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    Nova descoberta renova mistério sobre morte de sobrinha de Hitler; entenda
    CNN Brasil·26 de set., 16:00

    Nova descoberta renova mistério sobre morte de sobrinha de Hitler; entenda

    Documentos de arquivo recém-descobertos levantaram dúvidas sobre o falecimento da meia-sobrinha de Adolf Hitler, cuja morte em seu apartamento em Munique, em 1931, foi oficialmente classificada como suicídio. Angela “Geli” Raubal, de 23 anos, foi encontrada morta com um ferimento de bala no peito no apartamento de Hitler em Munique, em setembro de 1931. A arma era uma pistola que pertencia ao líder nazista, que, segundo se sabe, mantinha uma relação incomumente próxima e controladora com a jovem parente.

    Durante 95 anos, a versão aceita foi a de que o corpo de Raubal havia sido descoberto em 19 de setembro, data registrada na investigação policial de Munique sobre sua morte. Leia Mais Xi Jinping deixa os EUA após visita de Estado e convida Trump para a China Superinteligência obriga Trump e Xi Jinping a conversar Pacto inspirado na Otan é testado após investidas contra Arábia Saudita Naquela manhã, Georg Winter, o criado pessoal de Hitler, teria arrombado a porta do quarto de Raubal, que estava trancada por dentro, e encontrado o corpo dela no chão, de acordo com os registros da polícia de Munique. Documentos oficiais mostram que Hitler, que estava ganhando destaque, mas ainda não havia tomado o poder na Alemanha , já havia partido de Munique para Nuremberg na tarde anterior.

    Essa cronologia indicaria que ele não poderia estar envolvido na morte dela. No entanto, o historiador alemão Harold Sandner afirma ter descoberto um registro no livro oficial de óbitos de Munique que aponta a data e a hora da descoberta do corpo de Raubal como sendo às 10h15 de 18 de setembro de 1931. Dois comunicados de falecimento encontrados nos arquivos também traziam essa data.

    Angela ‘Geli’ Raubal, sobrinha de Hitler • ullstein bild/Getty Images via CNN Newsource Se esses registros forem autênticos, eles situariam a morte de Raubal cerca de 24 horas antes do que se acreditava anteriormente e colocariam Hitler em Munique no momento em que o corpo foi descoberto. Registros oficiais mostram que ele só partiu para Nuremberg na tarde de 18 de setembro. Sandner sugeriu que os registros conflitantes poderiam indicar um possível encobrimento de assassinato por parte de autoridades policiais simpatizantes do Partido Nazista.

    Suas descobertas foram publicadas inicialmente pela revista alemã Der Spiegel e serão detalhadas em seu próximo livro, A Morte de Angela “Geli” Raubal: Suicídio ou Crime? , com lançamento previsto para o próximo mês. Thomas Weber, especialista na Alemanha nazista e professor de história na Universidade de Aberdeen, disse que Sandner, a quem conhece há muitos anos, lhe apresentou suas descobertas e que ele acredita na credibilidade dos documentos.

    Descrevendo Sandner como “extremamente meticuloso e rigoroso”, Weber disse à CNN que, a princípio, encarou o encontro com ceticismo, mas concluiu que os novos documentos parecem contestar seriamente a cronologia estabelecida para a morte de Raubal. “Partindo do princípio de que as cópias dos documentos que Sandner compartilhou comigo são autênticas — e não tenho motivos para duvidar disso —, parece claro que Raubal morreu um dia antes do que todos nós presumimos ao longo de quase cem anos e que, portanto, Hitler ainda estava em Munique quando ela morreu”, afirmou. Como existem três documentos recém-descobertos que situam a morte dela em 18 de setembro, a hipótese de um erro administrativo parece improvável, acrescentou ele.

    No entanto, Weber relutou em concluir que isso significava que Hitler havia assassinado sua sobrinha. Ele disse que os nazistas poderiam ter outros motivos para querer ocultar o ocorrido. Na época, o partido buscava apoio da direita convencional, enquanto Hitler tentava se apresentar, “por razões eleitorais, como a personificação da confiança e da virtude”, disse Weber — algo que “qualquer escândalo” poderia ter colocado em risco.

    Morte envolta em lendas Raubal era filha da meia-irmã de Hitler, Angela Hammitzsch (nascida Hitler). Ela viveu muito próxima do meio-tio durante anos, enquanto sua mãe trabalhava como governanta dele, antes de se mudar para o apartamento dele em Munique, em 1929. Muitos historiadores acreditam que o líder nazista nutria uma paixão obsessiva por Raubal e que seu comportamento em relação a ela tornou-se intensamente controlador e possessivo.

    Alguns sugeriram que a relação deles chegou a ser sexual, embora isso seja contestado. Acredita-se que ele exercia um controle considerável sobre a vida dela. “Especulava-se que Hitler nutria uma obsessão doentia por Raubal, que a amava e que seu interesse tinha natureza incestuosa, e que ele a assassinou por ciúmes — seja porque ela queria deixá-lo ou porque ele percebeu que ela amava outra pessoa”, disse Weber, acrescentando que havia muitas variações dessa especulação.

    Weber afirmou que, embora pessoalmente ache difícil acreditar que o relacionamento de Hitler com Raubal fosse incestuoso, seus padrões de comportamento certamente sugerem que ele sentia um “vínculo profundo” com ela. Acredita-se que, pouco antes de sua morte, Hitler e Raubal tenham discutido sobre o desejo dela de deixar Munique e ir para Viena para se dedicar aos estudos de música. Os registros recém-descobertos não solucionam o mistério sobre como Raubal morreu.

    No entanto, eles reabrem questões que persistem há quase 100 anos a respeito do que exatamente aconteceu na casa dele em Munique no dia da morte dela. “Toca do Lobo”: Como era o esconderijo de Hitler na Segunda Guerra Mundial   ]]>

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