorama do Comércio Exterior de Minas Gerais , elaborado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG). Com o resultado, o estado terminou o ano como o  terceiro maior exportador do Brasil  e o quinto maior importador.

    As importações mineiras somaram  US$ 18,3 bilhões em 2025 , alta de  7,8%  na comparação anual. Com isso, o fluxo comercial — soma das exportações e importações — alcançou  US$ 64 bilhões , também o maior valor da série histórica, de acordo com a Sede-MG. Apenas café e minério de ferro responderam por 49,9% do valor exportado por Minas no primeiro semestre de 202 5 , segundo análise da Fundação João Pinheiro baseada em dados do Comex Stat.

    Baixa produtividade ainda limita o potencial da economia mineira “Existe uma exposição natural aos ciclos das commodities”, afirma Fábio Murad. Em outras palavras, quando os preços internacionais estão favoráveis, esses setores impulsionam exportações, arrecadação e investimentos. Porém, quando há queda nos preços ou redução da demanda global, o impacto pode ser significativo.

    O efeito pode ser ainda mais relevante em municípios cuja economia e arrecadação estão muito associadas à mineração. Em vez de concentrar sua participação na extração e na exportação de matérias-primas, para Duarte, Minas poderia ampliar as etapas industriais realizadas localmente. No caso do lítio, por exemplo, isso envolveria estimular atividades relacionadas ao processamento do mineral e à produção de componentes e baterias.

    “Acho que falta diversificação nessa matriz e incentivos para uma verticalização maior da cadeia dentro do Estado”, afirma Duarte. De acordo com o economista, uma participação mais ativa nas negociações com empresas do setor mineral poderia estimular investimentos industriais e permitir que uma parcela maior da cadeia produtiva permanecesse em Minas Gerais. Fábio Murad concorda.

    “O caminho não é abandonar esses setores, porque eles são grandes vantagens competitivas de Minas. O caminho é agregar valor “, ressalta. “Minas também tem patrimônio histórico, gastronomia, turismo rural, ecoturismo e destinos de grande potencial.

    Ouro Preto, Tiradentes, Diamantina, Serra do Cipó e Serra da Canastra são exemplos.  Não adianta ter um excelente produto turístico se o acesso é difícil, a conectividade é limitada e a infraestrutura local não acompanha”, destaca Elisa Machado.   Ao final de 2025, a relação entre a  Dívida Consolidada Líquida (DCL) e a Receita Corrente Líquida (RCL) estava em 167,46% , ante  188,97% em 2018 , segundo as Notas Explicativas do Balanço Geral do Estado de 2025, elaboradas pela Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais (SEF-MG).

    O quadro fiscal também passou por uma mudança com a adesão de Minas Gerais ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) . Criado pela  Lei Complementar nº 212, de janeiro de 2025 , o programa federal permite a revisão das condições das dívidas dos estados e do Distrito Federal com a União, com mecanismos destinados a reduzir o custo do endividamento e criar condições para o pagamento dos débitos. O programa também criou o  Fundo de Equalização Federativa (FEF) , abastecido c

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