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    Operação Carbono Oculto: nova fase indica elo entre PCC e Master
    Revista Oeste·24 de set., 21:02

    Operação Carbono Oculto: nova fase indica elo entre PCC e Master

    A nova fase da Operação Carbono Oculto revelou uma conexão entre estruturas financeiras ligadas ao Banco Master e o esquema investigado por lavagem de dinheiro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Além disso, há a suspeita de que um braço do esquema esteja ligado ao setor sucroalcooleiro. + Leia mais notícias de Política em Oeste Deflagrada nesta quinta-feira, 24, esta terceira etapa da ação, denominada Operação Crédito Oculto, colocou entre os alvos Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, considerado, pela Polícia Federal (PF), o operador financeiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-diretor e ex-sócio do Banco Genial.

    v=gkAXpuQlLE0 A Operação Crédito Oculto é uma ação conjunta da Receita Federal, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, da Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo, da Polícia Militar e da Polícia Civil. A operação conta ainda com o apoio dos Gaecos de Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina. As investigações mostram que operadores do mercado financeiro teriam colocado estruturas empresariais e financeiras a serviço da movimentação e ocultação de recursos.

    O trabalho amplia a apuração sobre a presença do crime organizado, como o PCC, na economia formal, iniciada principalmente a partir de negócios no setor de combustíveis. Freixo é dono da Entre Investimentos e aparece como um dos pontos de contato entre as diferentes frentes investigadas. Visto pela PF como operador de Vorcaro, ele assinou no início deste mês um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República.

    O empresário também é investigado por operações relacionadas ao Master. Entre elas estão suspeitas de repasses de milhões de reais para financiar Dark Horse , produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Freixo, segundo a PF, também teria participado da retirada de recursos do banco para o exterior, valores que passaram a ser rastreados pelo liquidante da instituição.

    A possível utilização da estrutura financeira da Entre Investimentos por integrantes do crime organizado, no caso o PCC, também é investigada. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou, nesta quinta-feira, que há fortes indícios de ligação entre as investigações do Master, feitas pela PF, e as descobertas da Carbono Oculto. Segundo ele, recursos provenientes dos dois núcleos teriam passado pelo mesmo grupo empresarial.

    Outro dos caminhos investigados leva ao setor sucroalcooleiro. Segundo as autoridades, foi montada uma estrutura para esconder os verdadeiros controladores da Usina Itajobi, no interior de São Paulo . Um operador financeiro ligado a fintechs teria usado empresas e instrumentos financeiros do grupo para movimentar recursos e dificultar a identificação de quem efetivamente controlava a usina.

    A empresa financeira, empregada na aquisição supostamente simulada da usina, movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões de 2021 a 2025, de acordo com a Receita Federal . Para o órgão, o volume reforça os indícios de utilização de instrumentos financeiros e de investimento para ocultar patrimônio, dissimular a procedência de recursos e lavar dinheiro. A Receita afirma que as descobertas revelam estruturas interligadas de lavagem de capitais.

    Na avaliação dos investigadores, operadores do mercado financeiro teriam criado mecanismos capazes de prestar serviços a diferentes grupos criminosos, por meio de contas, fundos de investimento e estruturas societárias que dificultavam a identificação da origem e dos destinatários dos valores. Setor de combustíveis na Carbono Oculto Outra parte da apuração envolve a distribuidora de combustíveis Terrana. De acordo com o Ministério Público de São Paulo, Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, e Mohamed Hussein Murad, conhecido como Primo, considerados os líderes do esquema investigado no setor de combustíveis, teriam elaborado um projeto para adquirir a empresa.

    Leia mais: "Agentes apreendem documentos em distribuidora alvo da Carbono Oculto" As suspeitas sobre o uso do sistema financeiro também alcançaram Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-sócio do Genial. A Usina Itajobi colocou cerca de R$ 100 milhões no Fundo Radford, do qual era a única cotista. Desde 2024, o Fundo Redford era administrado pelo Genial.

    O Fundo Radford, segundo a PF, aplicou aproximadamente R$ 100 milhões em CDBs vinculados emitidos pelo Banco Genial. O Genial também emprestou recursos, por meio de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), para duas holdings recém-criadas, Berna e Branson. Essas duas empresas teriam utilizado o dinheiro para adquirir ativos, entre eles a empresa que controlava a Terrana.

    Segundo a investigação, Berna e Branson eram empresas de fachada utilizadas para esconder os verdadeiros beneficiários do negócio. Comunicado do Genial declarou que Tupinambá Neto, que ainda não se manifestou publicamente, não integra mais a diretoria nem o quadro societário da instituição desde maio deste ano, quando foi destituído. Na nota, a instituição afirmou que forneceu ao Gaeco de São Paulo as informações que possuía sobre operações envolvendo o Fundo Radford e as empresas Berna e Branson Holdings.

    Disse também ter realizado as comunicações cabíveis ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O Genial declarou que instaurou procedimento interno, revisou a governança de suas operações de crédito e afastou Tupinambá Neto dos processos decisórios antes de sua destituição. Depois da deflagração da Carbono Oculto, segundo a instituição, o banco renunciou à administração do Fundo Radford e continuou fornecendo documentos e informações solicitados pelas autoridades.

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