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    Empiricus·28 de out., 16:00

    Moro num Brasil tropical e trôpego, mas moro no Brasil

    A segunda-feira foi de clima de velório na Faria Lima , mas continuamos morando no Brasil, trabalhando e torcendo – em escala micro ou macro – para que as coisas deem minimamente certo por aqui. Na verdade, para que as coisas deem certo , ou não sejam tão erradas . Corremos sérios riscos, e temos grandes oportunidades diante de nós.

    O ano ainda não acabou. Passamos boa parte de 2026 negociando sob a iminência de um payoff binário, do trade eleitoral – que inclusive nos gerou ganhos extraordinários com estruturas de opções. Ironicamente, a eleição ficou para trás, mas a bifurcação continua , agora sob nova direção.

    O Governo Lula 4 , que começa desde já, está prestes a escolher se quer se portar como o trágico Dilma 2 , ou se prefere rememorar as conquistas do saudoso Lula 1 . São caminhos totalmente díspares. Se tomarmos por base o que foi o Lula 3 , viés de disponibilidade, o palpite mais óbvio (e triste) é o de que seguiremos pela rota Dilma 2 .

    Isso explica uma boa parte do estresse de segunda-feira, que pouco tem a ver com o mercado financeiro gostar ou não do PT. No entanto, o contexto de início do Lula 3 é bem diferente deste debute atual. Não há gordura para queimar, não há margem de erro, e não existe mais a obrigação de superar os legados de Bolsonaro.

    Com o ministro certo na Fazenda ( Fonteles? ), o Lula 4 terá a chance de fazer um ajuste fiscal em sua primeira pernada – se for esperto, talvez ainda em 2026 -, e então colher os generosos frutos desse ajuste ao longo dos próximos quatro anos. Portanto, são escolhas realmente opostas .

    No primeiro caso, a dívida pública ultrapassará 100% do PIB até 2030 , e a Selic terá que voltar a subir se quisermos preservar o câmbio abaixo de R$ 6,00. Em questão de meses, seremos rebaixados em pelo menos um degrau pelas agências de rating . As classes menos abastadas sofrerão mais.

    No segundo caso, a inflação cederá rapidamente e o real voltará para baixo de R$ 5,00 , abrindo espaço para uma Selic de 10% ao ano no horizonte de convergência. Daremos ao povo brasileiro inteiro o equivalente a cem Bolsas Família em benesses diretas e externalidades positivas. Eu sei que, falando assim, parece que se trata de uma escolha óbvia pelo resgate do Lula 1.

    Porém, as tentações ligadas ao orgulho, à vingança e à teimosia são sempre grandes e perigosas. Dependerá da intuição do presidente, mas sobretudo de sua intenção . Ao menos, ele parece cercado agora de pessoas melhores do que aquelas que sequestraram o Lula 3 , e isso pode fazer muita diferença.

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