Por que o juro do título do Tesouro dos EUA de 30 anos está no maior nível desde 2002
Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos subiram pelo sexto dia consecutivo nesta terça-feira (29), em mais um sinal da forte venda que vem atingindo o mercado de dívida americano. O rendimento do Treasury de 30 anos superou 5,61%, no maior nível desde junho de 2002. Para o investidor, isso significa que ficou mais caro para o governo americano captar dinheiro por 30 anos .
No mercado secundário, em que os títulos já emitidos são negociados, preço e rendimento caminham em direções opostas: quando os papéis são vendidos, seus preços caem e os rendimentos sobem. Leia também Investimentos Juros nos EUA no maior nível em 20 anos abrem janela de oportunidade. Saiba como investir Investimentos Treasuries: veja tipos, riscos e como investir em títulos do Tesouro americano A alta dos juros longos ocorre em meio à combinação de petróleo caro, preocupação com a inflação, aumento da dívida americana e grande volume de novas emissões de títulos por empresas e pelo governo.
O movimento também levou o rendimento do Treasury de 10 anos, uma das principais referências para o custo do crédito nos Estados Unidos, para 5,28%, o maior nível desde 2007. Inflação e juros A alta do petróleo é um dos fatores que mais preocupam o mercado. O Brent, referência global, ficou acima de US$ 100 por barril durante boa parte de setembro e estava em torno de US$ 104 nesta terça-feira.
Petróleo mais caro encarece combustíveis, transporte e outros produtos, dificultando a queda da inflação. Isso pode fazer com que os bancos centrais mantenham os juros elevados por mais tempo ou voltem a aumentá-los. Nos EUA, essa discussão passa pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano.
O Fed elevou os juros em 0,25 ponto percentual neste mês, para uma faixa entre 3,75% e 4%. Agora, a questão é se haverá novas altas nas próximas reuniões. John Williams, presidente do Fed de Nova York, afirmou nesta terça-feira que não há necessidade de pressa para um novo aumento.
Ao mesmo tempo, disse que outra alta pode ser apropriada no fim do ano se a inflação continuar acima do desejado. O mercado agora aguarda o relatório de emprego dos EUA referente a setembro, que será divulgado na sexta-feira. Os dados podem influenciar a decisão do Fed sobre os próximos passos dos juros.
O peso da dívida dos EUA Há outro fator por trás da alta dos rendimentos: o tamanho da dívida americana. A dívida pública dos EUA ultrapassou US$ 40 trilhões no mês passado, enquanto o governo continua tomando dinheiro emprestado em ritmo elevado. Para financiar essa dívida, o Tesouro precisa vender títulos aos investidores.
Quanto maior a oferta de papéis e a preocupação com a trajetória das contas públicas, maior pode ser a remuneração que os investidores pedem para comprar títulos de prazo longo. O chamado prêmio de prazo é o retorno adicional que um investidor espera receber para manter um título de longo prazo, assumindo riscos como inflação e mudanças nos juros ao longo dos anos. Kristina Hooper, estrategista-chefe da Man Group, disse que a alta dos rendimentos dos títulos longos reflete tanto a preocupação com a situação fiscal dos EUA quanto a inflação provocada pela crise de energia relacionada à guerra entre EUA e Irã.
A tentativa do governo americano de conter a alta também não produziu o efeito esperado. Em agosto, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou um programa ampliado de recompra de títulos de longo prazo. Na época, o rendimento do Treasury de 30 anos estava em cerca de 5,2%.
Desde então, chegou a 5,61%. Empresas também entram na disputa O mercado ainda enfrenta um grande volume de emissões de dívida por empresas. A Paramount, por exemplo, iniciou uma emissão de cerca de US$ 32 bilhões em títulos para ajudar a financiar a aquisição da Warner Bros.
Discovery. A operação faz parte de um pacote de US$ 52 bilhões em dívidas. Quando governo e empresas precisam captar grandes volumes ao mesmo tempo, a disputa pelo dinheiro dos investidores aumenta.
Para atrair compradores, os emissores podem ter de oferecer juros maiores, o que contribui para elevar os rendimentos no mercado. Estrategistas do Citigroup dizem que o mercado de Treasuries passa por uma espécie de falta de compradores, com investidores menos dispostos a adquirir os títulos mesmo depois da alta dos rendimentos. Bolsa ainda resiste Apesar da forte venda de títulos, o movimento ainda não contaminou de forma significativa o mercado de ações americano.
O S&P 500 caiu 0,3% nesta terça-feira e está cerca de 2% abaixo do recorde alcançado em agosto. O Nasdaq 100 subiu 0,2%. Segundo Laura Cooper, chefe de macrocrédito da Nuveen, o crescimento econômico ainda forte, impulsionado em parte pelos investimentos em inteligência artificial, ajudou a manter relativamente estáveis os ativos considerados mais arriscados, como ações e títulos corporativos.
Os Treasuries acumulam queda de 2,6% neste ano, segundo um índice da Bloomberg, depois de uma alta de 6,3% em 2025. A época do ano também costuma ser difícil para os títulos. Nos últimos dez anos, os Treasuries registraram perda mediana de 0,9% em setembro e de 0,7% em outubro, segundo dados compilados pela Bloomberg.
Setembro já caminha para ser o pior mês desde 2023. A guerra no Oriente Médio, as preocupações com as contas públicas americanas e a possibilidade de juros mais altos pelo Fed mantêm o mercado atento à possibilidade de novas perdas em outubro. ]]>
Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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