Morre Carlos Pedreira, Bilionário e Sócio-fundador do Grupo GPS, Aos 71 Anos
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. Carlos Nascimento Pedreira , sócio-fundador do Grupo GPS , Pedreira morreu nesta terça-feira, aos 71 anos, após lutar contra um câncer generalizado. Sua morte encerra a trajetória de um empresário que participou da transformação de uma companhia fundada na Bahia em uma das principais plataformas brasileiras de serviços terceirizados e, mais tarde, em uma empresa listada na Bolsa.
Pedreira nasceu em 9 de dezembro de 1954, na Bahia. Antes de se tornar um dos principais nomes do GPS, passou pelo Grupo Odebrecht, experiência que o colocou em contato com uma das escolas empresariais mais influentes do país. Foi ali que iniciou sua trajetória como executivo e ganhou parte da experiência que levaria para a construção do próprio negócio.
A história do GPS, porém, começou antes de sua projeção nacional. Fundada em Salvador, em 1962, a companhia cresceu acompanhando uma transformação da economia brasileira: a transferência para empresas especializadas de atividades que antes eram realizadas internamente pelas grandes corporações. Limpeza, segurança, manutenção, alimentação, logística e outras funções de apoio deixaram de ser apenas despesas administrativas e passaram a formar um mercado próprio.
O GPS ocupou esse espaço e, ao longo das décadas, ampliou sua escala por meio de crescimento e aquisições, tornando-se uma referência nacional em facilities e serviços terceirizados. Para Pedreira, o negócio estava menos em uma atividade específica do que na capacidade de administrar uma operação complexa em escala. De Salvador para a Bolsa A dimensão alcançada pelo GPS ficou mais evidente quando a companhia chegou ao mercado de capitais.
Em 2021, a empresa abriu capital na B3, em um movimento que marcou uma nova etapa de sua história. As ações passaram a ser negociadas sob o código GGPS3 . A abertura de capital também transformou em números públicos uma riqueza que, até então, era pouco conhecida fora do círculo empresarial.
Pedreira e seus familiares detinham a segunda maior participação acionária da companhia, segundo as informações apresentadas pela empresa. A Bolsa, nesse sentido, foi mais do que uma fonte de capital. Ela colocou sob os holofotes um empresário que havia construído sua fortuna em um setor tradicional da economia brasileira, longe dos negócios que normalmente dominam as listas de grandes fortunas.
A trajetória patrimonial da família Pedreira ganhou destaque especialmente a partir de 2025, quando o nome de seu filho passou a figurar entre os brasileiros com patrimônio superior a R$ 1 bilhão. Na lista de bilionários da Forbes 2026, Carlos Nascimento Pedreira Filho aparece na 205ª posição, com patrimônio estimado em R$ 1,4 bilhão . No ano anterior, ocupava a 208ª colocação, com fortuna estimada em R$ 1,7 bilhão.
Um negócio construído longe dos holofotes Existe uma particularidade na história do GPS que ajuda a explicar a trajetória de Pedreira. O grupo atua em um mercado que raramente aparece para o consumidor final, embora esteja presente em praticamente todos os grandes setores da economia. Enquanto uma empresa concentra seus esforços em produzir carros, administrar bancos, vender alimentos ou operar fábricas, alguém precisa cuidar de uma parte significativa da infraestrutura que permite que essas operações funcionem todos os dias.
É nesse espaço que os serviços terceirizados ganharam relevância. A expansão do GPS acompanhou justamente esse movimento. À medida que empresas brasileiras passaram a concentrar recursos e funcionários em suas atividades principais, funções de apoio puderam ser transferidas para companhias especializadas.
Para os contratantes, a terceirização podia significar escala, especialização e flexibilidade. Para prestadores como o GPS, significava a possibilidade de construir grandes operações a partir de milhares de contratos. A escola Odebrecht Antes do GPS, houve a Odebrecht.
Pedreira foi executivo do grupo baiano, experiência que compartilhou com outro dos grandes acionistas ligados à história do GPS, José Caetano de Paula Lacerda . A passagem pela Odebrecht colocou os dois em contato com uma cultura empresarial marcada pela expansão, pela descentralização das operações e pela formação de executivos. A experiência também ajudou a formar uma geração de empresários baianos que posteriormente levaria para seus próprios negócios métodos de gestão desenvolvidos dentro de um dos maiores grupos empresariais brasileiros.
No caso de Pedreira, essa formação encontraria um terreno fértil em uma companhia que já tinha raízes na Bahia. O resultado foi uma trajetória que começou como executivo e terminou com a transformação do próprio nome em sinônimo de uma grande empresa brasileira de serviços. O legado A morte de Pedreira acontece em um momento em que o Grupo GPS já não depende da figura de seu fundador para existir.
Essa talvez seja uma das medidas mais importantes de seu legado empresarial. Em comunicado divulgado após sua morte, o Grupo GPS afirmou que foi a visão empreendedora, a liderança e o “forte espírito de servir” de Pedreira que permitiram a criação e o desenvolvimento da companhia. O grupo também afirmou que permanecerá unido e comprometido com a continuidade e a evolução de seu legado.
A frase resume uma transição comum às grandes empresas familiares e de controle concentrado: chega o momento em que a obra do fundador precisa continuar sem o fundador. Pedreira deixa, nesse sentido, algo maior do que uma participação acionária. Deixa uma companhia que atravessou seis décadas de mudanças na economia brasileira, passou de uma empresa fundada em Salvador a uma plataforma nacional de serviços e, finalmente, abriu seu capital.
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