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    Nove medicamentos contra o câncer chegam ao SUS; veja lista comentada por especialista
    Olhar Digital·27 de out., 20:41

    Nove medicamentos contra o câncer chegam ao SUS; veja lista comentada por especialista

    Nove novos medicamentos de alta tecnologia para o tratamento de câncer passaram a ser distribuídos pelo Ministério da Saúde na rede pública em todo o Brasil . A medida integra um plano do governo federal para ampliar o acesso a terapias oncológicas no país. De acordo com a pasta, os medicamentos contemplam 13 indicações clínicas, incluindo tratamentos para tipos de câncer de grande incidência, como os de mama, próstata e pulmão, além de linfomas.

    A expectativa inicial é beneficiar mais de 116 mil pacientes em 20 unidades de saúde de 17 estados. Até o fim do ano, a distribuição deverá alcançar toda a rede pública. O ministro da saúde, Alexandre Padilha, assina documento que garante a oferta de nove novos remédios oncológicos no SUS.

    – Crédito: Rafael Nascimento / Ministério da Saúde Em entrevista ao Olhar Digital , a oncologista Maria Ignez Braghiroli, especialista em tumores do trato digestivo da Oncologia D’Or e integrante do Grupo de Tumores Gastrointestinais do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), explicou o impacto da incorporação dos novos medicamentos ao Sistema Único de Saúde (SUS), suas indicações e os cuidados necessários durante o tratamento. Entre eles, estão o abemaciclibe, utilizado no tratamento do câncer de mama, e o pazopanibe, indicado para casos avançados de câncer renal. São terapias que podem ampliar as opções de tratamento, mas exigem acompanhamento médico e cuidados específicos durante o uso.

    O abemaciclibe age sobre proteínas envolvidas na multiplicação das células tumorais, como explica Maria Ignez. “O abemaciclibe é um medicamento que inibe algumas proteínas responsáveis por estimular a multiplicação dessas células tumorais. E, ao bloquear essas proteínas, ele ajuda a impedir que as células continuem se proliferando.

    ” Segundo a médica, o tratamento costuma ser combinado à terapia hormonal e, por ser administrado por via oral, permite que o paciente tome o medicamento em casa, desde que respeite os horários e as doses prescritos. A frequência habitual é de duas tomadas diárias, embora o esquema possa variar de acordo com cada caso. “Como efeito colateral mais frequente, ele pode provocar diarreia, especialmente nas primeiras semanas.

    Por isso é preciso ter o acompanhamento próximo do oncologista. Como todas as outras medicações, ele pode causar cansaço e há pessoas que têm um pouco de enjoo”, alerta a oncologista. Sobre o pazopanibe, Maria Ignez explica que sua ação interfere nos mecanismos que favorecem o crescimento do tumor e a formação de vasos sanguíneos responsáveis por fornecer oxigênio e nutrientes às células cancerígenas.

    O abemaciclibe, fármaco utilizado no tratamento do câncer de mama, é um dos nove medicamentos recém-incorporados ao SUS. – Crédito: luchschenF – Shutterstock / traduzido e adaptado por IA “O pazopanibe é uma terapia-alvo, que foi liberada pelo SUS para o tratamento do câncer de células renais. Ele é um anti-angiogênico, isto é, bloqueia os sinais que favorecem o crescimento tumoral e a formação de novos vasos, de modo a inibir o fornecimento de nutrientes para as células tumorais”, explica Braghiroli.

    O tratamento requer monitoramento regular, principalmente por causa de possíveis alterações na pressão arterial e na função hepática. A hipertensão pode surgir até mesmo em pessoas que não apresentavam o problema antes de iniciar a medicação, enquanto alterações no fígado podem ser identificadas por exames de sangue periódicos. “Também pode aumentar o risco de sangramento, o que merece atenção da pessoa que já tem predisposição a isso.

      Outra mudança envolve o trastuzumabe, medicamento já utilizado no tratamento de determinados tumores de mama e que agora passa a contemplar também casos específicos de câncer de estômago e da junção entre o estômago e o esôfago. A indicação está relacionada à presença de uma proteína chamada HER2, cuja amplificação ocorre em uma parcela dos tumores gástricos. Braghiroli explica que a eficácia do medicamento nesse contexto começou a ser investigada em estudos publicados há mais de uma década.

    “O trastuzumabe foi utilizado inicialmente para o tratamento de tumores de mama que tinham amplificação de uma proteína chamada HER2. ”  Desde então, o trastuzumabe passou a ser aprovado, em combinação com a quimioterapia, para tumores específicos que apresentam essa característica molecular. A pesquisa também avança na avaliação de novas combinações terapêuticas.

    Um estudo publicado em 2023 mostrou o benefício de se associar imunoterapia a esta combinação. Este ano, outras drogas com o mesmo alvo já se mostram superiores. “Hoje existem alguns avanços nesse cenário como a eventual adição da imunoterapia e outras drogas com este mesmo alvo, que têm sido estudadas.

    Para o SUS, é um avanço, já que essa medicação já é de eficácia comprovada há certo tempo”, afirma a médica. Quais são os nove medicamentos incorporados ao SUS? A lista divulgada pelo Ministério da Saúde reúne tratamentos para diferentes tipos de câncer, com indicações que dependem das características do tumor e do estágio da doença: O SUS amplia o acesso ao tratamento oncológico com nove medicamentos destinados a diferentes tipos de câncer.

