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    Forbes Brasil·29 de set., 08:00

    O Que Falta Ao Paraná para Ir Além da Força do Agronegócio

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. O Paraná é a 4° maior economia do país e seu PIB nominal registrou R$ 670,92 bilhões segundo dados consolidados de 2023 do IBGE. O estado cresceu 4,3%, acima da média do Brasil de 3,2%, no mesmo período e liderou o ranking do Sul na frente dos outros dois estados.

    O Agronegócio é o principal motor desse crescimento e a região paranaense responde por 9,9% de toda a produção agropecuária do Brasil, figurando como a 3ª maior força agrícola do país de acordo com informações do Sistema de Contas Regionais.   O professor Auberth Venson, do departamento de economia da Universidade Estadual de Londrina, detalhou o período desse crescimento e os setores, a partir de informações do IPARDES (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social). “O Paraná tem tido uma trajetória de crescimento pós-pandemia.

    ”  Ainda que, lidando com um dos cases de sucesso do Brasil, o futuro gestor público do estado terá alguns desafios, segundo especialistas ouvidos pela Forbes. Na lista de questões críticas para o Paraná estão: a dependência do agronegócio, o desenvolvimento da indústria e a retenção de talentos e mão de obra. O primeiro desafio: a dependência do agronegócio    Os números mostram que apesar dos bons números, a economia paranaense depende do agronegócio.

    O setor responde por 11,1% do PIB estadual. “Com o nosso crescimento atual muito atrelado a um setor específico, nós também ficamos expostos aos eventos climáticos”, diz Venson. Projeções do El Niño para esse ano, por exemplo, indicam chuvas acima da média e altas temperaturas no estado, o que pode prejudicar os resultados do agro.

    A economia paranaense reúne um complexo agroindustrial, com setores fortemente ligados ao crescimento da agropecuária e também sensíveis às condições macroeconômicas. O setor da madeira é um exemplo. Na esteira das tarifas impostas pelos Estados Unidos, os produtores foram altamente prejudicado com a sobretaxa.

    Marcelo Percicotti, gerente de Desenvolvimento Industrial e Social da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), chama atenção para o tamanho dessa influência. 294 produtos com potencial de exportação. 82% já tem algum tipo de tarifa adicional indicada.

    ” Para arrefecer esse choque, o futuro gestor público pode seguir alguns caminhos, sugere o gerente da Fiep. “O Governo do Estado pode colaborar com estratégias para abrir novos mercados, pode ajudar em financiamentos e em benefícios tributários”, diz Percicotti.   Para Venson, a preparação exige canalizar investimentos estaduais rumo a vertentes menos suscetíveis a choques de commodities e ao clima, reduzindo a volatilidade do PIB local.

    “Nós precisamos de preparação do setor para essa disrupção e de uma diversificação econômica para que esse impacto não seja tão grande para a economia do Estado como um todo”, diz o professor da UEL. Essa transição passa por reforçar áreas que enfrentam estagnação como a indústria de transformação e o segmento de tecnologia da informação e comunicação.   Segundo dados da Sondagem Industrial da Fiep, mais de 60% dos empresários industriais do estado declaram intenção de investir na melhoria de processos, digitalização e inteligência artificial.

    Entretanto, o avanço tecnológico esbarra na conjuntura macroeconômica e no custo do capital. “A indústria do Paraná precisa se manter competitiva, mas o que nós temos como desafio é o acesso a essas tecnologias.   Para contornar a situação, a atuação de bancos públicos de fomento, como a Fomento Paraná e o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), surge como instrumento estratégico de subsídio e atração de investimento fabril.

    A instabilidade no fornecimento de energia prejudica diretamente a expansão de unidades automatizadas, que demandam sistemas elétricos contínuos e isso, segundo Percicotti, atinge o hub logístico do estado “Quanto mais automatizada estiver a empresa, mais sensíveis são os equipamentos e sensores, e oscilações bruscas acabam gerando danos severos”, diz. O especialista também defendeu a agenda de investimentos multimodais e rodovias e ferrovias. “A indústria do Paraná tem usado muito a diversidade dos portos de Santa Catarina porque não é só uma questão de ampliar a eficiência do Porto de Paranaguá, mas de como você chega até ele”, analisou.

      Embora a taxa de desocupação de 3,1% projete um cenário de pleno emprego, a realidade do chão de fábrica e dos serviços é de escassez crônica de pessoal em todos os níveis funcionais, situação agravada pelo envelhecimento da pirâmide demográfica. “Hoje a dificuldade é de pessoas, independente de ter ou não qualificação”, diz Percicotti.   Indicadores coletados pelo Instituto de Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) mostram que a probabilidade de um jovem no Paraná concluir o ensino superior é de apenas 2,36%, caindo para 1,55% em polos industriais relevantes como Ponta Grossa.

    Essa fragilidade no capital humano limita a ascensão social no interior e restringe a capacidade das empresas de absorver inovação tecnológica. A elevação do padrão de vida da população paranaense e a atração sustentável de indústrias exigirão da próxima gestão prioridade absoluta em capital humano e desburocratização. “Sempre que eu falo de desenvolvimento econômico, falo em melhoria de condições de vida das pessoas a longo prazo, e para isso tem que ter investimento em educação e saúde.

    Os pilares principais para manter a atração de investimentos são educação, infraestrutura e diminuição da burocracia”, diz Venson ao projetar o futuro econômico do estado. O post O Que Falta Ao Paraná para Ir Além da Força do Agronegócio apareceu primeiro em Forbes Brasil . ]]>

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