Motta conversou com Vorcaro sobre “sociedade” e PL sobre carbono
Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), manteve conversas com o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, sobre uma “sociedade” relacionada à compra de um terreno em João Pessoa (PB) e sobre um projeto de lei que trata do mercado de carbono. Em 9 de março de 2024, Motta procurou Vorcaro para tratar da negociação de venda de um terreno na capital paraibana. A conversa se deu no mesmo mês em que Bianca Medeiros, cunhada do presidente da Câmara, contraiu um empréstimo de R$ 22 milhões com o Banco Master para a compra de um terreno em João Pessoa.
Mercado de carbono Motta e Vorcaro também conversaram em 19 de novembro de 2024 sobre o projeto de lei que regulamenta o mercado de carbono no Brasil. Trata-se do substitutivo do Senado ao PL 182 de 2024 . Na mensagem, Motta menciona uma questão relacionada às seguradoras.
A alteração feita pelo Senado e posteriormente modificada na Câmara tratava da possibilidade de seguradoras, além de algumas empresas de previdência e capitalização, comprarem “ativos ambientais” negociados no mercado para compor suas reservas técnicas e provisões. A versão aprovada pelo Senado estipulava que essas empresas destinassem, no mínimo, 0,5% dos recursos a esses ativos. A Câmara retomou a redação anterior, que estabelecia percentual de 1% ao ano.
O tema interessava aos negócios de Vorcaro. Em junho de 2026, a PF afirmou que o então banqueiro havia enviado textos de propostas legislativas diretamente ao gabinete do senador Ciro Nogueira (PP-PI). Segundo a investigação, os 2 tinham uma “convergência de interesses ilícitos” .
Uma das propostas encaminhadas por Vorcaro ao gabinete do senador tratava justamente da regulamentação do mercado de carbono no país. Outro lado O Poder360 entrou em contato com a defesa de Daniel Vorcaro para saber se gostaria de se manifestar sobre o assunto, mas não teve resposta. A reportagem será atualizada caso a parte envie manifestações a este jornal digital.
Procurado pelo Poder360 , Motta afirmou, em nota, que mantém diálogo com representantes do empresariado e de outros setores da sociedade e disse não haver ilícito nos diálogos divulgados. O presidente da Câmara também afirmou que as conversas foram descontextualizadas e negou ter atuado em benefício próprio ou de terceiros. Motta informou que pretende apresentar queixa-crime contra o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB).
Disse que Veneziano promove calúnia, difamação e divulgação de fake news com finalidade eleitoral. O senador concorre à reeleição e tem como adversário na disputa o pai de Motta, Nabor Wanderley (Republicanos-PB). Sobre o empréstimo contratado com o Banco Master, Motta afirmou que a operação ocorreu quando ainda não eram conhecidas as investigações posteriormente divulgadas sobre a instituição financeira e seu proprietário.
Leia a nota de Hugo Motta na íntegra: “Enquanto parlamentar em meu quarto mandato na Câmara dos Deputados, sempre mantive diálogo com os diversos segmentos do empresariado e representantes da sociedade brasileira. Enfatizo que não há nenhum ilícito retratado nos diálogos publicados e repudio a tentativa de atribuir conversas descontextualizadas a qualquer relação de interesse espúrio ou de favorecimento por minha parte. Tenho uma vida limpa, assim como é limpa a minha atuação política nesses 15 anos de vida pública.
Informo que estou protocolando queixa-crime contra o senador Veneziano Vital do Rego, diante da série de calúnias, de difamação e produção de fake news que ele tem efetivado contra mim neste período eleitoral. Não permitirei a suspeição de ilícitos promovidos por ele, especialmente com fins eleitoreiros. Como já explicitei anteriormente, o contrato de empréstimo realizado por empresa privada com um banco privado se deu quando não se tinha conhecimento dos fatos e investigações que posteriormente vieram a público sobre o Master e o seu dono.
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Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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