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    ONU realiza assembleia perto de ter novo secretário-geral
    Revista Oeste·20 de set., 09:30

    ONU realiza assembleia perto de ter novo secretário-geral

    A 81ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), iniciada em 8 de setembro, é a última com António Guterres no cargo de secretário-geral. Na próxima terça-feira, 22, terá início a grande reunião anual com chefes de Estado, de governo e outros representantes de alto nível. O encontro vai até 28 de setembro.

    + Leia mais notícias de Mundo em Oeste A escolha do próximo secretário-geral tem sido vista como uma oportunidade de devolver à entidade o protagonismo que, segundo seus críticos, ela perdeu nos últimos anos. Entre os nomes que vêm obtendo maior apoio nas consultas informais do Conselho de Segurança estão duas mulheres. Caso uma delas seja escolhida, a ONU terá, pela primeira vez, uma mulher no cargo de secretária-geral.

    Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por United Nations (@unitednations) Para Fernanda Brandão, doutora em Relações Internacionais, o desafio do próximo secretário-geral é realmente exercer as prerrogativas da ONU. Mas, para tanto, é crucial a colaboração dos países-membros conforme disse a Oeste . " Cabe ao secretário-geral, chefe administrativo da ONU, exercer as funções atribuídas a ele pela Carta da organização.

    Entre suas prerrogativas está levar ao Conselho de Segurança questões que, em sua avaliação, possam ameaçar a manutenção da paz e da segurança internacionais. O ocupante do cargo também exerce papel diplomático na busca de consensos e na condução da agenda da organização. "A ONU é o resultado dos seus estados-membros", afirmou Fernanda.

    " Entre os candidatos, duas mulheres têm se destacado nas consultas informais realizadas no Conselho de Segurança. Rebeca Grynspan, da Costa Rica, indicada por seu próprio país, foi vice-presidente costa-riquenha e é secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). Carolyn Rodrigues-Birkett, indicada pela Guiana, foi ministra das Relações Exteriores do país e atualmente é sua representante permanente na ONU.

    Na consulta informal realizada nesta sexta-feira, 18, Grynspan recebeu nove manifestações de apoio, cinco contrárias e uma de neutralidade. Rodrigues-Birkett obteve oito manifestações favoráveis, seis contrárias e uma neutra. Trata-se, porém, de uma sondagem informal e secreta, que não equivale à votação formal para a recomendação do candidato.

    Outro candidato é Rafael Grossi, da Argentina, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Seu nome também participa formalmente do processo de escolha do sucessor de Guterres. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, teve o nome cogitado, mas não é candidato oficial.

    O presidente dos Estados Unidos , Donald Trump, chegou a sugerir publicamente seu nome. Na votação formal do Conselho de Segurança , o candidato precisa obter pelo menos nove votos entre os 15 integrantes e não pode ser vetado por nenhum dos cinco membros permanentes: EUA, China, Rússia, França e Reino Unido. Depois da recomendação do Conselho, cabe à Assembleia Geral nomear o secretário-geral.

    Fernanda ressalta que a chegada de uma mulher à chefia da principal organização mundial de países teria um papel simbólico muito importante. "Em 80 anos, a ONU ainda não teve uma mulher ocupando o cargo de secretária-geral da organização. " ONU no novo cenário A destruição causada pela Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foi determinante para a criação de uma nova organização internacional voltada à manutenção da paz.

    A Liga das Nações, concebida depois da Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918) e associada à iniciativa do presidente norte-americano Woodrow Wilson, havia fracassado em impedir um novo conflito mundial. A ideia da importância de uma organização global capaz de lidar com grandes questões relacionadas à humanidade, como paz e segurança, no entanto, não perdeu força. Surgiu, então, a ONU.

    A Carta da ONU foi assinada em 26 de junho de 1945, em São Francisco, e a organização passou oficialmente a existir em 24 de outubro daquele ano, depois da entrada em vigor do documento. A Liga das Nações ainda existiu formalmente até abril de 1946. A ONU, portanto, não foi apenas a Liga rebatizada, embora tenha incorporado parte da experiência institucional de da infraestrutura da entidade anterior.

    Leia mais: "ONU começa votação para definir novo secretário-geral" Passados mais de 80 anos desde sua fundação, em meio ao recrudescimento dos conflitos e ao aumento da competição entre grandes potências, a própria ONU enfrenta o desafio de preservar sua capacidade de atuação. Diferentemente da Liga das Nações, a ONU nasceu com mecanismos de segurança coletiva previstos em sua Carta. O Capítulo VII estabelece medidas que podem ser adotadas diante de uma "ameaça à paz, ruptura da paz ou ato de agressão".

    O Artigo 40 permite ao Conselho de Segurança determinar medidas provisórias destinadas a impedir o agravamento de uma crise. Caso sejam necessárias outras providências, o Artigo 41 prevê medidas que não envolvem o uso da força armada, como sanções econômicas, interrupção de comunicações e rompimento de relações diplomáticas. Já o Artigo 42 prevê que, caso as medidas anteriores sejam consideradas inadequadas, o Conselho de Segurança possa autorizar ações com forças aéreas, navais ou terrestres para manter ou restaurar a paz e a segurança internacionais.

    Esse mecanismo teve aplicações importantes ao longo da história. Na Guerra da Coreia, em 1950, o Conselho de Segurança recomendou que os países-membros fornecessem forças e assistência a um comando unificado para repelir a invasão da Coreia do Sul. Décadas mais tarde, na Bósnia, o Conselho autorizou operações militares conduzidas por Estados-membros e, em 1995, uma força multinacional de implementação do acordo de paz, sob comando unificado e formada por países da Otan e de fora da aliança.

    Nos tempos atuais, de competição geopolítica acirrada e preocupações de segurança, Fernanda ressalta que a cooperação tem se tornado secundária e os Estados, menos propensos a ceder quando isso pode representar perda de poder ou influência na disputa geopolítica global. Isso tem esvaziado a atuação da ONU, segundo ela. " O post ONU realiza assembleia perto de ter novo secretário-geral apareceu primeiro em Revista Oeste .

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