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    Os Bastidores Sonoros de “O Agente Secreto” Rumo Ao Grammy
    Forbes Brasil·03 de nov., 08:00

    Os Bastidores Sonoros de “O Agente Secreto” Rumo Ao Grammy

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. Depois de marcar presença nas principais premiações do cinema internacional, com quatro indicações ao Oscar e duas conquistas no Globo de Ouro, O Agente Secreto ruma à consagração musical.   Composta e produzida por Mateus Alves e Tomaz Alves , a construção musical dita o tom do thriller, ambientado no Recife dos anos 1970.

    A escolha por sintetizadores analógicos e arranjos orquestrais completos ajudam a traduzir o clima de vigilância, tensão e paranoia da ditadura militar brasileira. “Kleber estava procurando uma música que funcionasse como uma espécie de comentário sobre os temas do filme. Uma música que não tomasse partido de nenhum personagem e que também estivesse descolada da época em que a narrativa se passava”, diz Tomaz, em entrevista à Forbes Brasil .

    E esta não é a primeira vez que a dupla trabalha com o diretor. Mateus e Tomaz também assinam a trilha original de Bacurau (2019), ficção científica que retrata um pequeno povoado do sertão brasileiro. “Lançamos a trilha de Bacurau tanto digitalmente como em vinil, e ela teve boa recepção, mas o impacto geral do Agente Secreto foi maior.

    Bacurau teve mais dificuldade em atingir um público maior também por conta da pandemia, já que o lançamento internacional do filme precisou ser interrompido na época”, explica o compositor.   Tomaz conta que a dupla começou a escrever os primeiros temas ainda a partir do roteiro, pouco antes do início das filmagens.   Divulgação Mateus Alves e Tomaz Alves Souza “Testamos várias possibilidades e fomos fechando a sonoridade em torno de arranjos de cordas e sopros , peças de piano solo e texturas sonoras feitas a partir de reprocessamentos e colagens resultantes dos mesmos sons que nós vínhamos produzindo e escrevendo.

    O resultado final é uma soma disso tudo”, explica. As gravações e a mixagem ficaram a cargo de Eelco Bakker, no STMPD RCRD Studios, sob supervisão musical conduzida entre Recife e Amsterdã. A distribuição ficou por conta da ONErpm.

    A assinatura brasileira O cinema internacional tem cada vez mais fugido das convenções de mercado para se encontrar em suas particularidades, e isso se reflete também na trilha sonora. Segundo Tomaz, produções recentes de vários países priorizaram uma assinatura musical pessoal, projetando compositores da Islândia à Coreia do Sul. No Brasil, essa busca tem como ponto de partida um repertório vasto.

    “A música brasileira é muito diversificada, com dezenas de gêneros.   Essas incontáveis linguagens, que abrangem desde a cultura popular até nomes mais conhecidos, inspiram há décadas músicas feitas ao redor do mundo, também no cinema. “A repercussão da música brasileira talvez só encontre paralelo na música estadunidense de matriz africana (jazz, rock, hip-hop) e nas linguagens da América Central e da América Latina, como cumbia, salsa, rumba e bolero.

    Medir essa influência é difícil, porque a música de qualquer lugar está aberta a se misturar e a gerar novas linguagens”, avalia o compositor. No cinema, esse repertório aparece de formas específicas. O mais característico do país, para ele, é o uso das percussões de matriz africana e a presença marcante do violão.

    “Temos centenas de tradições. O que falta ao Brasil é a proteção às obras e artistas daqui, melhor distribuição e divulgação para que o público se veja cada vez mais retratado no seu cinema”, finaliza. O post Os Bastidores Sonoros de “O Agente Secreto” Rumo Ao Grammy apareceu primeiro em Forbes Brasil .

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