Os preços estão mais altos do que nunca? O que você precisa entender
Experimente comentar sobre o preço de algo em qualquer lugar. Por exemplo: do café , na fila do supermercado. Provavelmente vão te dizer que não só o item está caro.
E a conversa deve desaguar em: o preço de tudo está mais alto do que nunca. Até que ponto os dados confirmam essa impressão? E até que ponto ela é discurso cristalizado no imaginário popular?
O Olhar Digital conversou sobre isso com Juliana Inhasz, professora de economia do Insper. O que você precisa entender sobre os preços das coisas Afinal, essa história de que as coisas estão mais caras do que nunca é verdade? Para começar, “não necessariamente todos os preços se movem para o mesmo lado”, diz a professora.
Isso significa que não é porque algo ficou mais barato ( a conta de luz , por exemplo) que outra categoria (como alimentação ) não pode ficar mais cara. ” Por que? “Cada um compra aquilo que lhe é mais conveniente, então cada um vai ter ali o seu conjunto de bens, e a percepção de um pode ser diferente da percepção de outro”, explica Inhasz.
A professora também observa que “é muito normal as pessoas terem uma memória de preços mais recente”. ’. Agora, tem produtos que você compra uma vez a cada 40 ou 50 dias.
Quando o preço aumenta, às vezes você nem percebe que aumentou”, explica a professora. ” Em termos nominais, os preços realmente estão altos. Uma lata de Coca-Cola, uma garrafa de água, um quilo de arroz, eles realmente estão em valores mais altos.
E não é para isso que a gente talvez deveria olhar. Juliana Inhasz, professora de economia do Insper, em entrevista ao Olhar Digital . Isso porque, segundo a professora de economia, “nominalmente os preços sobem”.
É normal. “O preço sobe e naturalmente a gente repassa isso para salários, para contratos, o que vai levando a aumentos de preços nos períodos seguintes”, acrescenta a professora. Segundo a professora de economia, devemos observar como preços mais altos impactam nosso poder de compra.
“Se o meu salário cresce 10% e os preços daquilo que eu consumo crescem 5%, eu ainda estou ganhando. Meu salário está permitindo que eu consuma mais do que eu consumia antes”, explica Inhasz. Porém, “se estou num cenário em que o meu salário cresce 5% e todos os preços crescem 10%, aí esse é um cenário problemático porque consigo comprar cada vez menos com o meu salário”, acrescenta.
O que afeta o comportamento dos preços Segundo a professora, existem algumas causas que explicam a subida de preços hoje em dia ou o comportamento mais volátil em alguns casos. “Primeiro, são custos”, diz a professora. ” Produtos in natura costumam baratear por conta de questões sazonais – Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil Outro ponto importante: fatores sazonais.
“A gente tem passado cada vez mais por choques climáticos. ” “Tudo isso tem impactado bastante as produções e, por sua vez, claro, se desdobra em mudanças de preços”, diz a professora. Terceira causa: pressões de demanda.
“Elas têm acontecido muito porque o mercado de trabalho está bem aquecido. Ainda que a economia esteja desaquecendo, o mercado de trabalho continua resiliente. ” Para a professora de economia, um ponto importante no caso do Brasil é a baixa produtividade.
“Ela sozinha não consegue explicar preços subindo num ponto do tempo. ” Que efeito? “O custo por unidade produzida tem limitado muito o ganho de renda real.
Isso dificulta aumentar salário”, explica Inhasz. Segundo a especialista, o ponto é: “A produtividade mais baixa faz com que produzir custe mais. E, para garantir ou manter a margem de lucro, os preços sobem.
” Por fim, Inhasz abordou o desequilíbrio fiscal. Segundo a especialista, ele “não é capaz de fazer o preço na gôndola do supermercado aumentar no dia seguinte”. ” “Isso faz com que os investidores diminuam o seu apetite ao risco.
Então, eles diminuem o investimento. Isso impede investimentos — em máquinas, equipamentos, tecnologia. A gente perde produtividade”, finaliza a especialista.
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