Os Novos Planos da Mbee para Popularizar o Mel Nativo, o “Ouro Líquido” Brasileiro
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. Quem já frequentou os salões do Tuju ou do Evvai – os únicos restaurantes nacionais a ostentar três estrelas Michelin –, é provável que tenha encerrado a experiência de degustação provando meles. “Sou muito fã dos meles brasileiros.
A virada de chave da minha carreira foi um pão de mel de abelhas da Mbee”, lembra Bianca Mirabili, chef de confeitaria do Evvai. “É muito bom poder viajar o mundo e levar pratos com esses ingredientes para os chefs de fora conhecerem. Assim como vinho, os meles brasileiros têm terroir.
A depender da espécie e da região onde forem coletados, o resultado final tem características completamente diferentes (e muito longe da concepção de mel tradicional, de mercado, que temos): podem ter textura aquosa, altas doses de acidez ou até notas alcoólicas, de canela e mais. Ao completar 12 anos de operação, com uma rede de 80 produtores em 16 estados brasileiros, a empresa familiar decidiu profissionalizar a gestão para dar um salto de crescimento. Para isso, acaba de anunciar a executiva Priscila Sabará como sua nova CEO.
Com experiência na fundação da plataforma gastronômica Foodpass e passagens pelo mercado de tecnologia, Priscila assume o desafio de modernizar os bastidores da marca. Divulgação/Micaela Wernicke Priscila Sabará A missão tem um alvo claro: transformar a autoridade construída na alta gastronomia em uma marca mais próxima do consumidor final. Da alta gastronomia para o varejo Hoje, as vendas B2B são o grande motor financeiro da Mbee.
No primeiro semestre de 2026, 77% da receita vieram dessa modalidade – 52,04% do setor de restaurantes e 24,98% da hotelaria. Apesar do sucesso no foodservice, o planejamento para o ano que vem mira o consumidor final. O plano estratégico começará acelerando a atuação via distribuidores no início de 2027, para então fortalecer os canais próprios (como o site da marca e a Amazon) e, no último trimestre do ano, fazer uma entrada robusta no que Priscila chama de “varejo VIP”, focado em empórios e mercados selecionados.
A grande barreira para essa popularização no varejo, porém, é cultural. O Brasil é o 11º maior produtor de mel do mundo, mas o brasileiro consome 15 vezes menos que os americanos e 25 vezes menos que os suíços. A culpa recai sobre nossa forte ligação histórica com a cana-de-açúcar.
Divulgação “Na cabeça do brasileiro, o mel é um remédio”, ressalta a nova CEO, também nutricionista de formação. “Óbvio que tem mil propriedades medicinais, mas é também um ingrediente. Estamos mesmo em uma luta pela substituição do açúcar”.
Tecnologia para crescer Para sustentar a incursão rumo ao varejo, Priscila quer primeiro “organizar a casa”, especialmente com tecnologia. “A inteligência artificial entra muito na gestão e na operação do negócio”, explica a executiva. A ideia é automatizar tarefas diárias, desde o recebimento de pedidos até o estoque.
Com processos mais ágeis e eficientes, a Mbee projeta consolidar um crescimento na faixa de 20% ao ano. Priscila já tem experiência na área – conduziu quatro rodadas na época da Foodpass –, mas prega cautela. Para ela, buscar capital externo é um plano ideal para 2027 ou 2028.
“O dinheiro do investidor precisa chegar no momento em que a gente esteja realmente pronto para fazer os 20% de crescimento. Se não, vira uma corda no pescoço”, pondera. Divulgação Trio Territórios Mbee, 3 meles brasileiros E mesmo com chefs estrangeiros ficando maravilhados com o sabor do mel brasileiro, a exportação não é a prioridade da Mbee agora.
O motivo é prático: o Brasil já exporta mais de 80% do mel que produz, deixando o setor extremamente vulnerável a mudanças nas tarifas internacionais (como taxações repentinas). Fortalecer o consumo interno é a forma mais segura de proteger o negócio. “A gente tem aqui, pelo menos nessa próxima fase, que chegar num patamar de scale up [crescimento estruturado em escala].
Esse é o grande foco. Antes de exportar, a gente tá focando realmente no mel puro”, afirma a CEO. “O mercado nacional é muito interessante.
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