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    Poder360·27 de set., 17:45

    Papa celebra missa para 800 mil pessoas em Paris

    2026) às 15h uma missa para cerca de 800 mil pessoas na Place de la Concorde , ou Praça da Concórdia, no centro de Paris. A estimativa de público é da Santa Sé. A cerimônia homenageou a Virgem Maria, mãe de Jesus.

    Eis a íntegra do comunicado do Vaticano, em inglês (PDF – 255 kB). Foi a primeira visita do papado a Paris em 18 anos. O local, então chamado Place de la Révolution , foi palco de algumas das principais execuções da Revolução Francesa.

    O rei Luís 16, monarca legitimado pela Igreja, foi guilhotinado ali em 21 de janeiro de 1793. Luís 16 era católico e havia sido sagrado e coroado rei da França e de Navarra na Catedral de Reims em 11 de junho de 1775, em uma cerimônia religiosa que integrava a tradição de legitimação da monarquia francesa do Antigo Regime despótico. Na homilia, Leão 14 centrou sua mensagem na ideia cristã de Cristo como “f onte de água viva ” e afirmou que os desejos humanos de sentido, verdade e realização não poderiam ser satisfeitos apenas por bens materiais.

    Aos católicos franceses, pediu que a fé tivesse expressão pública: “ Não guardeis a fé em Jesus Cristo só para vós mesmos”. O papa afirmou que os presentes eram herdeiros de uma “longa e bela história sacra ” da França e os incentivou a construir “ uma nação renovada ” a partir de suas raízes cristãs. Também recordou santos e mártires ligados à história do país e disse rezar para que “ a água viva do Espírito Santo” se espalhasse por toda a França.

    Horas antes da missa, Leão 14 havia feito uma breve oração na igreja Saint-Joseph-des-Carmes, no Instituto Católico de Paris. Depois, percorreu o chamado caminho dos mártires de 2 de setembro de 1792. Durante a Revolução, a igreja foi transformada em prisão para sacerdotes que se recusavam a jurar fidelidade à Constituição Civil do Clero.

    De acordo com o Instituto, mais 160 padres ficaram presos no local e, em 2 de setembro de 1792, cerca de 115 sacerdotes e bispos foram mortos a golpes de armas brancas no jardim depois de um julgamento sumário. A Igreja Católica posteriormente os reconheceu como mártires. O tamanho da concentração também alimentou entre católicos a interpretação de que a viagem mostrava uma renovação da presença pública da Igreja na França.

    Em comunidades católicas nas redes sociais, usuários compartilharam as imagens da multidão como sinal de um possível renascimento católico em um país. O jornal Le Parisien classificou o evento como uma “ possível manifestação de força popular da Igreja ”. De acordo com pesquisa do Ifop (Instituto Francês de Opinião Pública) realizada em 2025, 43% dos adultos da França metropolitana se declaram católicos e 37% dizem não ter religião.

    Em 1985, os católicos representavam 83% da população adulta e os sem religião, 13%. Os muçulmanos, por sua vez, passaram de 0,5% para 7% no período. REVOLUÇÃO FRANCESA E A IGREJA A Revolução Francesa alterou profundamente a relação entre o Estado e a Igreja Católica na França.

    Em novembro de 1789, os bens do clero foram colocados à disposição da nação. Em fevereiro de 1790, foram suprimidos os votos monásticos e dissolvidas diversas congregações religiosas. Em julho daquele ano, a Assembleia Nacional –criada no período revolucionário– aprovou a Constituição Civil do Clero, que reorganizou dioceses e paróquias e estabeleceu a eleição de bispos e padres.

    A exigência de que integrantes do clero jurassem fidelidade à nova ordem dividiu a Igreja entre sacerdotes “ constitucionais ”, que aceitaram o juramento, e “ refratários ”, que recusaram. Em 1792, o Estado também retirou da Igreja atribuições como o registro civil e o casamento e passou a permitir o divórcio. Durante a fase do Terror, a política de descristianização se intensificou.

    Igrejas foram fechadas ou convertidas para outros usos, o calendário revolucionário substituiu referências do calendário cristão e surgiram cultos cívicos, como o Culto da Razão e, posteriormente, o Culto do Ser Supremo. Ao mesmo tempo, a própria Revolução havia consagrado juridicamente a liberdade de consciência e de opinião religiosa na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789. A secularização francesa prosseguiu nos séculos seguintes e culminou, no plano jurídico, na lei de 1905, que separou as Igrejas do Estado e estabeleceu a neutralidade estatal diante das religiões, ao mesmo tempo em que assegurou a liberdade de consciência e o livre exercício dos cultos.

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