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    Forbes Brasil·27 de set., 08:00

    O Que Mudou nas Projeções Econômicas do Itaú para 2026 e 2027

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. O Brasil deve crescer 1,7% neste ano, segundo as novas projeções do Itaú . A estimativa ficou menor, mas a desaceleração não trouxe uma perspectiva mais confortável para a inflação .

    Para o próximo ano, o banco também reduziu a previsão de expansão do PIB e passou a esperar uma alta maior dos preços, num cenário mais cauteloso do que o do governo e o da mediana do mercado. No exterior, a atividade resiste melhor. Os investimentos em inteligência artificial ajudam a sustentar a economia americana, enquanto as exportações continuam dando suporte à China.

    O problema é que a guerra no Oriente Médio prolonga a pressão sobre a energia, e a inflação persistente leva o banco a prever mais aumentos de juros nos Estados Unidos e na Europa. Esse é o quadro apresentado nos relatórios de cenário macroeconômico para o Brasil e o mundo, divulgados na sexta-feira (25). Os documentos são produzidos pela equipe de Pesquisa Macroeconômica do Itaú, liderada pelo economista-chefe Diogo Guillen , identificado em ambos.

    As revisões mostram economias em momentos diferentes, mas expostas a alguns dos mesmos riscos: petróleo mais caro no curto prazo, dificuldades para controlar a inflação e juros que continuam pesando sobre o consumo e o investimento. Por que o Itaú reduziu a previsão para o PIB A projeção de crescimento do PIB brasileiro neste ano caiu de 1,9% para 1,7%. Para o próximo, a estimativa passou de 1,5% para 1,2%.

    A revisão começa na composição do resultado do segundo trimestre. Embora o crescimento agregado tenha ficado dentro do esperado pelo banco, serviços e indústria de transformação tiveram desempenho pior do que o previsto. A agropecuária compensou parte dessa fraqueza.

    Os sinais seguintes reforçaram a cautela. O acompanhamento do Itaú passou a indicar estabilidade do PIB no terceiro trimestre em relação aos três meses anteriores. Antes, o banco estimava uma pequena expansão.

    “Os indicadores divulgados para o 3T26 apontam para uma desaceleração da atividade mais intensa do que antecipávamos”, afirma o relatório brasileiro. O indicador de atividade do banco mostrou recuperação em agosto, mas os dados da primeira quinzena de setembro sugeriram nova perda de fôlego. A expectativa também ficou mais fraca para o último trimestre do ano.

    Para 2027, entram na conta tanto esse ponto de partida menos favorável quanto os efeitos acumulados dos juros elevados. Uma economia que encerra o ano em ritmo mais lento leva uma contribuição menor para o crescimento do período seguinte, o chamado carrego estatístico. Mesmo depois do corte na projeção, o Itaú considera que os riscos continuam concentrados em um resultado ainda mais fraco.

    A preocupação é com o impacto dos juros altos sobre famílias e empresas endividadas. O mercado de trabalho também começa a mostrar sinais mais claros de desaceleração. O banco manteve a previsão de desemprego em 5,7% no fim deste ano, mas elevou a estimativa para 6,2% no encerramento de 2027.

    Esses números consideram o ajuste sazonal próprio do Itaú. Um cenário mais cauteloso que o do governo e do mercado A distância entre as projeções do Itaú e as do governo é maior para o próximo ano. Enquanto o banco prevê desaceleração adicional, a equipe econômica federal ainda espera uma retomada do crescimento.

    No Boletim Macrofiscal divulgado em 22 de setembro, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda reduziu a previsão de expansão deste ano para 2%. Para 2027, cortou a estimativa para 2,3%. O governo aposta nos efeitos graduais da queda dos juros sobre o crédito e a demanda doméstica, além da expansão da indústria extrativa e das exportações associadas.

    O Itaú, por sua vez, dá mais peso aos efeitos acumulados da política monetária restritiva. Entre os dois cenários estão as medianas do Relatório Focus a pesquisa semanal do Banco Central . Os participantes projetavam crescimento de 1,88% neste ano.

