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    O Terrorismo de Estado do 8 de janeiro
    Revista Oeste·20 de set., 11:00

    O Terrorismo de Estado do 8 de janeiro

    No dia 31 de julho de 2023, Andrei Rodrigues, indicado por Flávio Dino para a direção-geral da Polícia Federal, vangloriou-se de ter comandado sua força no que chamou de “a maior prisão da história do mundo” . Sim, ele queria incluir o feito no Guinness Book , o livro dos recordes. Referia-se aos mais de 2 mil presos políticos por ocasião do 8 de janeiro e do dia seguinte, um conjunto formado majoritariamente por cidadãos inocentes, de origem humilde, trabalhadores, desarmados, sem antecedentes criminais, pais, mães e avós de família com suas crianças — que também foram levadas ao ginásio da PF, transformado em uma espécie de campo de concentração.

    Sim, o capanga de Dino e Alexandre de Moraes exibiu seu orgulho de ter mobilizado um grande efetivo de sua força armada contra um conjunto de pessoas desarmadas que jamais ofereceria resistência, sobretudo por incluir muitos idosos e crianças. Prender idosos, crianças e até animais de estimação: esse foi o ato de bravura de Andrei Rodrigues e seus comandados, do qual certamente ele voltou a jactar-se em Londres, na companhia de seus superiores, ao degustar uísque pago pelo banqueiro ladrão. v=RJL0BSBLkFQ Nos dias seguintes, começaram a ser realizadas as audiências de custódia dos detidos “em flagrante” — não se sabe flagrante de quê, no caso dos presos no dia 9, por exemplo — para definir quem permaneceria preso ao longo do processo e para qual presídio seria encaminhado.

    Os juízes locais que presidiam as audiências não tinham poder algum de decisão. Eram todos títeres de Moraes, que decidia por conta própria, de acordo com os interesses de seu grupo político, o destino daquelas pessoas. Como revelou a “Vaza Toga 2” , o critério para a manutenção das prisões era inteiramente político-ideológico.

    Os custodiados eram fichados ideologicamente de acordo com suas eventuais manifestações públicas, mesmo que feitas muitos anos antes. Se alguém tivesse postado ou dito algo contra o PT e o STF, ou elogiado algum político de direita, isso selava seu destino: a penitenciária. Um homem chegou a ser preso por postar que “fazer cumprir a Constituição não é golpe” — uma defesa da lei que, por óbvio, alguém como o Careca do Master não tinha como apreciar.

    Tratava-se, enfim, de um processo que o jurista André Marsiglia chamou, à época, de “eugenia ideológica” . Quando, portanto, ao defender mais uma vez seus “meninos” do CV e do PCC por terem sido classificados por Trump como “terroristas”, o Descondenado-em-chefe afirma que “terrorismo foi o que aconteceu no 8 de janeiro”, ele tem razão. O que aconteceu no 8 de janeiro foi, sim, terrorismo.

    Terrorismo de Estado. Mas cometido pelo Descondenado e por seus aliados políticos — Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Paulo Gonet, Andrei Rodrigues, o comandante do Exército etc. Essa é a história real do 8 de janeiro.

    É isso que, um dia, deverá levar seus orquestradores a responder perante a Corte de Haia. Leia também: "Os esquecidos do 8 de janeiro" , reportagem publicada na Edição 336 da Revista Oeste O post O Terrorismo de Estado do 8 de janeiro apareceu primeiro em Revista Oeste . ]]>

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