    – Crédito: Imagem gerada por IA Trastuzumabe: indicado para câncer de estômago ou da junção esofagogástrica. Abemaciclibe: utilizado no tratamento do câncer de mama em estágio inicial ou avançado. Acetato de lanreotida: indicado para determinados tumores neuroendócrinos.

    Pazopanibe: voltado ao câncer renal metastático de células claras. Rituximabe: empregado no tratamento da leucemia linfocítica crônica e de determinados linfomas. Abiraterona: indicada para câncer de próstata resistente ou sensível à castração.

    Gefitinibe: utilizado como tratamento inicial de determinados casos de câncer de pulmão de células não pequenas. TSH recombinante: empregado na preparação de pacientes com câncer diferenciado de tireoide para tratamento com iodo radioativo. Sunitinibe: indicado para câncer renal metastático e tumores estromais gastrointestinais (GIST) avançados.

    Bloqueio hormonal avançado contra o câncer de próstata A abiraterona atua sobre um dos principais mecanismos envolvidos na progressão do câncer de próstata : o estímulo hormonal. Como a testosterona favorece o crescimento de muitas dessas células tumorais, reduzir sua produção pode ajudar a controlar a doença. “A abiraterona reduz a produção deste hormônio pelo organismo, inclusive nos locais em que não são completamente bloqueados pelos tratamentos hormonais convencionais.

    ” Segundo a especialista, o medicamento costuma ser utilizado quando o bloqueio hormonal convencional deixa de controlar adequadamente a doença. Seu emprego nesse cenário já está bem estabelecido na prática clínica. “Esse tratamento geralmente é utilizado quando as formas de bloqueio hormonal convencional já falharam.

    É uma medicação que tem também um uso já muito bem estabelecido nesse contexto”. A abiraterona reduz a produção de testosterona, ajudando a controlar o câncer de próstata, especialmente quando tratamentos hormonais convencionais deixam de apresentar resultados satisfatórios no controle da doença. – Crédito: Imagem gerada por IA Exames ajudam a definir quais pacientes podem receber os medicamentos Nem todos os tratamentos da lista são adequados para qualquer pessoa com determinado tipo de câncer.

    Em alguns casos, a indicação depende da identificação de alterações genéticas ou de proteínas específicas nas células tumorais, o que torna os exames laboratoriais parte fundamental da decisão terapêutica. É o caso do gefitinibe, utilizado contra determinados tumores de pulmão. Embora seja uma opção estabelecida há anos, o medicamento é indicado somente quando o tumor apresenta uma alteração no gene EGFR, que pode torná-lo sensível à terapia.

    “Trata-se de um medicamento que tem seu papel bem estabelecido há algum tempo.   A identificação dessa alteração é feita por meio de um teste molecular realizado em uma amostra do tumor coletada durante a investigação diagnóstica. O resultado ajuda a determinar se o gefitinibe é uma opção adequada para aquele paciente.

    SUS também amplia rastreamento do câncer de intestino Além da oferta de medicamentos, o Ministério da Saúde começou a distribuir 400 mil testes imunoquímicos fecais para estados e capitais brasileiras. A iniciativa integra a ampliação das ações de prevenção e diagnóstico precoce do câncer de intestino. O rastreamento é voltado a homens e mulheres de 50 a 75 anos e busca identificar sinais que justifiquem uma investigação complementar.

    O teste detecta pequenas quantidades de sangue nas fezes, mesmo quando não são visíveis a olho nu. Esse sinal pode estar associado a pólipos – lesões que, em alguns casos, podem evoluir para câncer – ou a tumores já existentes. A identificação precoce permite encaminhar os pacientes para exames complementares e, quando necessário, iniciar o tratamento.

    Entre as estratégias de rastreamento estão a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, exame que permite visualizar o interior do intestino e retirar determinados pólipos. “Diversas sociedades médicas, tanto nacionais quanto internacionais, recomendam o rastreamento para o câncer de intestino, porque é uma estratégia capaz de prevenir o desenvolvimento da doença por meio da retirada do pólipo. Existem algumas formas de rastreamento, como a colonoscopia e a pesquisa de sangue oculto nas fezes”, explica a médica.

    O SUS também amplia o rastreamento do câncer de intestino, com distribuição de 400 mil testes para diagnóstico precoce. – Crédito: Imagem gerada por IA O teste imunoquímico fecal funciona como uma etapa inicial dessa investigação. Quando o resultado é positivo, o paciente deve ser encaminhado para uma colonoscopia, que permite identificar a origem do sangramento e avaliar a presença de lesões que exijam tratamento.

    “O teste imunoquímico fecal é uma estratégia de rastreamento que tenta identificar quantidades pequenas de sangue nas fezes, mesmo quando não são visíveis aos nossos olhos. Se der positivo, o indivíduo é direcionado para a colonoscopia”, detalha Maria Ignez. Outras medidas também estão em andamento na rede pública.

    Entre elas, estão a implementação do rastreamento do câncer do colo do útero com testes de DNA e o custeio federal de cirurgias oncológicas videotorácicas, realizadas por meio de pequenas incisões. A técnica pode favorecer uma recuperação mais rápida em comparação com procedimentos que exigem cortes maiores. A ampliação dessas iniciativas, porém, depende de que a oferta de medicamentos, exames e procedimentos se traduza em atendimento efetivo.

    Garantir que os pacientes tenham acesso aos recursos indicados e consigam manter o acompanhamento ao longo de todas as etapas do tratamento continua sendo um dos principais desafios do SUS. O post Nove medicamentos contra o câncer chegam ao SUS; veja lista comentada por especialista apareceu primeiro em Olhar Digital . ]]>

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