Origem Energia prevê antecipar térmicas de 2029 e iniciar perfurações na BA
Atual quarta maior produtora de gás natural no Brasil, com pouco mais de 2 milhões de metros cúbicos extraídos diariamente em Alagoas, a Origem Energia prevê antecipar a entrada em operação de parte de suas usinas termelétricas contratadas no LRCap (Leilão de Reserva de Capacidade). A empresa, fundada há uma década pela engenheira de petróleo Luna Viana e hoje controlada pela gestora de ativos Prisma Capital, construiu uma história de sucesso a partir de ativos “onshore” deixados de lado pela Petrobras e depois revitalizados. No Polo Alagoas, a produção subiu de 4 mil para 20 mil barris por dia de óleo equivalente entre 2022 e 2026, sendo o gás natural não associado quase 80% disso.
Esse crescimento acelerado posicionou a Origem em um lugar de destaque ao lado de outras produtoras independentes, como Prio, Brava e PetroReconcavo. Gasmig traça plano para levar gás a todas as regiões de Minas Gerais CEO da Oncorp critica intervenção da ANP em contratos de terminais de GNL Aneel homologa usinas do leilão de reserva de capacidade de 2026 Agora, a companhia tenta replicar o “case” Alagoas no Polo Tucano Sul, um conjunto de quatro campos terrestres no interior da Bahia arrematados na oferta permanente da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) em 2022. O CEO da Origem, Luiz Felipe Coutinho, afirma que a ideia é começar o desenvolvimento dos campos neste quarto trimestre.
Um ou dois poços, segundo ele, devem ser perfurados em 2027. “Tucano Sul tem um potencial de incremento muito grande. Não são campos maduros, que experimentaram declínio de produção [caso da maioria dos ativos desinvestidos pela Petrobras], mas projetos em desenvolvimento”, observou Coutinho em entrevista à CNN .
Assim como no Polo Alagoas, os ativos em Tucano Sul estão conectados à malha de gasodutos da TAG e sua produção pode ser escoada a clientes no próprio Nordeste, como a distribuidora Bahiagás. Em Alagoas, a Origem licenciou um parque termelétrico com sete usinas a gás que foram contratadas no LRCap, realizado em março. As térmicas têm alta flexibilidade e podem ser acionadas em apenas 15 minutos, apoiando a operação do sistema interligado quando fontes intermitentes (caso da solar e da eólica) deixam de gerar energia.
Todas as unidades já tiveram suas obras iniciadas e os motores foram comprados da fabricante finlandesa Wärtsilä. Estão sendo investidos R$ 2 bilhões. O gás produzida pela própria Origem abastecerá essas plantas.
“Vamos transformar a molécula em elétron de forma verticalizada. Por isso, preferimos não ser chamados de junior oil company, mas de empresa voltada a soluções integradas na área de energia”, diz Coutinho. Diante dos prazos apertados para a entrega dos empreendimentos, isso resolve um desafio.
O executivo lembra que um gargalo recente no mundo é a disponibilidade de equipamentos em um mercado aquecido, entre outros fatores, pela demanda do Oriente Médio, que tem convertido suas usinas a óleo combustível para gás natural. Em Alagoas, os projetos Pilar e Nova Pilar têm início da operação previsto para outubro de 2028. Juntos, eles somam 320 MW (megawatts) de potência instalada.
As térmicas Manguaba I a V, cinco unidades com 10 MW de capacidade cada uma, precisam ficar prontas até agosto de 2029. De acordo com o CEO da Origem, a ideia é adiantar o cronograma dessas cinco usinas também para 2028. “Vamos pedir a antecipação [do fornecimento de energia]”, afirma.
Questionado sobre as movimentações no mercado de projetos térmicos, depois da homologação do LRCap, Coutinho não está olhando “ativamente” oportunidades de compra, mas deixou o “radar ligado” caso surjam propostas que lhe façam sentido. ]]>
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