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    Petróleo fecha a US$ 117, na máxima desde abril, após ataques à Arábia Saudita
    InvestNews·23 de out., 20:00

    Petróleo fecha a US$ 117, na máxima desde abril, após ataques à Arábia Saudita

    O petróleo Brent fechou a semana no maior nível desde abril, com a intensificação dos ataques à Arábia Saudita ampliando as preocupações com o abastecimento global, já pressionado pela guerra entre Estados Unidos e Irã. O contrato do Brent, referência internacional da commodity, encerrou a sexta-feira abaixo de US$ 117 por barril, com alta de mais de 6% na semana. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, fechou acima de US$ 103 por barril.

    Os ataques recentes aumentaram o temor de que o conflito se espalhe pela região e comprometa o transporte de petróleo. Militantes houthis, grupo do Iêmen apoiado pelo Irã, reivindicaram ataques ao porto saudita de Yanbu, no Mar Vermelho. Também houve ataques que deixaram mortos em um campo de petróleo e em um aeroporto na Arábia Saudita.

    “Os temores de uma escalada durante o fim de semana estão alimentando a alta”, afirmou Rebecca Babin, operadora sênior do mercado de energia do CIBC Private Wealth Group. Segundo ela, mesmo com analistas de geopolítica minimizando a possibilidade de uma escalada, os operadores do mercado seguem apreensivos. A preocupação é que os ataques ampliem as hostilidades nas proximidades do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.

    O fluxo de exportações de petróleo bruto pela passagem já se recuperou para níveis próximos aos registrados antes da guerra, mas uma nova escalada pode colocar esse avanço em risco. Leia também Economia Argentina privatiza empresa de saneamento em vitória para Milei Investimentos Ibovespa fecha em alta e dólar cai abaixo de R$ 5 na última sessão antes do segundo turno Além disso, operadores têm evitado manter posições que lucram com a queda dos preços antes do fim de semana, quando os mercados estão fechados. Movimentos no mercado de opções também contribuem para a alta das cotações.

    Brent acumula alta de mais de 85% em 2026 O Brent acumula valorização superior a 85% em 2026, em meio à guerra entre Estados Unidos e Irã, que se aproxima do nono mês. Os preços dos derivados de petróleo subiram ainda mais, especialmente os do diesel. Nas últimas semanas, o aumento do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz pressionou os preços no mercado físico, no qual a commodity é negociada para entrega efetiva, mesmo com a alta dos contratos futuros negociados nas bolsas.

    O custo do transporte marítimo também passou a influenciar as cotações. Fretes mais caros elevam o preço final do petróleo entregue às refinarias e podem reduzir a rentabilidade do processamento da matéria-prima. “Além da escalada do conflito no Oriente Médio, os custos de frete vêm se tornando um fator cada vez mais importante.

    Os preços elevados do petróleo entregue às refinarias podem limitar novas altas do petróleo bruto, pois margens menores podem restringir o processamento nas refinarias”, afirmou Ryan McKay, estrategista sênior de commodities da TD Securities. Essa redução no processamento, porém, pode manter a oferta de combustíveis derivados do petróleo restrita, acrescentou o analista. Trump ameaça ampliar ofensiva contra o Irã Na quinta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as forças americanas haviam “nocauteado” o Irã e ameaçou ir “um pouco mais longe”, sem detalhar quais medidas poderiam ser adotadas.

    O New York Times informou nesta semana que Estados Unidos e Israel elaboraram planos para retomar os ataques contra a República Islâmica após as eleições legislativas americanas, previstas para o início de novembro. Em entrevista ao Financial Times , Mike Waltz, embaixador dos Estados Unidos nas Nações Unidas, afirmou que o governo americano se prepara para um conflito prolongado e que o impasse com o Irã pode persistir por mais um ano. Segundo Waltz, a Marinha americana tem condições de manter o bloqueio aos portos iranianos no futuro previsível.

    O governo também está intensificando a pressão econômica sobre Teerã. Os houthis, grupo baseado no Iêmen, vêm atacando repetidamente a Arábia Saudita nos últimos meses. Na quinta-feira, a estatal petrolífera Saudi Aramco esvaziou sua sede em Dhahran e pediu que funcionários trabalhassem de casa após um alerta, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

    Estoques estratégicos e restrições ao diesel A oferta de derivados de petróleo também enfrenta limitações. Embora o transporte de petróleo bruto pelo Golfo Pérsico tenha se recuperado, os embarques de combustíveis e outros derivados da região continuam restritos. A situação é agravada pelos ataques ucranianos a refinarias russas.

    Diante das dificuldades de abastecimento, governos passaram a recorrer a estoques estratégicos para atender à demanda. Trump também pressiona por medidas para reduzir os preços dos combustíveis antes das eleições legislativas dos Estados Unidos, incluindo um acordo com Moscou envolvendo diesel. Outro fator que pode ampliar a volatilidade é a atuação dos operadores no mercado de opções.

    Quando os preços sobem rapidamente, esses participantes precisam ajustar suas posições para reduzir a exposição às oscilações, o que pode gerar novas compras de contratos futuros e alimentar a alta. Para a TD Securities, a tendência de curto prazo continua sendo de valorização do petróleo bruto, diante do risco de escalada dos conflitos no Oriente Médio antes das eleições israelenses e das eleições legislativas americanas. “Esperamos que os preços do petróleo bruto continuem com viés de alta no curto prazo”, afirmou McKay.

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