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    Por Que os Perfumes Se Tornaram a Nova Obsessão do Mercado de Luxo
    Forbes Brasil·03 de nov., 17:20

    Por Que os Perfumes Se Tornaram a Nova Obsessão do Mercado de Luxo

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. Em um momento em que o mercado de luxo enfrenta uma desaceleração, existe um segmento que parece caminhar na direção contrária. A perfumaria, especialmente a de nicho, vive um de seus momentos mais interessantes.

    Frascos que custam milhares de reais, listas de desejos que já não se limitam a bolsas e sapatos e consumidores cada vez mais interessados em descobrir fragrâncias que poucas pessoas conhecem. Mas o que explica essa nova obsessão por perfumes? 500.

    O segmento já representa 9% das vendas de fragrâncias no canal de beleza de prestígio. Para efeito de comparação, o mercado brasileiro de beleza premium avançou 6% no mesmo período. É curioso pensar que, enquanto o consumidor reconsidera a compra de uma bolsa de grife, está disposto a desembolsar alguns milhares de reais por um perfume.

    E não necessariamente por uma fragrância de uma maison tradicional, mas por marcas que, até pouco tempo atrás, eram conhecidas apenas por um público bastante restrito. A ascensão da perfumaria de nicho  Durante muito tempo, ter um perfume assinatura era quase uma regra. Encontrar uma fragrância que combinasse com a personalidade e usá-la por anos fazia parte da construção de uma identidade.

    Hoje, essa lógica começa a mudar. “Sempre enxerguei a moda e a perfumaria como formas de expressão pessoal. Assim como escolhemos nossas roupas de acordo com a ocasião ou nosso estado de espírito, por que usar sempre o mesmo perfume?

    O boom da perfumaria de nicho reflete justamente essa mudança de comportamento: o consumidor busca fragrâncias mais exclusivas, descobre novas possibilidades e começa a construir seu próprio guarda-roupa olfativo, expressando diferentes facetas da sua personalidade”, afirma Evelyse Britto, à frente da Neeche, multimarcas especializada em perfumarias de nicho. A expressão guarda-roupa olfativo ajuda a entender o fenômeno. Assim como ninguém precisa usar a mesma roupa todos os dias, por que deveria usar sempre o mesmo perfume?

    Há fragrâncias para trabalhar, viajar, sair à noite ou simplesmente ficar em casa. O perfume passa a acompanhar não apenas a ocasião, mas também o humor e a imagem que queremos transmitir. É nesse contexto que marcas como Roja London, INITIO Parfums, Mancera e Tiziana Terenzi encontram um público disposto a explorar composições mais ousadas e menos convencionais.

    Diferentemente da perfumaria comercial, que costuma buscar uma aceitação mais ampla, a perfumaria de nicho tradicionalmente privilegia a identidade criativa, as composições autorais e a liberdade de experimentar matérias-primas e combinações inesperadas. Isso não significa que todo perfume de nicho seja necessariamente melhor ou mais duradouro. Seu apelo está também na história, na proposta artística e na sensação de descobrir algo especial.

    Divulgação Roja London, perfumaria de nicho Perfumes que custam como artigos de luxo A sofisticação desse universo também aparece nos preços. Há frascos que ultrapassam R$ 5 mil no Brasil, aproximando-se do valor de acessórios de grife. Em algumas casas de alta perfumaria, a apresentação faz parte da experiência, com embalagens elaboradas, detalhes artesanais e frascos que mais parecem peças de decoração.

    O perfume passa a ser tratado quase como uma joia. Algo para admirar, colecionar e, claro, usar. Mas o preço elevado não se explica apenas pelas matérias-primas.

    Distribuição seletiva, posicionamento de marca, embalagem e exclusividade também entram nessa conta. Como acontece na moda, o valor percebido de um produto nem sempre corresponde apenas ao seu custo de produção. E há outro fator importante.

    Em comparação com uma bolsa de dezenas de milhares de reais, um perfume de R$ 2 mil pode representar uma forma relativamente mais acessível de participar do universo do luxo. É um investimento menor, embora ainda bastante significativo, capaz de proporcionar uma experiência pessoal e sensorial. O perfume na era das redes sociais Se antes a descoberta de uma fragrância acontecia principalmente nas lojas, hoje ela começa muitas vezes na tela do celular.

    O crescimento de conteúdos sobre perfumaria no TikTok e no Instagram transformou perfumes em assunto de conversa, desejo e até coleção. Criadores especializados analisam notas olfativas, comparam fixação, apresentam lançamentos e ajudam a construir verdadeiros fenômenos de consumo. A Circana relaciona a influência do #FragranceTok à procura por versões mais concentradas, como Eau de Parfum, Parfum e Elixir, especialmente entre consumidores masculinos.

    Divulgação Perfumes árabes vivem febre no Brasil e no mundo; no nosso mercado, as buscas pelo termo cresceram 24 vezes nos últimos dois anos, de acordo com o Google Trends O interesse também ultrapassa a perfumaria de nicho. No Brasil, as fragrâncias árabes cresceram 64% no primeiro semestre de 2026, mostrando que o desejo por novidades olfativas movimenta diferentes faixas de preço. É uma mudança importante: o consumidor não procura apenas um perfume agradável.

    Quer conhecer a origem da marca, entender as notas, descobrir quem criou a fragrância e, muitas vezes, encontrar algo que ainda não esteja em todo lugar. Um mercado que aprendeu a vender emoções Talvez a força da perfumaria esteja justamente em sua capacidade de criar conexões emocionais. Poucos produtos têm uma relação tão direta com a memória quanto um cheiro.

    Uma fragrância pode remeter a uma viagem, a uma pessoa ou a um momento específico da vida. Em tempos de consumo mais seletivo, esse vínculo emocional ganha importância. A própria indústria do luxo percebeu esse movimento.

    Em 2026, a L’Oréal concluiu uma operação de € 4 bilhões com a Kering, que incluiu a aquisição da tradicional casa de perfumaria Creed e acordos de licenciamento de beleza para marcas do grupo. Um sinal de que as fragrâncias deixaram de ocupar um papel secundário nas estratégias das grandes empresas. A expansão da perfumaria de nicho também levanta uma questão interessante.

    Quanto mais essas marcas crescem, mais difícil se torna preservar a exclusividade que ajudou a torná-las desejadas. Afinal, um perfume que todo mundo conhece ainda pode ser considerado de nicho? No fim das contas, em um mercado acostumado a vender aquilo que pode ser visto e reconhecido, a perfumaria encontrou uma maneira bastante particular de conquistar o consumidor: transformar algo invisível em um dos objetos de desejo mais cobiçados do luxo.

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