    Para o próximo, a estimativa era de 1,43%. A pesquisa reúne previsões do mercado, não estimativas do próprio Banco Central. Inflação menor agora, mas com riscos adiante A projeção do Itaú para o IPCA deste ano permaneceu em 5,1%.

    Para 2027, porém, subiu de 4,4% para 4,6%. O relatório aponta um período mais favorável para a inflação no curto prazo, sustentado principalmente pelos bens industriais. Alimentos e serviços, por outro lado, já dão sinais de reaceleração, com preocupação maior para o último trimestre.

    Nos alimentos, o El Niño pode pressionar os preços de frutas, verduras e legumes. Segundo o banco, a reabertura das exportações de proteínas à China também aumenta a demanda e contribui para encarecer esses produtos no mercado doméstico. Parte dessa pressão chega aos serviços por meio da alimentação fora de casa.

    A revisão para o próximo ano tem uma explicação adicional: o fim das subvenções ao diesel e seu possível repasse aos consumidores. “A revisão decorre dos preços represados de combustíveis em 2026, que devem exercer pressão altista no ano seguinte, sob a hipótese de repasse do fim das subvenções ao diesel”, diz o documento. O Itaú espera queda do petróleo no mercado internacional, o que poderia aliviar os derivados.

    Mesmo assim, avalia que esse movimento não compensaria integralmente a retirada dos subsídios ao produtor. O clima adiciona incerteza. Um El Niño mais intenso pode afetar o plantio da soja e o regime de chuvas, com consequências também para a segunda safra de milho.

    As estimativas do banco superam as do governo, que espera IPCA de 4,9% neste ano. Para 2027, a Fazenda projeta 3,8%, após elevar sua previsão diante dos riscos climáticos para a produção agrícola. No Focus, a inflação prevista para este ano era de 4,92%.

    Para o próximo, a mediana estava em 4,30%. O petróleo continua no centro das revisões No cenário mundial, o Itaú manteve a previsão de Brent a US$ 80 por barril no encerramento deste ano. Para o fim de 2027, a estimativa continua em US$ 75.

    O que mudou foi o caminho até lá. O banco passou a considerar preços mais altos no curto prazo porque a guerra tem durado mais do que o esperado, sem sinais claros de resolução. Segundo o relatório, as conversas entre Estados Unidos e Irã seguem sem avanços.

    O bloqueio americano limita as exportações iranianas, enquanto ataques dos houthis afetam as vendas externas da Arábia Saudita. As restrições atingem também os derivados de petróleo e envolvem a Rússia. O banco cita ainda o risco de pressão adicional caso os Estados Unidos bloqueiem suas exportações de diesel.

    “Ainda assim, o risco é claramente de o conflito se prolongar e de preços mais altos no curto prazo, a despeito do balanço superavitário da commodity”, afirma o documento global. A previsão de recuo do petróleo até dezembro depende, portanto, de algum acordo que permita normalizar seu fluxo. A perspectiva de oferta superior à demanda não elimina os problemas de abastecimento provocados pelo conflito.

    Mais juros nos EUA e na Europa A persistência da inflação levou o Itaú a ampliar o aperto monetário esperado nos Estados Unidos . Depois da alta de setembro, o banco passou a prever novos aumentos pelo Federal Reserve , o banco central americano, em outubro e dezembro. Antes, esperava apenas mais uma elevação, em outubro.

    “Nos Estados Unidos, a inflação não converge e permanece muito acima da meta, com a atividade seguindo forte”, resume o relatório. A avaliação é que os dados não devem melhorar rápido o suficiente para justificar intervalos maiores entre as altas. O banco também vê integrantes do Fed inclinados a agir preventivamente, para evitar uma resposta tardia à inflação.

    Na Europa, o Itaú passou a projetar a taxa de depósito do Banco Central Europeu em 3% ao fim do ciclo de alta. A previsão anterior era de 2,5%. Os aumentos também são esperados para outubro e dezembro.

    O choque de energia mais prolongado explica a revisão. Segundo o banco, os derivados de petróleo mais caros devem manter a inflação europeia acima de 3% ao longo de 2027. Selic deve parar de cair neste ano No Brasil, o cenário do Itaú é de interrupção da queda dos juros.

