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    Philippe Starck Cria Seu Refúgio dos Sonhos em Portugal. E Agora Você Também Pode Morar Nele
    Forbes Brasil·29 de out., 08:00

    Philippe Starck Cria Seu Refúgio dos Sonhos em Portugal. E Agora Você Também Pode Morar Nele

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. Philippe Starck já teve casas em lugares como Formentera, Veneza e Cap Ferret. Viajou o mundo, desenhou hotéis, restaurantes, móveis e objetos que entraram para a história do design.

    Mas foi em um pedaço do Alentejo português que o francês, hoje com 77 anos, experimentou uma sensação que, segundo ele, nunca havia sentido antes. “Passei a vida inteira em todos os lugares. Mas esta foi a primeira vez em que realmente senti como se raízes estivessem saindo dos meus sapatos e entrando no solo.

    ” Essa relação começou há cerca de 13 anos, quando Starck chegou a Portugal por sugestão de um amigo, ninguém menos do que Christian Louboutin. A intenção inicial era passar um período no país. Ficou.

    Primeiro encontrou uma casa e, depois, começou a percorrer de bicicleta e quadriciclo a região próxima ao mar à procura do que considerava “o melhor terreno”. Acabou encontrando-o na Serra de Grândola, perto de Melides. Mais do que a paisagem, foram os portugueses que o convenceram.

    “Não é por causa do clima maravilhoso. Não é por causa da vista maravilhosa. É, em primeiro lugar, por causa das pessoas”, diz.

    Starck conta histórias de desconhecidos dispostos a acompanhá-lo até um posto de gasolina quando seu carro ficou sem combustível e de donos de restaurantes que, em vez de empurrar a garrafa mais cara, indicavam um vinho de € 25. “Os portugueses são uma das últimas populações no mundo que conservaram valores como respeito, amor, honestidade e gentileza. ” Divulgação Philippe Starck Agora, essa relação pessoal está ganhando escala.

    Previsto para abrir no segundo trimestre de 2028, o ASerra é um projeto de hospitalidade e residências desenvolvido pela Larfa Properties, de Stéphane Delplancq, com conceito e design de Starck. Em uma propriedade de 85 hectares, reunirá um hotel de 25 suítes independentes, 22 villas privadas com serviços hoteleiros, restaurantes, spa, espaços dedicados à criação e uma espécie de aldeia contemporânea. O investimento total deve chegar a cerca de € 100 milhões, segundo Delplancq.

    A Larfa pretende permanecer à frente da operação do hotel, estratégia que o empresário já adota em outros projetos de hospitalidade. “Não temos uma estratégia de investimento que nos obrigue a sair dos projetos. Gostamos de desenvolver projetos e, na maioria deles, mantemos os ativos”, afirma.

    Quase invisível na paisagem A ligação de Starck com o terreno determinou também uma das premissas arquitetônicas do ASerra: interferir o mínimo possível no que já estava ali. “Primeiro, respeitar. Respeitar a natureza.

    Fazer algo praticamente invisível”, diz o designer. “Quando constroem por aqui, muitas vezes fazem cubos brancos. Grandes cubos brancos.

    ” O projeto arquitetônico e a construção são conduzidos pelo escritório lisboeta Atelier AAVV, de Miguel Passos de Almeida, enquanto o paisagismo é assinado por Filipa Cardoso de Menezes, da FC Arquitectura Paisagista. Nas construções, o concreto assume tons que procuram se misturar à terra. Starck conta que foram necessários dois anos para chegar à cor desejada e, grandes superfícies de vidro abrem os interiores para a paisagem.

    Terracota, madeiras avermelhadas, couro natural e cerâmicas aparecem entre os materiais dos interiores. “É se diluir. Você está integrado a tudo, à boa energia de Portugal, à boa energia do sul”, resume Starck.

    Essa discrição tem relação também com uma descoberta pessoal. Acostumado a viver literalmente diante da água, o designer conta que inicialmente procurava reproduzir ali a mesma experiência. “Todas as nossas casas pelo mundo sempre foram junto ao mar, na praia ou em um porto.

    ” A geografia de Melides, porém, impôs outra lógica. Entre a propriedade e o Atlântico estão a praia e as grandes dunas protegidas. “Levei anos para entender que aqui eu nunca teria uma vista direta para o mar”, diz.

    ” Um hotel que funciona como aldeia O ASerra não foi pensado como um hotel convencional. No alto do terreno estarão as construções de caráter mais mineral; na parte baixa, uma aldeia de madeira reunirá áreas de convivência e atividades. Restaurante com produtos da horta, café, loja, estúdio de arte e piscina estarão distribuídos ao longo de uma rua central.

      As 25 suítes independentes do hotel terão 70 m² de área interna e terraços de 90 m²; 12 contarão com piscina privativa. As 22 villas seguirão a mesma linguagem estética e seus moradores terão acesso aos serviços e à infraestrutura do hotel. “Tudo faz parte de um único projeto”, explica Delplancq.

    “As villas, as suítes do hotel e o edifício principal terão a mesma linguagem. ” O empresário diz que os preços ainda não estão oficialmente fechados, mas trabalha com uma estimativa inicial a partir de € 6 milhões por villa. A comercialização deve começar antes da abertura do empreendimento.

    Os proprietários poderão manter a residência exclusivamente para uso próprio ou integrá-la ao pool hoteleiro nos períodos em que estiver desocupada. Nesse caso, a administração ficará obrigatoriamente a cargo do ASerra, uma forma, segundo Delplancq, de preservar tanto o padrão do serviço quanto o valor das propriedades. O modelo mira especialmente quem divide o ano entre diferentes endereços.

    “Alguém pode morar no Brasil, ter outra casa no sul da França e uma terceira aqui”, exemplifica. ” Para Starck, no entanto, a palavra luxo parece importar menos do que aquilo que o lugar consegue preservar. Para alguém que define o luxo contemporâneo como excessivamente associado à demonstração de riqueza, a ideia aqui é outra.

    “Para mim, luxo é simplesmente qualidade atemporal.   O post Philippe Starck Cria Seu Refúgio dos Sonhos em Portugal. E Agora Você Também Pode Morar Nele apareceu primeiro em Forbes Brasil .

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