Na fusão Afya-Yduqs, uma janela para as famílias Zaher e Esteves venderem parte das ações
A Yduqs divulgou nesta terça-feira (29) os termos do acordo de voto firmado pelos principais acionistas da companhia e da Afya . Pelo documento , eles se comprometem a votar a favor da fusão das empresas nas assembleias convocadas para aprovar o negócio que deve criar o maior grupo de ensino médico do país. O compromisso reúne, de um lado, o Rose FIP , veículo ligado à gestora americana Advent , e a família do empresário Chaim Zaher ; do outro, a alemã Bertelsmann e o bloco ligado ao médico Nicolau Carvalho Esteves , fundador do grupo que deu origem à Afya.
Além de assegurar apoio à operação, o documento estabelece o que esses acionistas poderão fazer com suas participações enquanto a fusão não for concluída. Foi nesse conjunto de restrições que surgiu uma exceção para Zaher e Esteves reduzirem parcialmente suas posições nas empresas. Até a realização das assembleias, pelo acordo, nenhum dos quatro blocos poderá vender as ações que possuía quando o acordo foi assinado, em 23 de setembro.
Leia também Negócios Afya e Yduqs inauguram nova fase na corrida pelas faculdades de medicina Negócios Afya e Yduqs acertam fusão que cria nova gigante em educação e medicina, com R$ 9,4 bilhões em receitas Depois da aprovação do negócio pelos acionistas e até o fechamento da operação, porém, Zaher poderá negociar até 35% de sua posição na Yduqs. Nicolau Esteves e a NRE Capital, sua holding familiar, terão a mesma liberdade em relação às ações da Afya. O Rose FIP e a Bertelsmann não contam com a mesma exceção e deverão manter as ações diretamente detidas durante esse período.
O Rose, porém, preservou a possibilidade de promover mudanças indiretas em sua base de cotistas. Nova divisão O desenho anunciado para a fusão prevê que Zaher terá 4,8% da empresa combinada, enquanto o bloco de Esteves ficará com 7,6%. Esses percentuais consideram que ambos manterão integralmente suas posições até a conclusão da operação.
Numa conta simplificada, se os dois usassem toda a autorização para vender 35%, a futura participação de Zaher poderia cair de 4,8% para aproximadamente 3,1%. A fatia do bloco de Esteves poderia recuar de 7,6% para cerca de 4,9%. Os números são estimativas.
O documento não indica que Zaher ou Esteves pretendam vender. Ele apenas abre essa possibilidade durante o período em que a fusão ainda estará sujeita ao aval dos órgãos reguladores e a outras condições. As companhias esperam concluir a operação em cerca de 12 meses.
O limite de 35% vem acompanhado de uma consequência específica. Quem ultrapassá-lo perderá automática e permanentemente o direito de aderir ao futuro acordo de acionistas da companhia combinada, incluindo a possibilidade de indicar um integrante do conselho de administração. Depois da conclusão da fusão, entrará em vigor outra restrição, com duração de 180 dias, aplicável a todas ou a parte das ações dos quatro blocos, conforme o caso.
Os detalhes dessa nova trava ainda não foram divulgados. Alta de um lado Para Zaher, a janela surge depois de uma forte valorização da Yduqs. As ações fecharam esta terça-feira (29) a R$ 10,41, acumulando alta de 32,3% em relação aos R$ 7,87 do último pregão anterior às primeiras notícias sobre a fusão, divulgadas em 23 de agosto.
No primeiro pregão após a confirmação das conversas, os papéis saltaram 12,8%. A alta chegou a 42,4% em 22 de setembro, véspera da assinatura do acordo definitivo, mas perdeu força depois do anúncio formal da operação. Segundo o último formulário de referência da Yduqs, a família Zaher possuía 39,3 milhões de ações.
Uma venda de 35% dessa posição corresponderia a aproximadamente R$ 143 milhões pela cotação atual. O valor serve apenas como referência, já que uma negociação desse porte poderia ocorrer em bloco e a um preço diferente do observado na Bolsa. Chaim Zaher é fundador do Grupo SEB e atualmente preside o conselho de administração da Yduqs.
Sua relação com a companhia começou quando a então Estácio concluiu, em 2014, a compra da UniSEB por R$ 615,3 milhões, com parte do pagamento em ações. Em 2017, Zaher vendeu uma participação de aproximadamente 7% à Advent por cerca de R$ 437 milhões. Depois de praticamente deixar o capital, voltou a montar uma posição relevante a partir de 2021.
Queda do outro A movimentação das ações da Afya foi distinta. Os papéis negociados na Nasdaq recuaram cerca de 18% no mesmo período, de US$ 14,33 para aproximadamente US$ 11,80. Nicolau Esteves e a NRE Capital possuem, juntos, cerca de 9,8 milhões de ações das classes A e B da companhia.
Nicolau Esteves é ortopedista e criou com a mulher, Rosângela, uma faculdade em Araguaína, no Tocantins, em 1999 – embrião da Afya. O casal vendeu 6 milhões de ações à Bertelsmann por US$ 161,4 milhões em 2022. Dois anos depois, integrantes da família negociaram mais 9,99 milhões de papéis com a alemã por US$ 179,9 milhões.
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Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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