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    Forbes Brasil·27 de out., 08:04

    Para as Empresas Latino-americanas, Segurança Cibernética na Era da IA É Essencial

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. A inteligência artificial está redefinindo a maneira como as empresas operam, inovam e competem. Ao mesmo tempo em que amplia oportunidades de produtividade e crescimento, essa transformação também inaugura uma nova era de riscos cibernéticos.

    Para as organizações latino-americanas, o desafio não se resume a proteger sistemas e informações, mas a garantir que suas operações permaneçam resilientes diante de ameaças cada vez mais sofisticadas. Nesse cenário, a segurança cibernética deixa de ser uma responsabilidade exclusiva das áreas de tecnologia e passa a ocupar uma posição central nas estratégias de negócios. A mudança de perspectiva é particularmente relevante diante de um cenário de crescente exposição aos riscos digitais.

    Segundo o estudo “Insights sobre Ciberresiliência”, encomendado pela Dell Technologies com organizações em países que incluem o Brasil e o México, 93% dos entrevistados consideram a resiliência cibernética uma prioridade crítica para os negócios. Entretanto, 56% acreditam que suas lideranças superestimam o nível de preparação das empresas para enfrentar ataques.   A evolução da inteligência artificial torna essa discussão ainda mais urgente.

    Se, por um lado, a tecnologia oferece recursos para identificar vulnerabilidades, detectar comportamentos suspeitos e acelerar respostas a incidentes, por outro, também amplia a complexidade do ambiente de segurança. Com a expansão da IA generativa e dos agentes autônomos, sistemas passam a acessar informações, executar tarefas e tomar decisões em uma velocidade muito superior à capacidade de supervisão humana em tempo real. Por isso, incorporar segurança desde o início dos projetos de IA é fundamental.

    Não basta proteger a tecnologia depois de sua implementação. É necessário estabelecer mecanismos de governança que definam quais informações os agentes podem acessar, quais ações estão autorizados a executar e em quais situações a aprovação humana é indispensável. Controles de identidade, rastreabilidade das decisões e revisões periódicas das permissões são elementos essenciais para que a autonomia tecnológica não comprometa a segurança das operações.

    Nesse contexto, o fator humano permanece indispensável. A mesma pesquisa da Dell Technologies mostra que apenas 39% das organizações latino-americanas apresentam um alto nível de automação na resposta a incidentes. Mais do que ampliar esse percentual, as empresas precisam assegurar que a tecnologia esteja associada à experiência, ao julgamento e à capacidade de decisão dos profissionais.

    A IA pode acelerar a identificação de ameaças, mas são as pessoas que devem estabelecer prioridades, avaliar riscos e determinar os limites de sua atuação. Essa responsabilidade também precisa alcançar os níveis mais altos das organizações. Atualmente, 51% dos entrevistados na América Latina afirmam que os conselhos de administração ainda tratam os riscos cibernéticos predominantemente como uma questão de TI.

    Entretanto, quando um ataque pode interromper operações, comprometer informações estratégicas e afetar a confiança dos clientes, suas consequências ultrapassam qualquer departamento. Segurança cibernética deve fazer parte das decisões sobre investimentos, inovação e sustentabilidade dos negócios. Outro aspecto fundamental é reconhecer que nenhuma estratégia de proteção consegue eliminar completamente a possibilidade de incidentes.

    Por isso, tão importante quanto prevenir ataques é assegurar a capacidade de recuperação. Na América Latina, 78% das organizações reconhecem que os criminosos estão direcionando cada vez mais suas ações aos sistemas de backup. Apesar disso, 66% continuam priorizando a prevenção em detrimento da preparação para recuperação, enquanto 70% não conseguem cumprir consistentemente todos os seus acordos de nível de serviço críticos.

    Esses indicadores reforçam a necessidade de uma abordagem integrada de resiliência cibernética, que conecte prevenção, proteção de dados, infraestrutura segura e recuperação operacional. Isso significa estabelecer ambientes de recuperação protegidos, realizar testes periódicos e garantir a disponibilidade de cópias confiáveis das informações essenciais. Afinal, a verdadeira medida da resiliência não está apenas na capacidade de impedir um ataque, mas também na rapidez e na segurança com que uma organização consegue restabelecer suas atividades.

    Na era da IA, essa preparação ganha uma dimensão adicional. A qualidade e a confiabilidade dos dados são fundamentais para o funcionamento dos modelos e sistemas inteligentes. Informações comprometidas, indisponíveis ou corrompidas podem prejudicar decisões automatizadas e interromper processos críticos.

    Dessa forma, modernizar a infraestrutura tecnológica e fortalecer a segurança devem ser iniciativas complementares, e não projetos independentes. O caminho para as empresas latino-americanas passa, portanto, por uma mudança de mentalidade. Segurança não deve ser percebida como um obstáculo à inovação, mas como uma condição para que novas tecnologias sejam adotadas com confiança e produzam resultados sustentáveis.

      À medida que a inteligência artificial assume um papel cada vez mais relevante nas operações empresariais, a capacidade de inovar estará diretamente relacionada à capacidade de proteger, responder e recuperar. Para as organizações que desejam crescer de forma sustentável, a segurança cibernética não é apenas uma defesa contra ameaças digitais.   *Luis Gonçalves, presidente da Dell Technologies para a América Latina Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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