Pequena indústria que fatura milhões: veja a diferença de custo do Simples normal para o regime híbrido
Continuar no Simples Nacional ou migrar para o regime híbrido? A decisão mais importante que a reforma tributária exigiu dos pequenos negócios tem prazo: o dia 30 deste mês. Mas o que mais tem por aí é empreendedor sem entender o impacto das duas opções na prática.
Para ajudar as pequenas empresas na reta final dessa escolha, o Descomplica PJ botou a mão na massa. Publicamos, a partir de hoje, uma série de reportagens simulando casos concretos para mostrar quanto custa cada regime para empresas com portes, clientes e fornecedores diferentes. Quem fica no Simples “puro” continua concentrando todos os impostos na guia única, o DAS.
No regime híbrido, a empresa passa a recolher o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) separadamente, pagando os demais tributos na DAS. A complexidade da operação aumenta, assim como as alíquotas dos impostos – mas a empresa poderá gerar créditos de IBS e CBS para os clientes e aproveitar, ela mesma, os créditos dos insumos usados na produção. Para saber o que pesa mais, tem de fazer conta.
Leia também Negócios Simples puro ou híbrido? 5 ferramentas para estimar o peso da escolha na sua empresa – incluindo tributos Simulamos os cenários com auxílio da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), que lançou em agosto uma ferramenta para estimar o impacto dos novos impostos – a CBS e o IBS – no preço final de um produto. Vamos começar com uma pequena indústria – como um fabricante de acessórios e calçados de couro – com faturamento anual de R$ 2 milhões.
A simulação parte de um produto hipotético com custo de R$ 100 para mostrar como o preço final se comportaria no Simples puro e no chamado Simples híbrido ( explicamos nesta reportagem ). Ah, a estimativa de preço final vale para 2027, quando apenas a CBS será cobrada integralmente: como a alíquota ainda não foi definida pelo governo, os cálculos consideraram a referência de 9,21%. No ano que vem, o IBS ainda estará em fase de teste, com alíquota simbólica de 0,1%.
Pequena indústria, R$ 2 milhões por ano Para um produto com preço de custo de R$ 100, o preço final de venda no regime híbrido seria cerca de 5% mais caro do que no Simples tradicional. Mas o custo efetivo para o cliente – se ele também for uma empresa (B2B) – seria aproximadamente 2% menor . Só que esse é apenas o fim da simulação: se você não entender como ela foi feita, vai ficar com a história incompleta e pode chegar a conclusões que não valem para seu próprio negócio.
Leia também Negócios Já decidiu entre ficar no Simples ou migrar para regime híbrido? Prazo termina neste mês Além do faturamento (R$ 2 milhões por ano) e da atividade (fabricação de acessórios e calçados de couro, enquadrada no Anexo II do Simples), o cálculo também leva em conta os custos da empresa . Se ela compra muitos insumos que podem gerar créditos de CBS, a situação é uma.
Se não, o resultado muda bastante. Nesta simulação, consideramos que as despesas da empresa tributadas pela CBS correspondem a 40% da sua receita. Para você ter uma ideia, podem entrar aí matéria-prima, mercadorias para revenda, embalagens, aluguel, contas de gás, água, energia e telecom, frete, armazenagem, licenças de softwares, serviços terceirizados, equipamentos, combustíveis… O que não entra nunca: folha de pagamento e encargos sociais.
Essas despesas não têm (nem terão) recolhimento de CBS, por isso não geram crédito. Também entra no cálculo o perfil da cadeia de fornecedores da empresa. Se eles estão no Simples tradicional, não geram quase nada de crédito.
Se forem do regime geral – Lucro Presumido, Real ou Simples híbrido –, geram crédito integral. A simulação considerou 50% dos fornecedores no Simples tradicional e 50% no regime geral. A pergunta-chave: quem são os clientes?
Quando a maior parte dos clientes de uma empresa são consumidores finais, o Simples híbrido não vale a pena, pois pessoas físicas não podem aproveitar os créditos tributários. A migração só encareceria os impostos, sem gerar um benefício de fato. O jogo é diferente quando as vendas são principalmente para outras empresas.
Como pode usar os créditos, o preço final da venda não é o único número que importa para esse tipo de cliente; também conta o volume de impostos que ele consegue recuperar. Por isso, na simulação, consideramos que todos os clientes da pequena indústria são empresas do regime geral (Lucro Presumido, Real ou Simples híbrido). E o resultado final é este: No Simples híbrido , a empresa receberia créditos de R$ 2,26 dos fornecedores, considerando os R$ 100 de preço de custo.
Depois desse crédito, o preço base da operação cairia para R$ 97,74. A CBS devida nessa venda ficaria em R$ 9 e esse também seria o valor do crédito que seu cliente poderia recuperar. No Simples puro , a empresa não recuperaria créditos dos seus fornecedores e a CBS devida na venda seria de apenas R$ 1,46.
É só isso o que seu cliente poderia recuperar. O preço final de venda chegaria a R$ 106,74 no Simples híbrido – o que é cerca de 5% mais do que o resultado de R$ 101,46 para o Simples puro. Porém, como a empresa geraria R$ 9 de crédito, o custo líquido para o cliente seria de R$ 97,74 , como citado acima.
É uma diferença de 2,3% para o custo final de R$ 100 do Simples puro. É importante lembrar que a simulação considera a situação real das empresas em 2027, quando apenas a CBS estará em vigor. Conforme o calendário da reforma tributária avançar, o IBS também vai entrar na conta – e aí tanto os impostos pagos quanto os créditos gerados para os clientes vão aumentar.
Leia também Negócios Nota fiscal de serviços tem novos campos para preencher; veja como emitir a NFS-e agora Tem como melhorar? Um aspecto que pode mudar a conta é o mix de fornecedores. No cenário inicial, a simulação considerou 50% de fornecedores do Simples tradicional e 50% do regime geral.
Se a empresa tiver mais fornecedores do regime geral, que geram crédito integral, conseguiria recuperar mais impostos e, com isso, reduzir o preço final de venda. Suponha que a pequena indústria da nossa simulação tenha 100% dos fornecedores no regime geral. A hipótese é que, ao optar pelo Simples híbrido, a empresa revisaria sua cadeia de fornecedores e substituiria os que permanecerem no Simples puro.
Nesse caso, os créditos que a empresa conseguiria recuperar aumentariam de R$ 2,26 para R$ 3,68. Com mais crédito na entrada, a base da operação cairia para R$ 96,32, reduzindo também o valor da CBS e dos créditos oferecidos ao seu cliente. Conclusão: o preço de venda cairia para R$ 105,19, e o custo líquido do cliente, para R$ 96,32.
Leia também Negócios Dividendos: por que distribuir todo o lucro da empresa no fim do ano pode resultar em imposto a mais Mudar ou não mudar? Na letra fria, a simulação sugere que o Simples híbrido traz vantagens no custo final para o cliente – que diminui, por causa da possibilidade de recuperar créditos tributários. Na prática, nossa pequena indústria precisaria negociar com seus clientes para demonstrar esse benefício.
Afinal, o preço de venda vai aumentar: se o cliente não estiver interessado nos créditos, vai preferir outra empresa que cobre menos. Por outro lado, especialistas acreditam que os grandes clientes B2B vão valorizar fornecedores que gerem mais créditos; e podem, inclusive, acabar demandando deles a migração para o regime híbrido. Cada caso precisa ser analisado individualmente, a e a simulação pode dar ferramentas para o empreendedor usar nesse processo.
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Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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