SJX NEWS

    forbes.com.br

    Forbes Brasil

    SJXNEWS
    Forbes Brasil·23 de out., 18:53

    Novo Exame Detecta Quase 98% das Lesões do Câncer Renal Mais Comum

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. Uma nova técnica de imagem identificou 97,9% das lesões do carcinoma renal de células claras , o subtipo mais comum de câncer de rim . O resultado foi apresentado no 39º Congresso Anual da Associação Europeia de Medicina Nuclear (EANM’26), realizado em Viena, na Áustria.

    O estudo, conduzido por pesquisadores da Turquia, avaliou 68 pacientes e comparou duas modalidades de PET/CT , exame que combina imagens da atividade biológica dos tecidos com informações anatômicas. Enquanto a nova abordagem identificou 97,9% das lesões do carcinoma de células claras, o método comparativo detectou 47,1%. Esse subtipo representa cerca de 70% a 80% dos carcinomas de células renais.

    Apesar dos resultados promissores, a pesquisa ainda é preliminar. O estudo não demonstrou que o exame aumenta a sobrevida ou melhora os resultados do tratamento. Como funciona o exame Uma das modalidades mais utilizadas de PET/CT emprega o FDG, substância radioativa semelhante à glicose que ajuda a localizar células com alto consumo de açúcar.

    No câncer renal, porém, o método apresenta limitações: o FDG é eliminado pelos rins e se acumula na urina, o que pode dificultar a visualização dos tumores. Além disso, algumas lesões consomem pouca glicose. A nova técnica utiliza um radiotraçador que se liga a uma proteína encontrada em grandes quantidades na superfície das células do carcinoma renal de células claras, mas em níveis menores no tecido renal saudável.

    Esse alvo biológico permite destacar as regiões afetadas. Segundo Esra Arslan, pesquisadora da Universidade de Ciências da Saúde da Turquia e uma das responsáveis pelo estudo, a abordagem busca reconhecer o tumor por meio de uma característica molecular mais específica. Nos exames, a captação do novo radiotraçador nas lesões foi aproximadamente cinco vezes maior que a observada com o FDG.

    O contraste entre os tumores e os tecidos ao redor também foi cerca de dez vezes superior. Identificação de metástases Os pesquisadores avaliaram 492 lesões consideradas verdadeiras, incluindo tumores e focos da doença em outras regiões do corpo. Considerando todos os subtipos de carcinoma renal analisados, o novo exame identificou 90,9% das lesões, contra 56,7% com o FDG.

    A tecnologia também apresentou resultados superiores na identificação de metástases. Na amostra, detectou todas as lesões cerebrais e pulmonares consideradas verdadeiras. Nos pulmões, o FDG identificou aproximadamente metade das metástases.

    Nos linfonodos, o novo método detectou 95% das lesões, ante 68,9% do exame comparativo. O fígado foi uma exceção: nesse órgão, considerando todos os subtipos estudados, o FDG teve melhor desempenho. Segundo os pesquisadores, alguns tumores podem apresentar níveis mais baixos da proteína utilizada como alvo pela nova técnica.

    A identificação de lesões adicionais pode influenciar o estadiamento do câncer e as decisões médicas. No estudo, o novo exame provocou mudanças no estadiamento ou na conduta clínica de 30,9% dos pacientes, contra 5,9% com o FDG. Entre as alterações estavam a descoberta de metástases desconhecidas, a identificação de recorrências e a detecção de tumores que permaneceram após o tratamento.

    Em três pacientes, a nova abordagem também descartou achados considerados positivos pelo FDG, evitando intervenções desnecessárias, segundo os pesquisadores. Detectar mais lesões, no entanto, não significa necessariamente que o tratamento será mais eficaz ou que os pacientes viverão mais. Essa possibilidade ainda precisa ser estudada.

    Quando o exame poderá ser utilizado? A nova tecnologia ainda não pode substituir os métodos de imagem recomendados para o câncer renal. As diretrizes da Associação Europeia de Urologia indicam principalmente a tomografia computadorizada com contraste para avaliar os tumores e a extensão da doença.

    A ressonância magnética também pode ser utilizada em situações específicas. O PET com FDG, usado como comparação na pesquisa, não é recomendado rotineiramente para o estadiamento inicial do câncer renal. Portanto, os resultados não comprovam que a nova técnica seja superior à tomografia ou à ressonância.

    Os pesquisadores apontam três possíveis aplicações futuras: avaliar a extensão do câncer antes de uma cirurgia, investigar suspeitas de retorno da doença e identificar pacientes que poderiam se beneficiar de terapias direcionadas à proteína detectada pelo exame. Essa última possibilidade se relaciona à teranóstica, estratégia que combina diagnóstico e tratamento a partir do mesmo alvo molecular. Nesse cenário, o exame poderia ajudar a selecionar pacientes para terapias com substâncias radioativas direcionadas às células tumorais.

    Essa aplicação ainda está em investigação e não constitui um tratamento comprovado para esses pacientes. Antes de incorporar a tecnologia à prática clínica, serão necessários estudos maiores para confirmar os resultados, avaliar a segurança e verificar se o exame melhora a evolução da doença. Também será preciso investigar seu desempenho nos diferentes subtipos de câncer renal.

    Por enquanto, os resultados indicam potencial para melhorar a visualização de determinados tumores e metástases, mas não alteram imediatamente as práticas atuais de diagnóstico e tratamento. O post Novo Exame Detecta Quase 98% das Lesões do Câncer Renal Mais Comum apareceu primeiro em Forbes Brasil . ]]>

    Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.

    Leia a matéria completa em Forbes Brasil →