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    Money Times·23 de out., 14:20

    Perdeu o fôlego? Bradesco (BBDC4) enfrenta pressão da inadimplência, mas CEO destaca carteira mais segura

    “Vejo um cenário de pressão no crédito e inadimplência no mercado como um todo. ” Foi assim que Marcelo Noronha , CEO do Bradesco (BBDC4) , resumiu as perspectivas para os próximos meses durante a teleconferência de resultados do terceiro trimestre de 2026. Divulgado na noite da última quinta-feira (22), o balanço do banco trouxe sinais que acenderam um alerta entre analistas, sobretudo em relação à qualidade do crédito e à sustentabilidade do ritmo de crescimento dos resultados.

    Confira o balanço completo nesta reportagem. No entanto, essa não é a única preocupação. Diante de um cenário macroeconômico mais desafiador, os analistas do BTG Pactual também questionam se o banco ainda tem fôlego para sustentar a evolução dos resultados.

    Entre os fatores que podem pressionar o desempenho estão a desaceleração do crescimento da carteira de crédito, o aumento das provisões para perdas e a redução da cobertura da inadimplência. Na avaliação do BTG, essa combinação pode comprometer o ritmo de crescimento dos lucros e tornar o ponto de partida para 2027 mais desafiador. No entanto, Noronha argumenta que o banco está preparado justamente porque mudou a composição da carteira nos últimos anos.

    A tese central é que o Bradesco hoje empresta com mais garantia do que no passado, o que separa o banco da pressão que atinge o mercado como um todo. A carteira de crédito cresceu 11,1% em 12 meses, para R$ 1,15 trilhão, com o avanço concentrado em pessoas jurídicas — justamente porque a inadimplência segue pressionada entre as pessoas físicas, cujo índice de atrasos acima de 90 dias chegou a 5,8% no trimestre. “Se tivéssemos um cenário econômico mais favorável, com crescimento maior e juros abaixo de 10%, poderíamos estar expandindo a carteira de crédito em 20% e entregando um lucro líquido entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões maior”, afirmou Noronha.

    Por volta das 10h48, as ações do banco lideram as quedas do Ibovespa. MediumWidget( { "customer": "moneytimescombr", "symbols": [ [ "BBDC4", "BBDC4" ] ], "chartOnly": false, "width": "100%", "height": "300", "locale": "br", "colorTheme": "light", "autosize": false, "showVolume": false, "hideDateRanges": false, "hideMarketStatus": false, "hideSymbolLogo": false, "scalePosition": "right", "scaleMode": "Normal", "fontFamily": "-apple-system, BlinkMacSystemFont, Trebuchet MS, Roboto, Ubuntu, sans-serif", "fontSize": "10", "noTimeScale": false, "valuesTracking": "1", "changeMode": "price-and-percent", "chartType": "line", "container_id": "f20f62e" } ); Como o Bradesco navega cenário de pressão na inadimplência? O principal argumento do Bradesco para defender a qualidade da sua carteira de crédito é o aumento da participação de operações com garantia.

    Essa fatia passou de 45,1% em dezembro de 2019 para 61,2% em setembro de 2026 — uma alta de 16,1 pontos percentuais. Na pessoa física, cerca de 72% dos créditos contam com algum tipo de garantia. A presença de garantias pode aumentar a possibilidade de recuperação de parte do valor em caso de inadimplência, por meio da execução de bens ou recebíveis.

    É com base nessa estratégia que Noronha afirma que a carteira está “muito mais colateralizada, muito mais robusta, muito mais tranquila” do que em 2023. Outro argumento da administração é que o Bradesco ampliou a carteira sem que, segundo Noronha, o custo de crédito aumentasse na mesma proporção. Ele afirmou que o crédito cresceu 31% desde o fim de 2023, enquanto o custo permaneceu estável em termos nominais.

    Essa estratégia também ajuda a explicar por que o Bradesco tem evitado expandir o crédito pessoal sem garantia, modalidade mais exposta à piora do emprego e da renda. Nesse segmento, a mudança de composição é mais evidente: o capital de giro sem garantia caiu 3,3% no trimestre e 7,2% em 12 meses, enquanto as operações com garantia do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) e do Fundo de Garantia de Operações (FGO) cresceram 31,5% em 12 meses. Essas garantias reduzem parte da exposição do banco às perdas, mas não eliminam o risco: o Bradesco informou que os atrasos nessas operações também contribuíram para a alta da inadimplência.

    O que o analistas enxergam? A leitura do balanço dividiu os analistas. Em relatório assinado por Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale, o BTG Pactual manteve recomendação neutra para o Bradesco, com preço-alvo de R$ 21,00, e apontou a deterioração do crédito como principal preocupação.

    O Itaú BBA também adotou uma leitura cautelosa do balanço. Embora tenha considerado os números em linha com o esperado, com lucro recorrente de R$ 7,1 bilhões e retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 15,6%, a casa destacou uma composição menos favorável dos resultados. Segundo o banco, as receitas avançaram apenas 1% no trimestre, enquanto as provisões cresceram 7%, refletindo a piora da qualidade do crédito.

    Para os analistas, a combinação de receitas ajustadas ao risco mais fracas e desempenho abaixo do esperado na operação de seguros pode pressionar as estimativas de lucro para 2027. O Itaú BBA manteve o preço-alvo de R$ 22,00 para 2027, o que representa um potencial de valorização de 8,8%. O Safra por sua vez, adotou uma visão mais otimista.

    Em análise assinada por Daniel Vaz e Rafael Nobre, a casa reiterou recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 22,00 e potencial de valorização de 9%, apostando que o Bradesco está solucionando os problemas de crédito mais rapidamente do que o esperado. ]]>

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