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    Por Que Franquias Brasileiras Estão de Olho na Argentina
    Forbes Brasil·02 de nov., 08:00

    Por Que Franquias Brasileiras Estão de Olho na Argentina

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. A Argentina voltou a aparecer nos planos de expansão de marcas da região, com uma estratégia que prioriza o desenvolvimento local por meio de franquias e parceiros estratégicos . As brasileiras Casa do Construtor e Lavateria já iniciaram sua entrada no mercado argentino, enquanto a Rustica, rede peruana de gastronomia e entretenimento, busca um operador argentino para ingressar no país.

    Embora atuem em segmentos diferentes, as três empresas compartilham a mesma lógica: apoiar-se em parceiros com conhecimento do mercado, capacidade financeira e experiência operacional para desenvolver as primeiras unidades e construir uma rede que possa ser ampliada. A aposta não envolve necessariamente abrir várias lojas desde o início, mas estabelecer uma estrutura que permita crescer gradualmente. Em um mercado no qual o consumo exige cautela, ganham relevância os modelos de negócio que oferecem operações padronizadas, estruturas de custos controladas e possibilidades de expansão.

    O perfil do franqueado também está mudando: já não basta ter capital para abrir uma loja. Hoje, as marcas procuram operadores que conheçam o território, desenvolvedores com capacidade para multiplicar unidades ou parceiros estratégicos que contribuam com contatos, tecnologia, logística e acesso a fornecedores. Aluguel de máquinas como negócio de escala Um dos casos que refletem essa estratégia é o da Casa do Construtor, empresa brasileira especializada no aluguel de máquinas e ferramentas para construção, reformas, manutenção e jardinagem.

    A companhia começou a desenvolver na Argentina uma rede de franquias voltada a operadores capazes de administrar múltiplas unidades. Sua estratégia prevê que um mesmo parceiro possa desenvolver um grupo de quatro a seis lojas em determinada região, com o objetivo de aproveitar economias de escala e consolidar uma operação territorial. Na primeira etapa, a empresa pretende alcançar entre cinco e sete lojas.

    Para 2027, projeta chegar a cerca de 20 unidades e, no longo prazo, atingir 100 pontos de venda na Argentina até 2035, com uma rede de 15 a 20 franqueados capazes de operar várias unidades. A escolha dos locais e dos parceiros faz parte da estratégia. “Ao definir uma nova praça, avaliamos o nível de atividade da construção civil, tanto em obras novas quanto no ritmo constante de remodelações, reformas e manutenção residencial ou comercial, a presença de profissionais do setor e o perfil do parceiro que estará à frente do negócio”, explica Bruno Arena, vice-presidente da Casa do Construtor para a América Latina.

    Divulgação A empresa brasileira Casa do Constructor planeja atingir 100 pontos de venda na Argentina até 2035 “Escolhemos Escobar para nossa nova unidade por causa de seu rápido crescimento demográfico, seu dinamismo produtivo, sua proximidade com a cidade de Buenos Aires e o potencial para abastecer, a partir dali, o corredor norte da província de Buenos Aires”, afirma Arena. O investimento é outra variável relevante. A Casa do Construtor estima um desembolso entre US$ 50 mil (R$ 250 mil) e US$ 200 mil (R$ 1 milhão), dependendo do formato.

    No modelo tradicional padrão, o investimento fica entre US$ 130 mil (R$ 650 mil) e US$ 140 mil (R$ 700 mil), dos quais cerca de 70% são destinados ao parque de máquinas e ferramentas. Segundo as estimativas da empresa, o prazo de retorno do investimento varia de 36 a 48 meses, enquanto a rentabilidade operacional de uma unidade madura pode alcançar entre 35% e 40%. “A Argentina apresenta uma enorme oportunidade para profissionalizar e elevar os padrões de um mercado de aluguel que, historicamente, foi muito fragmentado e informal”, afirma Arena.

    O modelo também se apoia em uma lógica de consumo diferente da compra tradicional de equipamentos. O cliente paga para utilizar uma máquina pelo período de que precisa, sem assumir os custos de aquisição e manutenção. A marca estima que cerca de 70% dos contratos que registra na América Latina correspondam a aluguéis de 24 horas.

