O que prepara uma empresa para o futuro?
Disponibilidade de água, relações com trabalhadores e comunidades, mudanças nas escolhas dos consumidores e confiança pública podem parecer assuntos distantes entre si. Para as empresas, porém, todos podem interferir na capacidade de produzir, vender e planejar os próximos anos. Como crescer sem separar os resultados do negócio dos efeitos que ele produz na sociedade é uma das questões tratadas na nova fase de Brew a Better World , estratégia global de sustentabilidade do Grupo HEINEKEN , chamada no Brasil de HEINEKEN Brinda um Mundo Melhor.
Os pilares – responsabilidade, social e ambiental – e o nome da estratégia inspiraram o evento realizado pela cervejaria em 24 de setembro, que reuniu executivos, especialistas e representantes de organizações sociais para refletirem juntos sobre o futuro dos negócios, reforçando também o conceito global da HEINEKEN Together We Can (“Juntos Podemos”, em tradução livre), que amplia a participação de parceiros e outros integrantes da cadeia de valor. A revisão das metas de sustentabilidade também se conectam à EverGreen 2030, estratégia de negócios do Grupo HEINEKEN para esta década, que reúne crescimento, produtividade e preparação da companhia para o futuro. Crescimento e impacto positivo na mesma estratégia Logo na abertura, Lígia Camargo, diretora de Sustentabilidade do Grupo HEINEKEN, aproximou dois assuntos que nortearam as conversas.
” No painel Future Fit, Sabina Deweik, futurista e caçadora de tendências, chamou a atenção para transformações que ocorrem simultaneamente. Ela citou inteligência artificial, biotecnologia, robótica, 5G e computação quântica e abordou mudanças nas expectativas sobre carreira, saúde mental, bem-estar e consumo. No setor de bebidas, relacionou esse comportamento a consumidores mais atentos à relação com o álcool e à procura por formas de socialização que preservem o bem-estar e a conexão entre as pessoas.
Rafael Rizzi, vice-presidente de Sustentabilidade e Assuntos Corporativos do Grupo HEINEKEN, levou a conversa para a gestão. Clima, comportamento do consumidor, relações de trabalho e transformações sociais chegam à operação e à cadeia de valor. “O impacto que causamos e o crescimento que precisamos ter como organização não andam separados.
Não podemos falar de crescimento e, depois, de como esse crescimento será sustentável. ” Cinthia Gherardi, CEO do Sistema B, e Cyntia Watanabe, gerente sênior de ESG, PR e Comunicação da C&A Brasil, também participaram da conversa. A discussão sobre o futuro dos negócios abriu caminho para outra questão: como transformar impacto social em parte da estratégia das empresas.
Marília Robles, gerente de Sustentabilidade do Grupo HEINEKEN, Mundano, artista urbano e ativista socioambiental, e Preto Zezé, presidente global da Central Única das Favelas (CUFA), discutiram como iniciativas sociais podem gerar oportunidades e produzir transformações que continuem para além dos próprios projetos. Para Preto Zezé, legado não se mede apenas pelos projetos realizados. “Talvez o maior legado não esteja nos projetos que construímos ou nas conquistas que acumulamos, mas na mudança que conseguimos gerar na vida das pessoas.
” As escolhas dos consumidores trouxeram outra dimensão para o debate. Renata Walter , gerente de consumo responsável do Grupo HEINEKEN, Viviane Varandas, da Toluna, a nutricionista e comunicadora Bianca Naves e Rafael Rizzi discutiram consumo responsável diante da busca por equilíbrio e de novas formas de relação com o álcool. O assunto se conecta diretamente à estratégia da companhia, que colocou a responsabilidade em maior destaque nas metas para 2030, enfatizando o papel das empresas em promover relações equilibradas e conscientes com seus produtos.
A programação chegou, por fim, a um desafio comum aos temas discutidos durante a manhã: nenhuma empresa responde sozinha a transformações dessa escala. Mahryan Sampaio, embaixadora da Juventude da ONU e comunicadora, Lígia Camargo, Gui Brammer, fundador da Uthope e idealizador do The Hope Economy, e a economista Célia Cruz discutiram o papel de ecossistemas e da colaboração na construção de soluções. Do futuro do trabalho ao impacto social, das novas escolhas de consumo à colaboração, as discussões convergiram para a mesma questão que orienta a estratégia apresentada pelo Grupo HEINEKEN: como incorporar esses desafios às decisões do negócio e gerar valor no longo prazo.
