O clima e os planos do STF para o pós-eleição
Os próximos meses deverão ser marcados por discursos de pacificação no Supremo Tribunal Federal (STF) . Pelo menos essa é a impressão que a ala majoritária da Corte pretende transmitir com o encerramento da eleição presidencial. Nos bastidores, porém, os ministros já fazem planos para 2027, quando esperam encontrar condições políticas mais favoráveis para "colocar as garras de fora", disse uma fonte à coluna.
Conforme apurou Oeste , a vitória de Lula foi recebida com satisfação por integrantes do STF, que enxergam na continuidade do petista no Palácio do Planalto uma oportunidade de preservar a influência conquistada nos últimos sete anos. A avaliação é de que o resultado também dificulta uma eventual articulação política destinada a limitar os poderes da Corte ou a promover o impeachment de seus integrantes. O entusiasmo, contudo, não apagou as preocupações deixadas pelo primeiro turno.
O fortalecimento da direita no Senado, especialmente entre parlamentares críticos ao Supremo, foi recebido com atenção pelos ministros. A nova composição da Casa poderá aumentar a pressão sobre o tribunal, inclusive por meio de pedidos de impeachment. A permanência de Lula no governo é vista como um contrapeso, mas não elimina o receio de que o Senado se torne um foco de resistência à Corte.
Por isso, a eleição para a presidência do Senado, em fevereiro de 2027, tornou-se uma das principais preocupações da ala majoritária. Os ministros desejam que Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) preserve sua influência sobre o comando da Casa e consiga manter um aliado na presidência. O senador amapaense construiu uma relação próxima com integrantes do Supremo, que o consideram um interlocutor importante para conter eventual cerco ao tribunal.
A preocupação tem razões práticas. Cabe ao Senado aprovar os nomes indicados à Corte e processar e julgar ministros por crimes de responsabilidade. A escolha do próximo presidente da Casa poderá, portanto, influenciar tanto o destino dos pedidos de impeachment quanto a renovação do próprio STF.
As futuras nomeações, aliás, já movimentam conversas reservadas. Até 2030, Lula poderá escolher quatro integrantes do tribunal, considerando a cadeira atualmente vaga e as aposentadorias previstas. A ala majoritária pretende influenciar essas indicações para preservar a orientação predominante na Corte, numa articulação cujos efeitos poderão ultrapassar o mandato do petista.
Entre os nomes cogitados para a primeira vaga está o do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG). v=LdkkvR9Qcyk Alvos na mira do STF O discurso de pacificação deve servir apenas para ganhar tempo. Segundo relatos obtidos pela coluna, a intenção de integrantes da ala majoritária nunca foi abandonar os confrontos, mas esperar o momento político mais conveniente para retomá-los.
Nos bastidores, fontes descrevem um desejo de revanche contra antigos desafetos, que poderá ganhar força em 2027, quando os ministros esperam encontrar um ambiente mais favorável para acertar contas. Entre os personagens mencionados está o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Derrotado na disputa presidencial, ele se aproxima do fim do mandato e é investigado em dois procedimentos no Supremo.
Um deles apura suspeitas de irregularidades no financiamento do filme Dark Horse , sobre Jair Bolsonaro; o outro trata de possíveis crimes de lavagem de dinheiro relacionados ao advogado Willer Tomaz. A saída do Senado poderá alterar sua situação processual, embora a manutenção dos casos no STF dependa das regras de competência aplicáveis. A atenção da ala majoritária também estará voltada para dois colegas de tribunal: o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Nunes Marques, e seu vice, André Mendonça.
O primeiro procurou conduzir as eleições com o máximo de imparcialidade, evitando transformar a Justiça Eleitoral em instrumento de disputa política. Conforme apurou a coluna, essa postura desagradou a ministros do Supremo. A situação de Mendonça é ainda mais delicada.
Responsável pela relatoria das investigações sobre o Master e as fraudes no INSS, o magistrado entrou em rota de colisão com integrantes da Corte, especialmente em razão dos desdobramentos do caso do banco. A disputa sobre a condução dos procedimentos tornou públicas divergências que antes permaneciam restritas às conversas entre ministros. De acordo com fontes, tanto Mendonça quanto Nunes Marques poderão enfrentar novas pressões da ala majoritária, mesmo durante a temporada de aparente conciliação.
A direita saiu fortalecida das eleições legislativas, mas a vitória de Lula ofereceu à maioria do STF razões para encarar o futuro com tranquilidade. A intenção, por enquanto, é transmitir uma imagem de moderação, enquanto o governo se reorganiza, o Senado define seu comando e os ministros calculam os próximos movimentos. A revanche descrita nos bastidores não teria sido abandonada, apenas adiada para um momento considerado politicamente mais conveniente.
Leia também: "O triunfo da malandragem" , artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 346 da Revista Oeste O post O clima e os planos do STF para o pós-eleição apareceu primeiro em Revista Oeste . ]]>
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