    Uma franquia automatizada para reduzir custos fixos A Lavateria , rede de lavanderias de autosserviço, começou sua expansão na Argentina neste ano. A empresa tem mais de 600 unidades no Brasil e propõe um formato totalmente automatizado, que funciona sem funcionários no ponto de venda. O cliente chega à loja, utiliza as máquinas, efetua o pagamento eletronicamente e conclui a lavagem e a secagem das roupas em aproximadamente uma hora e 15 minutos.

    A ausência de funcionários permanentes é um dos principais diferenciais do negócio. Para o franqueado, o formato busca simplificar a gestão cotidiana e reduzir os custos fixos associados a uma operação tradicional. O investimento para abrir uma franquia é de aproximadamente US$ 54 mil (R$ 270 mil).

    Segundo a empresa, o prazo estimado para recuperar o capital investido é de cerca de 15 meses. Divulgação Com 600 unidades no Brasil, a Lavateria quer superar 100 franquias na Argentina em 2027 “Gosto muito deste país porque vemos uma excelente oportunidade para esse modelo. É uma franquia fácil de operar, sem funcionários, o que permite manter uma estrutura de custos muito baixa”, afirma Leandro Silva, CEO da Lavateria.

    A empresa já está presente em Buenos Aires e pretende continuar crescendo em diferentes cidades do interior argentino. Seu objetivo é superar 100 franquias na Argentina em 2027 e transformar o país em um mercado estratégico para sua expansão regional. Um investimento maior para desenvolver uma rede gastronômica A estratégia da Rustica, rede peruana de gastronomia e entretenimento com 33 anos de história, tem outra dimensão.

    A empresa pretende entrar na Argentina com uma estratégia de longo prazo e prevê desenvolver uma rede de até 30 restaurantes em dez anos. O primeiro objetivo é Buenos Aires, com a possibilidade de avançar posteriormente para Mendoza, Rosário e Córdoba. Sua proposta combina gastronomia peruana com churrascarias, pizzarias, bares, espetáculos e karaokê, em um modelo que busca levar ao mercado argentino uma experiência já desenvolvida no Peru.

    A empresa conta com mais de 60 estabelecimentos e dez hotéis próprios no Peru. No país, projeta alcançar 100 unidades nos próximos quatro anos e, paralelamente, avançar em sua expansão internacional. Para ingressar na Argentina, a Rustica procura um parceiro na modalidade de franquia master.

    Isso significa encontrar um operador com experiência empresarial e capacidade para desenvolver a marca em determinado território, com a possibilidade de abrir unidades próprias e, dependendo das condições contratuais, ampliar a rede por meio de novas franquias. A abertura de cada restaurante exigiria um investimento entre US$ 300 mil (R$ 1,5 milhão) e US$ 500 mil (R$ 2,5 milhões), dependendo do formato escolhido. A esse valor seriam somados entre US$ 100 mil (R$ 500 mil) e US$ 150 mil (R$ 750 mil) para instalar um centro de produção, além de uma taxa de US$ 150 mil (R$ 750 mil) pelo contrato de franquia master com duração de 20 anos.

    O centro de produção permitiria centralizar determinados insumos e padronizar receitas. A equipe do Peru, por sua vez, acompanharia o investidor durante os primeiros meses para transferir processos e padrões operacionais. O perfil do parceiro procurado também difere daquele de uma franquia individual.

    “Não é tanto para quem está começando no mercado de franquias, mas para alguém que já tem experiência no setor, possui outros negócios ou franquias e entende o que significa desenvolver uma operação de longo prazo”, explica Gerson Manuel Hernández, consultor líder da Rustica. “Não buscamos simplesmente oferecer um restaurante, mas fornecer o know-how para desenvolver toda uma plataforma, com um centro de produção e a possibilidade de conceder novas franquias”, acrescenta Hernández. *Matéria publicada originalmente em Forbes Argentina O post Por Que Franquias Brasileiras Estão de Olho na Argentina apareceu primeiro em Forbes Brasil .

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