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    Forbes Brasil·28 de set., 13:36

    O Valor das Conexões em um Mercado em Transformação

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. Durante muito tempo, o networking carregou uma reputação que me deixava desconfortável. E para muitas pessoas, a palavra ainda remete à ideia de procurar alguém quando se precisa de um emprego, participar de eventos com a obrigação de conhecer gente nova ou manter relações profissionais pensando no que elas poderão oferecer no futuro.

    Talvez por isso tanta gente reconheça a importância de construir uma rede, mas ainda se sinta pouco à vontade para, de fato, colocar isso em prática. Ao longo da minha carreira, aprendi a enxergar minha rede de outra forma. Algumas das conversas que mais influenciaram minhas decisões aconteceram com pessoas que, naquele momento, não tinham nenhuma oportunidade para me oferecer.

    O valor estava em conhecer outra experiência, entender um setor que eu dominava pouco ou simplesmente entrar em contato com uma maneira diferente de pensar. É por isso que precisamos ampliar o significado de networking. Uma rede profissional não é apenas um conjunto de pessoas capazes de abrir portas.

    É também uma forma de ampliar nosso campo de visão, algo especialmente importante em um mercado no qual funções, habilidades e trajetórias mudam cada vez mais rápido. Nesse contexto, permanecer cercado apenas por pessoas que trabalham como nós e tiveram experiências parecidas com as nossas pode limitar a maneira como enxergamos o que acontece ao redor. Uma boa rede rompe esse círculo: nos apresenta novas perspectivas , antecipa aprendizados e nos aproxima de caminhos que talvez não encontrássemos sozinhos.

    Os profissionais brasileiros parecem perceber cada vez mais esse valor. Dados do LinkedIn mostram que eles estão fazendo 21% mais conexões do que há três anos, avanço superior ao registrado globalmente no mesmo período. E mais interessante do que o crescimento em si, é pensar no que essas relações tornam possível em um país como o Brasil.

    Durante muito tempo, o acesso a determinadas oportunidades esteve fortemente associado à geografia. Estar nos grandes centros, frequentar determinadas instituições ou circular por certos ambientes aumentava a chance de participar de algumas conversas. Essa realidade não desapareceu, mas a tecnologia começa a encurtar distâncias.

    Na mesma pesquisa, 88% dos profissionais brasileiros disseram acreditar que uma rede ativa ajuda a ampliar oportunidades para quem está fora dos principais centros econômicos. Esse talvez seja um dos aspectos que mais me brilha os olhos nessa discussão, porque mostra que uma conexão profissional pode representar muito mais do que um simples contato: pode significar acesso. Hoje, alguém que vive no interior do Nordeste pode acompanhar o trabalho de um especialista em São Paulo.

    Um profissional de Porto Alegre pode trocar experiências com alguém na Cidade do México. Quem está começando uma carreira pode aprender diretamente com pessoas que, poucas décadas atrás, provavelmente só encontraria se trabalhasse na mesma empresa, estudasse na mesma instituição ou estivesse fisicamente no mesmo ambiente. A geografia continua existindo, mas começa a perder parte de seu poder de determinar quem pode participar de determinadas conversas.

    Ainda assim, existe uma barreira menos visível e talvez igualmente importante: a insegurança de dar o primeiro passo. Para muita gente, abordar alguém que não conhece pode parecer invasivo ou oportunista. Mas mais de nove em cada dez profissionais brasileiros ouvidos pela pesquisa disseram que provavelmente responderiam ou apoiariam alguém que os procurasse em busca de orientação, mesmo sem uma relação pessoal prévia.

    Esse dado revela um traço incrível sobre como os brasileiros se relacionam: uma abertura genuína para conversas e trocas. Muitas vezes, nosso receio de procurar alguém é maior do que a resistência de quem está do outro lado. E as melhores relações profissionais não precisam começar com um pedido, mas com curiosidade, uma boa pergunta ou interesse sincero pelo trabalho do outro.

    Talvez o erro esteja justamente em tratar networking como uma atividade reservada a eventos ou momentos de transição profissional. Na prática, construir relações deveria fazer parte da maneira como aprendemos, trabalhamos e tomamos decisões ao longo de toda a vida profissional. Quanto mais o mercado se torna complexo, menos provável é que uma única pessoa consiga compreender sozinha todas as mudanças que estão acontecendo.

    Precisamos de outras perspectivas para questionar nossas certezas, ampliar nosso repertório e enxergar possibilidades que ainda não conseguimos ver. Por isso, acredito que o valor de uma rede profissional não deveria ser medido apenas pelo número de contatos colecionados. Seu verdadeiro valor está na quantidade de mundos aos quais ela nos dá acesso, ampliando a distância em que a nossa carreira pode chegar.

    * Milton Beck, Diretor Geral do LinkedIn para América Latina e África O post O Valor das Conexões em um Mercado em Transformação apareceu primeiro em Forbes Brasil . ]]>

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