Papa Leão viaja à França com desculpas por abusos do clero e IA na agenda
O papa Leão XIV embarca nesta sexta-feira (25) para uma visita de fim de semana à França, onde espera recuperar a imagem da Igreja Católica após escândalos de abusos. Ele também deve renovar os apelos por regras globais para o desenvolvimento da inteligência artificial (IA) e apresentar uma visão para o futuro da Europa. Leão deve atrair grandes multidões durante a visita, que ocorre de 25 a 28 de setembro e inclui passagens por Paris, pelo famoso santuário católico de Lourdes, no sudoeste do país, e por Metz, cidade próxima à fronteira com a Alemanha e importante para a fundação da União Europeia.
Cerca de 600 mil pessoas se registraram para participar de uma missa ao ar livre no centro de Paris com Leão no sábado (26). A expectativa é que a multidão se estenda pela famosa Avenida Champs-Élysées. “A visita do papa Leão à França provocou uma verdadeira onda de interesse”, disse à Reuters o bispo francês aposentado Marc Stenger.
Leia Mais Papa Leão XIV reúne cerca de 70 mil pessoas em estádio de Madri Papa Leão XIV pede que bispos na Espanha ajudem vítimas de abuso Em discurso para os EUA, papa pede defesa da vida desde concepção até morte IA no topo da agenda Entre os primeiros compromissos de Leão nesta sexta-feira estão discursos para o presidente Emmanuel Macron e outros líderes franceses no Palácio do Eliseu e para funcionários da sede da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), que enfrenta dificuldades orçamentárias depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, retirou o país da organização em 2025. O primeiro papa americano despertou a ira de Trump no início deste ano após criticar a guerra no Irã. Leão, que colocou os riscos provocados pela IA entre as principais preocupações de seu pontificado e tem defendido que líderes mundiais estabeleçam regras globais para supervisionar o setor, deve abordar o tema na Unesco.
Em discurso no Vaticano na quinta-feira (24), o papa afirmou que a IA pode beneficiar a humanidade, mas introduziu “novos perigos para a segurança e a paz internacional”. Ele pediu que líderes mundiais “governem com sabedoria” ao supervisionar a tecnologia. A visita de Leão ocorre em meio a divergências entre líderes católicos franceses e o governo sobre a inclusão, em 2024, do direito ao aborto na Constituição francesa — um marco inédito no mundo — e a aprovação, no início deste ano, de uma lei que legaliza a morte assistida para adultos com doenças incuráveis.
A Igreja Católica ensina que toda vida humana é sagrada e se opõe ao aborto, à morte assistida e à pena de morte. Leão também conduzirá uma cerimônia de oração na sexta-feira na restaurada Catedral de Notre-Dame, em Paris, na primeira visita de um papa ao local desde o incêndio devastador que quase destruiu a obra-prima gótica em 2019. Encontro com sobreviventes de abusos Leão será o primeiro papa a fazer uma visita oficial à França em quase 20 anos.
Líderes locais da Igreja esperam que a viagem ajude a recuperar a imagem da instituição após um devastador relatório de 2021 apontar que cerca de 330 mil crianças francesas sofreram abusos cometidos por membros do clero católico e líderes leigos ao longo de sete décadas. Desde então, bispos franceses implementaram medidas de indenização e proteção, mas sobreviventes continuam pressionando líderes da Igreja a demonstrar responsabilização. “Leão carrega a imensa responsabilidade de ‘declarar que basta’”, disse à Reuters Alain Esquerre, 66, porta-voz de vítimas da instituição católica Notre-Dame de Bétharram.
O papa se encontrará no domingo (27), em Lourdes, com sete franceses vítimas de abusos cometidos por membros do clero católico. O Vaticano, que normalmente só divulga informações sobre os encontros do papa com vítimas de abusos posteriormente, não forneceu mais detalhes. A viagem de Leão à França terminará no domingo, em Metz, com um discurso sobre “as raízes da Europa para a paz e a unidade”.
Macron convidou líderes dos 27 países-membros da União Europeia para participar do evento, mas ainda não está claro quem comparecerá. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, poderá participar, segundo relatos da imprensa. O gabinete de Zelensky não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
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