Na corrida trilionária da IA: o ETF de chips que dispara 40% no ano na B3
Dá para ter um pedacinho de gigantes globais ligadas à inteligência artificial, como Nvidia , Microsoft e Apple , a partir de R$ 35, direto pela B3, sem abrir conta no exterior nem converter real em dólar. O caminho são os ETFs , fundos de índice negociados como se fossem ações: você compra uma única cota e leva uma cesta com várias empresas de uma só vez. Na Bolsa brasileira, uma das portas de entrada para o setor de IA é o ETF CHIP11 , gerido pela Investo, que reúne 25 líderes globais da indústria de semicondutores.
A cota é negociada perto de R$ 35. No ano, o fundo sobe cerca de 40% e é o segundo ETF de ações com melhor desempenho da Bolsa em 2026, atrás apenas do HTEK11 (+46%), que investe em empresas de tecnologia voltadas à inovação no setor de saúde dos Estados Unidos. “Ninguém sabe qual empresa vai vencer essa corrida, sendo a diversificação uma questão estratégica para essa exposição”, diz Eduardo Mira, o Professor Mira , um dos principais nomes da educação financeira do país.
Nesta semana, o InvestNews lançou a série Minuto ETFs em parceria com Mira – e os ETFs de IA são o assunto do primeiro episódio. Confira: Os ETFs entraram no radar justamente porque, em vez de tentar adivinhar qual empresa será a vencedora, eles permitem ao investidor distribuir os ovos em várias cestas. E, conforme o mercado se movimenta, a própria carteira do índice é rebalanceada.
No CHIP11, a Nvidia é a maior fatia (19% do patrimônio), mas divide espaço com outros elos indispensáveis da cadeia, como a taiwanesa TSMC (cerca de 9%) e a americana AMD (com 6%). Para se ter uma ideia do peso da Nvidia: a fabricante dos chips que fazem a inteligência artificial funcionar disputa o topo de empresa mais valiosa do mundo , negociando na casa dos US$ 5 trilhões em valor de mercado. Ela virou o pedágio obrigatório de quem quer disputar essa corrida.
Amazon, Google, Meta e Microsoft devem desembolsar cerca de US$ 800 bilhões este ano apenas em investimentos em bens de capital, segundo a Goldman Sachs, em uma trajetória que coloca os gastos projetados das Big Techs no patamar de US$ 1 trilhão já em 2027. A Nvidia e as fabricantes de semicondutores são as primeiras beneficiadas desse cheque. Leia também Negócios Até onde vai a Nvidia?
Empresa prevê que boom de IA vai alimentar vendas pelo menos até 2028 Para quem busca uma carteira ainda mais aberta, a B3 oferece o BRIA11 , que replica o FTSE AI Global Leaders e inclui tanto nomes americanos quanto chineses. Suas maiores posições são Microsoft (4,3%), Meta (4,0%), Apple (3,6%) e a própria Nvidia (3,5%). Nenhuma passa de 5%, deixando o capital bem mais pulverizado.
Gerido pela Bradesco Asset, o fundo estreou em setembro e ainda não tem histórico longo: nos quase dois meses desde então, a cota, perto de R$ 104, acumula alta de 2%. O pano de fundo Os fundos brasileiros de IA acompanham um movimento que vem de fora. No ano, até agora, o S&P 500, principal índice da bolsa americana, acumula alta de mais de 12%, e o MSCI World, que reúne ações de países desenvolvidos, de cerca de 11%.
O SOXX, ETF americano de semicondutores, sobe 47%. O Goldman Sachs diz que o S&P 500 caminha para o quarto ano seguido de alta de dois dígitos, com o lucro por ação das empresas do índice crescendo 33% no terceiro trimestre. Segundo o UBS, a IA responde por cerca de 60% do crescimento do lucro do índice neste ano.
Leia também Investimentos InvestNews lança série Minuto ETF com Eduardo Mira, o Professor Mira Investimentos O básico bem-feito: 4 ETFs que podem fazer mais pelo seu bolso do que fundos tradicionais Mas outubro mostrou o outro lado. O SOXX caiu 17% no mês, puxado pela Intel, uma das posições do fundo, que desabou 45% no período. O S&P 500 recuou menos de 1%, mas o setor de tecnologia, que pesa 38% do índice, afundou quase 7%, na maior queda mensal desde março de 2025.
Na B3, o CHIP11 perdeu cerca de 10% do valor. O motivo: balanços fracos de Intel, Amazon e Alphabet fizeram os investidores duvidarem de que os mais de US$ 4,2 trilhões em gastos acumulados previstos pelas grandes empresas para os próximos anos, segundo o UBS, vão dar retorno. Só o Nasdaq 100, índice americano das maiores empresas de tecnologia, perdeu mais de US$ 2 trilhões em valor de mercado no mês.
A Goldman avalia que o ritmo de expansão desse investimento está perto do pico e estima que a emissão de dívida corporativa ligada à IA já soma US$ 657 bilhões no ano. Ou seja: parte da conta dos data centers está sendo paga com empréstimo. Por isso, analistas indicam cautela.
A tendência de crescimento segue alimentando projeções otimistas, mas a posição envolve mais risco e deve ser encarada como a fatia mais “apimentada” do portfólio. ETFs, que combinam diversificação e custo baixo, são uma forma de incluir o tema na carteira, para quem quiser. Eles sugerem tratar fundos temáticos e de alta volatilidade, como CHIP11 e BRIA11, como posições-satélite: juntos, não devem passar de 3% a 5% do portfólio.
Assim, dá para se expor a uma tese com potencial de valorização sem abrir mão do núcleo da carteira, formado por ativos mais defensivos. 600% neste ano com a guerra no Irã. E em dólar Outro ponto é o câmbio.
Como esses ETFs carregam empresas de fora, a cotação do dólar mexe no resultado em reais. Se o dólar cai, o ganho encolhe, mesmo que as ações subam. E ainda tem a memória da bolha ponto-com, quando a Nasdaq, que concentra as empresas de tecnologia americanas, caiu quase 80% entre 2000 e 2002.
O próprio UBS, que defende a tese da IA, faz a ressalva: “Os investidores devem administrar posições excessivamente concentradas, considerando exposição a áreas mais defensivas da tecnologia e diversificando entre setores e regiões”, pontua. O InvestNews publica publica novos episódios da série Minuto ETF com Professor Mira todas as terças-feiras nas redes sociais. Acompanhe o que há de mais importante para aprender sobre os fundos de índices no Instagram , no TikTok ou no YouTube do InvestNews .
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Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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