Nunes Marques critica decisão de Zanin de prorrogar votação e alerta para ‘hiperjudicialização’
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) , ministro Kassio Nunes Marques, encerrou oficialmente o segundo turno das eleições 2026 neste domingo, 25, com um discurso em que confirmou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante o pronunciamento, Nunes Marques também criticou os efeitos da decisão que prorrogou o horário de votação e chamou atenção para a “hiperjudicialização” da disputa política. + Saiba mais sobre Política em Oeste “Finalmente, chegamos ao encerramento da apuração”, afirmou Nunes Marques.
Com 99,9% dos votos válidos e mais de 64 milhões de votos, Lula foi declarado reeleito para o mandato que começa em 5 de janeiro de 2027. Nunes Marques telefonou para Lula e Flávio Bolsonaro O presidente do TSE informou que telefonou para os dois candidatos que chegaram ao segundo turno para confirmar o resultado da eleição. Ao candidato derrotado, Nunes Marques destacou a votação obtida em sua primeira disputa pela Presidência da República.
Ao presidente Lula, o ministro registrou o reconhecimento da Justiça Eleitoral pela vitória e lembrou a trajetória do petista em disputas presidenciais. O ministro também parabenizou os seis novos governadores eleitos no segundo turno. Depois das mensagens aos candidatos, Nunes Marques direcionou o discurso aos eleitores.
“Esta noite, todavia, não pertence apenas às chapas eleitas", disse. ” Nunes Marques critica decisão que prorrogou votação Um dos principais pontos do pronunciamento foi a decisão judicial que prorrogou o horário de votação. Nunes Marques afirmou que a liminar, proferida depois do horário previsto para o encerramento, “gerou dificuldades ao processo eleitoral”.
O ministro relatou que recebeu o pedido de prorrogação por volta das 15h30 e buscou informações técnicas com o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), prefeituras e equipes do próprio TSE. Segundo Nunes Marques, não havia norma que autorizasse a medida e nunca havia ocorrido uma prorrogação do horário de votação na história do tribunal. O presidente da Corte afirmou ainda que não seria possível, em poucas horas, ter certeza de que a mudança não provocaria efeitos colaterais, especialmente sobre os sistemas tecnológicos da eleição.
Nunes Marques disse que os sistemas e as rotinas de apuração precisaram ser reestruturados. Segundo ele, a situação também acrescentou tensão às seções eleitorais e exigiu reforço na segurança de servidores e mesários. Quando a decisão foi proferida, milhares de urnas já estavam encerradas e, por programação, não poderiam ser reabertas.
O TSE decidiu então bloquear o recebimento dos boletins de urna para impedir que os resultados fossem conhecidos enquanto ainda havia votação em andamento. O bloqueio provocou, segundo Nunes Marques, “a maior fila de boletins de urna já registrada”, sem que o tribunal soubesse naquele momento se teria capacidade para manter tamanho volume de dados aguardando processamento. “Somente por este fato poderia ter havido comprometimento de toda a eleição brasileira”, afirmou.
Apesar da instabilidade, o ministro disse que as medidas adotadas e o trabalho dos técnicos permitiram o avanço da apuração. Abstenção caiu no segundo turno Nunes Marques também apresentou um balanço da participação dos eleitores. Dos mais de 158 milhões de brasileiros aptos a votar, mais de 128 milhões compareceram às urnas.
A abstenção ficou em 19,21%, abaixo dos cerca de 21,08% registrados no primeiro turno. O presidente do TSE relacionou o número às discussões sobre dificuldades de deslocamento de eleitores registradas no dia da votação. “Esse número é especialmente importante nesta eleição, em que muito se falou sobre a suposta dificuldade do eleitor votar”, afirmou.
Nunes Marques destacou que a Justiça Eleitoral mantém mais de 95 mil locais de votação distribuídos pelo país para reduzir os deslocamentos. Reconheceu, contudo, que podem existir dificuldades pontuais, especialmente em grandes cidades e áreas rurais. 551 precisaram ser substituídas, o equivalente a 0,31% do total.
Presidente do TSE fala em "hiperjudicialização" Outro ponto destacado pelo presidente do TSE foi o volume de ações apresentadas durante a campanha eleitoral. 265 processos originários referentes às eleições de 2026. Desse total, 827 foram representações e 446, pedidos de direito de resposta.
“A hiperjudicialização da disputa política produz consequências inevitáveis para o tempo de resposta jurisdicional”, afirmou. O ministro ressaltou que cada processo exige análise, contraditório, fundamentação e, quando necessário, apreciação pelo colegiado. “A celeridade é indispensável em matéria eleitoral, mas celeridade não pode se sobrepor à adequada prestação jurisdicional”, declarou.
Segundo Nunes Marques, um dos desafios para as próximas eleições será racionalizar os procedimentos e oferecer respostas mais rápidas sem abrir mão das garantias do devido processo legal. O post Nunes Marques critica decisão de Zanin de prorrogar votação e alerta para ‘hiperjudicialização’ apareceu primeiro em Revista Oeste . ]]>
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