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    O que faz o look parecer caro? Zendaya e Taís Araújo redefinem luxo
    CNN Brasil·07 de nov., 12:00

    O que faz o look parecer caro? Zendaya e Taís Araújo redefinem luxo

    Uma produção sofisticada não depende necessariamente de uma etiqueta famosa, de acessórios com logotipos aparentes ou de roupas que custam milhares de reais. Na moda contemporânea, a percepção de elegância passa por outros elementos: qualidade dos tecidos, precisão do caimento, harmonia das proporções e, principalmente, a identidade de quem veste. Essa transformação pode ser observada nas escolhas de imagem de artistas como Zendaya , Rihanna e Taís Araújo , que demonstram diferentes maneiras de interpretar a sofisticação.

    Leia Mais Mariah Carey inicia temporada de Natal com vestido Gucci de R$ 105 mil Silvia Braz revive vestido icônico de Gisele Bündchen no Oscar da Moda Após Oscar do Instagram, brasileiras do Two Lost Kids lançam collab fashion Enquanto Zendaya aposta frequentemente em produções conceituais e experimentais, Rihanna construiu uma identidade fashion marcada pela ousadia e liberdade estética. Taís Araújo, por sua vez, transita entre referências clássicas, contemporâneas e produções de personalidade. Zendaya no Met Gala 2025 • Noam Galai/GC Images Mais do que seguir tendências ou vestir grandes grifes, essas artistas mostram como a moda também funciona como ferramenta de comunicação e construção de imagem.

    Rihanna durante CFDA Fashion Awards, no Museu Americano de História Natural, em Nova York, EUA • Sean Zanni/Patrick McMullan/GettyImages Para Maiara Kososki, PhD em Marketing, professora e consultora de marcas, compreender os novos códigos de elegância exige observar não apenas as roupas, mas também as mudanças no comportamento de consumo e na maneira como o luxo é percebido socialmente. “Durante muito tempo, a sofisticação esteve muito associada à demonstração de poder aquisitivo. Hoje, essa percepção está mais ampla.

    Uma peça não se torna elegante simplesmente porque custa caro ou carrega uma grife conhecida. Existe uma construção estética por trás disso, que envolve qualidade, proporção, acabamento e coerência com a identidade de quem está vestindo”, explica à CNN Brasil . Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Taís Araujo (@taisdeverdade) O que realmente faz uma produção parecer cara?

    No imaginário do mercado de luxo, preço elevado e sofisticação ainda aparecem frequentemente associados. Entretanto, os dois conceitos não são equivalentes. Uma peça de grife pode representar um investimento expressivo e, ainda assim, não funcionar bem em determinada composição ou não valorizar quem a veste.

    O caimento ocupa um papel fundamental nessa percepção. Ombros bem posicionados, comprimento adequado, proporções equilibradas e modelagem compatível com o corpo podem transformar completamente o resultado de uma produção. A qualidade do tecido, a estrutura da peça e os acabamentos também interferem na aparência e na experiência de uso.

    É justamente por isso que combinações aparentemente simples podem transmitir tanto refinamento. Uma camisa bem estruturada, uma calça de alfaiataria com corte preciso e acessórios escolhidos com intenção podem construir uma imagem sofisticada sem depender de símbolos explícitos de status. “Uma roupa precisa funcionar no corpo de quem a veste.

    Às vezes, vemos uma peça caríssima que não valoriza a silhueta ou não conversa com a personalidade daquela pessoa. Por outro lado, uma roupa mais acessível, quando tem boa modelagem, está bem conservada e foi escolhida com critério, pode transmitir muita sofisticação. O preço não substitui o olhar estético”, afirma Maiara.

    Zendaya, Rihanna e Taís Araújo: o que o estilo das artistas ensina sobre elegância? A influência das celebridades na moda continua expressiva, mas os critérios de reconhecimento de estilo estão cada vez mais relacionados à construção de uma identidade visual. Zendaya é um exemplo de como a moda pode ultrapassar a função estética e se transformar em narrativa.

    Suas produções frequentemente dialogam com referências cinematográficas, históricas e artísticas, mostrando que sofisticação também pode estar na experimentação e na criatividade. Zendaya em pré estreia de “A Odisseia” • Reprodução/Instagram Rihanna construiu uma imagem fashion que desafia convenções. A artista combina diferentes volumes, cores, texturas e referências, demonstrando que elegância não significa necessariamente discrição ou minimalismo.

