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    Forbes Brasil·28 de out., 08:00

    O Carro Que Ajuda a Porsche a Vender Menos e Ganhar Mais

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. A Porsche encerrou os primeiros nove meses de 2026 vendendo menos carros , mas encontrou no 911 uma pista de como pretende recuperar a rentabilidade perdida nos últimos anos. 217 carros.

    Na prática, quase um em cada quatro Porsche entregues no período foi um 911. O desempenho encaixa-se justamente na estratégia que a companhia passou a chamar de “Value over Volume”: vender menos não é necessariamente um problema se cada automóvel deixar mais dinheiro no caixa. Nos primeiros nove meses, as vendas de veículos recuaram 11,1%, mas a receita automotiva caiu menos, 7,1%.

    Ao mesmo tempo, o valor médio por veículo avançou de € 120 mil para € 126 mil. A própria Porsche atribui parte dessa diferença à disciplina de preços e a um mix mais favorável de produtos. É aí que o 911 ganha importância maior do que seu volume sugere.

    A Porsche destaca que uma parcela elevada das vendas está concentrada em versões GTS, Turbo e GT — derivações mais exclusivas e caras. O 911 também é tratado por analistas como um dos produtos de maior margem da fabricante. A estratégia apresentada aos investidores prevê justamente ampliar modelos de maior valor e multiplicar a receita obtida com personalização.

    Quanto mais exclusivo, melhor A margem não termina no preço de tabela. O 911 é um dos exemplos mais claros de como uma montadora de luxo consegue elevar o valor de cada venda por meio dos opcionais. No novo Turbo S, por exemplo, a Porsche Exclusive Manufaktur oferece mais de 100 cores pelo programa Paint to Sample, além de rodas específicas com componentes de carbono, teto de fibra de carbono, entradas de ar no mesmo material, lanternas diferenciadas, gravações, costuras, revestimentos de couro e até chave personalizada.

    Há ainda um cronógrafo Porsche Design configurado para combinar com o carro. Não significa que todo acessório se converta diretamente em lucro na mesma proporção, mas a lógica é especialmente atraente para uma marca como a Porsche: adicionar personalização permite aumentar o tíquete de um automóvel sem a necessidade de aumentar na mesma escala sua produção. E o grupo pretende levar isso adiante.

    Em sua estratégia de recuperação, estabeleceu como objetivo multiplicar por seis a receita de customização. O fenômeno também aparece no Brasil. Segundo dados da Fenabrave, o 911 acumulou 845 emplacamentos entre janeiro e setembro de 2026, o equivalente a quase 40% de todo o mercado brasileiro de carros esportivos no período.

    O resultado é particularmente relevante porque o 911 não cumpre o papel normalmente reservado aos modelos de maior volume. Ele não precisa ser o Porsche mais vendido para ser essencial ao negócio. Além de sustentar a imagem da marca, permite trabalhar versões cada vez mais específicas, preços elevados e um catálogo extenso de personalização.

    Vender ativos para voltar ao essencial A outra metade da estratégia está fora das concessionárias. A Porsche também está reduzindo o dinheiro e a estrutura dedicados a atividades que considera menos centrais. Em setembro, concluiu a venda das participações na Bugatti Rimac e no Rimac Group.

    A operação gerou entrada de caixa de € 984 milhões e um ganho de € 593 milhões no resultado financeiro. O efeito aparece diretamente no balanço. O fluxo de caixa líquido da divisão automotiva subiu de € 1,34 bilhão para € 2,50 bilhões nos primeiros nove meses de 2026, enquanto a margem de caixa avançou de 5,6% para 11,3%.

    A liquidez líquida automotiva chegou a € 8,23 bilhões. A apresentação aos investidores mostra que mais de € 900 milhões do fluxo de caixa vieram justamente da saída de Bugatti Rimac e Rimac Group. Outro ativo colocado na mesa foi a consultoria MHP.

    A Porsche fechou em agosto um acordo para vender a subsidiária à Tata Consultancy Services, embora a transação ainda dependa das condições necessárias para conclusão. O movimento não é apenas uma busca emergencial por caixa. A companhia quer reduzir a necessidade de capital em negócios periféricos, simplificar sua estrutura e concentrar investimentos no automóvel.

    Na frente de tecnologia, a nova orientação também privilegia parcerias e licenciamentos em vez de manter toda a cadeia sob propriedade direta. Lucro volta, mas comparação exige cuidado Os primeiros sinais financeiros são positivos. A receita do grupo caiu 5,9% nos nove primeiros meses, de € 26,86 bilhões para € 25,28 bilhões.

    Ainda assim, o lucro operacional saltou de apenas € 40 milhões para € 1,74 bilhão, e a margem operacional passou de 0,2% para 6,9%. Parte importante desse salto ocorre porque 2025 carregava € 2,7 bilhões em despesas relacionadas à reestruturação. Neste ano, esses gastos ficaram em aproximadamente € 500 milhões.

    Portanto, a recuperação não pode ser atribuída apenas à melhora das vendas ou do mix de carros. Mesmo assim, há sinais de que o novo modelo está começando a aparecer nas contas. O avanço do preço médio por carro e a procura por versões mais caras ocorreram justamente enquanto o volume encolheu.

    A Porsche não está sozinha. Montadoras premium vêm aceitando perder participação de mercado para preservar preço e margem, principalmente diante da pressão das fabricantes chinesas. A Mercedes-Benz já adotou explicitamente a mesma filosofia de “valor sobre volume” na China.

    A BMW, por sua vez, planeja concentrar naquele mercado a importação de modelos com as maiores margens. A China ajuda a explicar a urgência. Fabricantes locais avançaram sobre segmentos antes dominados pelas europeias oferecendo tecnologia e equipamentos a preços inferiores, comprimindo o poder de precificação das marcas tradicionais.

    A própria Porsche admite que o ambiente para carros de luxo no país continua difícil. Para 2026, a empresa mantém previsão de receita entre € 35 bilhões e € 36 bilhões e margem operacional de 5,5% a 7,5%. Nesse cenário, o 911 deixa de ser apenas o carro que representa a história da Porsche.

    Ele resume a companhia que Michael Leiters, o CEO da marca que assumiu no começo do ano, tenta construir: menor, mais seletiva e capaz de cobrar mais por aquilo que seus clientes realmente desejam. Em vez de perseguir cada venda, a prioridade passa a ser fazer cada Porsche vendido valer mais. O post O Carro Que Ajuda a Porsche a Vender Menos e Ganhar Mais apareceu primeiro em Forbes Brasil .

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