Consumo responsável ganha prioridade A nova fase da estratégia de sustentabilidade do Grupo HEINEKEN dá maior destaque à responsabilidade, frente que trata da relação dos consumidores com os produtos da companhia. A companhia afirma reconhecer os riscos associados ao consumo abusivo de álcool e o papel da indústria no incentivo à moderação e a escolhas responsáveis. A procura por equilíbrio e por alternativas para diferentes ocasiões abriu espaço para bebidas com baixo ou nenhum teor alcoólico.
Para a companhia, ampliar esse portfólio está ligado tanto às escolhas dos consumidores quanto ao compromisso com a moderação. Uma das metas globais para 2030 é aumentar em pelo menos 25%, em volume e na comparação com 2024, o portfólio de cervejas com baixo ou nenhum teor alcoólico. 0 também ganha mais presença na comunicação da marca.
0, alcançando mais de 1 bilhão de consumidores por ano com mensagens relacionadas à moderação. 0 deverá responder por 50% da visibilidade da marca. A estratégia mantém ainda parcerias anuais voltadas ao enfrentamento de danos relacionados ao consumo abusivo de bebidas alcoólicas em todos os mercados onde o grupo atua.
Do alcance ao impacto social Na frente social, há metas para as relações de trabalho e para a atuação nas comunidades. O Grupo HEINEKEN prevê que 100% dos empregados recebam ao menos um salário digno, com verificação contínua. A companhia informa que esse patamar é alcançado desde 2023.
Para cargos de liderança, o objetivo é chegar a 40% de mulheres; a participação feminina atingiu 30% em 2024. Outra meta para 2030 é beneficiar globalmente mais de 300 mil pessoas nas comunidades e na cadeia de valor, com foco em oportunidades econômicas, resiliência e coesão social. No Brasil, o Instituto HEINEKEN conduz essa agenda desde 2022, com iniciativas voltadas a catadores de materiais recicláveis, ambulantes e jovens em situação de vulnerabilidade social.
Ativos da Favela, realizado em parceria com a CUFA e a Favela Filmes, e a Casa do Futuro, desenvolvida em cooperação com o Senac São Paulo. Mais de 20 mil catadores e 19 mil ambulantes também já foram apoiados por projetos de inclusão social, cidadania e valorização do trabalho. Direitos humanos, remuneração igual para trabalho igual e condições seguras de vida e trabalho estão entre os fundamentos da estratégia.
A agenda inclui trabalhadores terceirizados e acrescenta o pertencimento às diretrizes sociais da companhia. Água entra na conta do negócio Na área ambiental, a água tem relação direta com a atividade de uma cervejaria. É usada na fabricação das bebidas, faz parte da produção agrícola que fornece ingredientes e é um recurso compartilhado nas regiões onde fábricas e fornecedores estão instalados.
Em locais sujeitos a estresse hídrico, sua disponibilidade pode afetar a continuidade da produção e a qualidade de vida de quem depende desse recurso. Entre as metas ambientais globais do Grupo HEINEKEN para 2030 está reduzir o consumo médio de água nas cervejarias localizadas em áreas de estresse hídrico para 2,4 hectolitros por hectolitro de cerveja produzido. No conjunto das operações, a meta é chegar a 2,6 hl/hl.
A companhia também mantém a meta de compensar integralmente a água utilizada nos produtos em áreas de estresse hídrico. Para os ingredientes agrícolas, a meta global prevê que lúpulo e cevada sejam provenientes de fontes sustentáveis. No Brasil, essa agenda já aparece em projetos ligados à operação.
Em Itu, no interior paulista, iniciativas combinam redução do escoamento superficial, aumento da infiltração da água no solo, recarga de aquíferos e estabilização da vazão de afluentes do Rio Tietê. Na bacia do Ribeirão Bocaina, em Minas Gerais, o trabalho envolve conservação ambiental e apoio a produtores rurais, com indicadores sobre práticas sustentáveis e proteção dos recursos naturais. Desafios pedem trabalho conjunto Água, relações de trabalho e consumo responsável envolvem públicos diferentes, mas nenhum desses temas termina nos limites da empresa.
Uma indústria pode reduzir o próprio consumo de água, mas compartilha a bacia hidrográfica com cidades, produtores rurais, outras companhias e comunidades. Fornecedores e terceirizados fazem parte das relações de trabalho. No consumo responsável, entram consumidores, parceiros e os espaços nos quais as marcas estão presentes.
Por isso, alcançar as metas depende também da participação de diferentes agentes. “Os problemas são cada vez mais coletivos e atingem a todos. Por isso, precisamos trabalhar juntos para resolvê-los.
Sozinhos, não conseguimos fazer tudo. Juntos, podemos chegar mais longe”, resumiu Rizzi durante o encontro. Conteúdo e produtos destinados a adultos.
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