    Rihanna exibe barrigão da terceira gravidez em look todo branco futurista • DUTCH/Bauer-Griffin/GC Images Já Taís Araújo representa uma referência brasileira de versatilidade. Suas escolhas transitam entre alfaiataria, produções marcantes e propostas contemporâneas, mostrando como diferentes linguagens podem coexistir em uma imagem pessoal consistente. Taís Araújo • Divulgação “Quando observamos essas mulheres, percebemos que não existe uma fórmula pronta.

    O que torna uma imagem interessante é a consistência. Elas não precisam simplesmente reproduzir uma tendência para serem reconhecidas pelo estilo. Existe uma assinatura visual, uma maneira particular de interpretar a moda.

    Isso é muito mais interessante do que apenas vestir aquilo que está em alta”, analisa a especialista. Por que ostentar marcas deixou de ser o único código de status? Durante décadas, logotipos aparentes, bolsas facilmente identificáveis e acessórios associados a grandes maisons foram importantes símbolos de reconhecimento social no universo do luxo.

    Entretanto, a discrição ganhou espaço nas discussões sobre sofisticação, especialmente com a popularização do conceito de quiet luxury, ou luxo silencioso. A estética valoriza materiais de qualidade, cortes precisos, acabamento refinado e menor exposição de marcas. Mais do que uma tendência visual, representa uma mudança na maneira como determinados consumidores desejam comunicar valor e exclusividade.

    Isso não significa que o luxo tenha abandonado a ostentação ou que peças marcantes tenham perdido relevância. O que acontece é uma ampliação dos códigos de reconhecimento. A sofisticação pode estar tanto em um acessório imediatamente reconhecido quanto em um detalhe de construção que passa despercebido para quem não observa a roupa de perto.

    “Existe uma mudança interessante na relação entre consumo e reconhecimento. Antes, muitas vezes, a marca precisava ser identificada para que o valor daquela peça fosse percebido. Hoje, cresce também a valorização de elementos menos óbvios, como a qualidade do material, o acabamento e a exclusividade de uma modelagem.

    O luxo não desaparece quando o logotipo deixa de aparecer. Ele pode estar justamente naquilo que não precisa ser anunciado”, explica Maiara. Estilo próprio em tempos de tendências aceleradas Com as redes sociais, o ciclo de tendências se tornou cada vez mais rápido.

    Uma estética pode ganhar popularidade mundial em poucos dias e perder espaço pouco tempo depois. Nesse cenário, desenvolver um estilo próprio também representa uma forma de estabelecer uma relação mais consciente com o consumo. A proposta não é abandonar as novidades, mas selecionar aquilo que realmente faz sentido para a personalidade, a rotina e as preferências de cada pessoa.

    Um guarda-roupa sofisticado não precisa ser numeroso, tampouco composto exclusivamente por peças básicas e atemporais. “Ter estilo não significa comprar tudo o que está em alta, nem construir um guarda-roupa inteiro de peças clássicas. Significa desenvolver repertório para fazer escolhas.

    Quando você entende quais cores, modelagens e proporções funcionam para sua identidade e sua rotina, deixa de depender tanto da aprovação externa e passa a consumir com mais intenção”, destaca. A conservação das peças, a versatilidade e a possibilidade de utilização por diferentes temporadas também entram nessa equação. No mercado de luxo, em que determinados produtos representam investimentos expressivos, qualidade e durabilidade podem fazer parte da percepção de valor.

    A sofisticação está na identidade As transformações na moda mostram que não existe uma fórmula única para definir elegância. Preço, tradição, exclusividade e discrição continuam participando dessa percepção, mas não determinam isoladamente o resultado. A sofisticação pode aparecer na precisão de uma modelagem, na escolha de um tecido, no equilíbrio de uma composição ou na maneira como alguém incorpora referências estéticas à própria identidade.

    Também pode estar em uma produção expressiva, que utiliza cores, volumes e acessórios para construir uma linguagem visual particular. “Para mim, a verdadeira sofisticação acontece quando a pessoa não parece estar fantasiada de alguém que gostaria de ser. Ela consegue incorporar referências, usar peças de qualidade e acompanhar a moda sem perder a própria essência.

    A roupa precisa comunicar quem você é, e não apenas quanto você pode pagar por ela”, conclui Maiara. Em um mercado no qual as tendências circulam com velocidade e a exposição digital amplia o acesso a diferentes referências, a elegância passa a ser discutida a partir de critérios mais diversos. Mais do que ostentar marcas, estar bem-vestido envolve qualidade, intenção, autenticidade e a capacidade de transformar a moda em uma expressão da própria identidade.

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