    O banco manteve a previsão de que o Copom pause o ciclo com a Selic em 13,75% . Embora a desaceleração da atividade e os dados de inflação mais favoráveis no curto prazo possam abrir espaço para novos cortes, a instituição considera que o câmbio e os riscos para os preços no próximo ano recomendam cautela. Essa trajetória depende dos próximos dados.

    O relatório reconhece que a continuidade das reduções ganharia probabilidade caso o câmbio e as expectativas de inflação permanecessem próximos aos níveis observados na divulgação do documento. Para 2027, o Itaú espera a retomada dos cortes, com a Selic chegando a 12,50%. A projeção indica juros mais altos do que os esperados pela mediana do mercado.

    No Focus , a estimativa para o encerramento deste ano caiu para 13,50%. Para o fim de 2027, os participantes projetavam 12%. Inteligência artificial ajuda a sustentar a economia mundial Apesar dos juros mais altos, o Itaú manteve a previsão de expansão da economia mundial em 3,2% neste ano.

    Para o próximo, continua esperando crescimento de 3,4%. Nos Estados Unidos, a projeção para 2026 permanece em 2,4%. Os investimentos em inteligência artificial são uma das explicações para essa resistência: na avaliação do banco, eles seguem fortes e são relativamente menos sensíveis ao ciclo de juros.

    Outro suporte vem das famílias, cujo patrimônio permanece saudável, sustentado por níveis recordes de riqueza em ações. Para o próximo ano, o banco estima crescimento americano de 2,2%. Na zona do euro, houve uma revisão positiva para a atividade.

    A projeção de expansão deste ano subiu de 0,5% para 1%. O relatório aponta a expansão fiscal na Alemanha e a força do crescimento global como fatores de sustentação. Para 2027, a estimativa foi mantida em 1,2%.

    Na China, o cenário permaneceu inalterado, com crescimento de 4,7% neste ano. Para o próximo, a previsão é de 4,5%. As exportações chinesas se beneficiam da resistência da economia mundial e do ciclo de investimentos em IA.

    Esse desempenho reduz a urgência de novos estímulos à demanda doméstica, que continua fraca. “Enquanto as exportações seguirem resilientes, o foco continuará em fazer o mínimo necessário de estímulo para sustentar a atividade”, avalia o relatório. A recuperação perde força na América Latina Para a América Latina e o Caribe, o Itaú reduziu a previsão de crescimento deste ano para 2,1%.

    Antes, esperava 2,3%. A estimativa para 2027 também caiu, passando de 2,4% para 2,3%. O Chile sofreu uma das revisões mais fortes.

    A expansão esperada para este ano caiu de 0,9% para apenas 0,3%, diante de problemas de oferta, mercado de trabalho fraco, consumo lento e atrasos nos investimentos. Mesmo com a atividade perdendo força, a previsão de inflação chilena subiu para 4,7%. A desvalorização cambial e o petróleo mais caro ajudam a explicar essa combinação.

    Para o próximo ano, o Itaú espera recuperação apoiada em investimentos, preços elevados do cobre e dissipação dos choques de oferta. Na Argentina, a fragilidade do mercado de trabalho limita os gastos das famílias. O banco reduziu a projeção de crescimento deste ano para 2%, mas prevê uma recuperação moderada em 2027, apoiada pelas exportações de energia.

    O México apresenta melhora gradual, embora a demanda privada fraca e o espaço fiscal limitado restrinjam a recuperação. O Itaú espera crescimento de 1,4% neste ano. Já o Peru mantém uma demanda doméstica mais forte, com confiança empresarial e investimentos dando suporte à atividade.

    A expansão prevista para 2026 é de 3,3%, apesar dos riscos associados ao El Niño. Dólar e contas públicas seguem no radar O Itaú manteve a previsão de dólar a R$ 5,30 no encerramento deste ano. Para o fim de 2027, a estimativa permanece em R$ 5,50.

    O real teve desempenho melhor ao longo de setembro, favorecido pelos preços das exportações e por uma percepção mais positiva do risco local. Em sentido contrário, o

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