Montadoras apostam na impressão 3D para reduzir custos e aumentar produção
Montadoras como Ford, Rivian e General Motors (GM) estão expandindo o uso de impressão 3D nas operações industriais. A tecnologia, presente na indústria automotiva há décadas, vem se tornando mais acessível e está sendo adotada em diferentes etapas do processo produtivo dessas empresas. Segundo as companhias, as impressoras 3D estão simplificando despesas logísticas e encurtando o tempo de produção de peças de semanas para dias ou até mesmo algumas horas.
Os resultados são tão impressionantes que as montadoras já prometem expandir o uso desses dispositivos. Como a tecnologia funciona A impressão 3D cria objetos tridimensionais a partir de projetos digitais. Os equipamentos utilizam diversos materiais, como plásticos, compósitos, cerâmicas e metais.
O preço das impressoras varia de centenas de dólares, para dispositivos de uso recreativo, a centenas de milhares de dólares para equipamentos especializados, dependendo do tamanho do produto e do material necessário. As máquinas podem produzir peças individuais ou centenas de itens menores em lote, usando pós e resinas. O impacto das impressões 3D A Rivian, por exemplo, declarou já ter investido mais de US$ 5 milhões (cerca de R$ 27 milhões) em máquinas de impressão 3D.
Jared Beck, responsável pela área de manufatura aditiva da empresa, afirmou que, apesar dos valores, as máquinas geralmente se pagam em menos de um ano. Isso porque a tecnologia reduz custos com fornecedores, simplifica despesas logísticas e encurta o tempo de produção de peças de semanas para dias ou horas. O objetivo, segundo a empresa, é democratizar a impressão 3D para todas as áreas da montadora.
A tecnologia já foi aplicada na criação de modelos de motores elétricos para testes com fluidos, guias de parafusos para ferramentas e algumas peças de produção, incluindo acabamentos usados para preencher lacunas em montagens iniciais. A expansão mais recente da empresa inclui máquinas capazes de produzir peças flexíveis de silicone e a instalação de um conjunto de impressoras na fábrica de Normal, Illinois, para que funcionários imprimam peças sob demanda. Já na Ford, departamentos de manufatura aditiva operam em diversas plantas para produzir e distribuir peças.
Um dos exemplos mais recentes é uma máquina de venda automática de peças impressas em 3D instalada para a produção da picape F-150, próxima à sede da empresa em Dearborn, em Michigan. A montadora utilizou dezenas de máquinas para imprimir milhares de ferramentas, parte delas projetadas pelos próprios funcionários, como soquetes para bits de torque, elevadores de capô e ferramentas manuais para alisar adesivo. Os trabalhadores podem solicitar peças ou ferramentas por meio de um aplicativo, e as equipes de impressão 3D da Ford auxiliam no desenvolvimento ou definem o que será produzido, já que o tempo de fabricação pode variar de horas a dias ou até semanas.
A Ford também recorreu à impressão 3D para manter linhas de produção em funcionamento. Recentemente, uma roda de usinagem de grande porte precisou ser substituída. A empresa imprimiu a peça em 3D enquanto aguardava a reposição definitiva do fornecedor.
A montadora informou que espera ter laboratórios de impressão 3D implantados em mais de 23 plantas até o final do ano. Por fim, a GM utiliza peças impressas em 3D em alguns de seus produtos de baixo volume, em pesquisa e desenvolvimento e dentro das fábricas. Entre as aplicações, a montadora emprega 135 componentes impressos em 3D no Cadillac Celestiq — modelo sob encomenda — e outros componentes nos sedãs Cadillac Blackwing de alto desempenho, incluindo um medalhão exclusivo no botão do câmbio manual.
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