Prefeito de NY anuncia estratégia para combater o antissemitismo na cidade
O prefeito da cidade de Nova York, Zohran Mamdani, anunciou nesta terça-feira (29) uma estratégia para combater o antissemitismo, incluindo dezenas de milhões de dólares em financiamento para a prevenção de crimes de ódio e para centros culturais judaicos. Mamdani, que enfrentou acusações de antissemitismo por parte de alguns grupos judaicos devido às suas críticas a Israel e à forma como lidou com protestos em frente a sinagogas, tem buscado fazer da aproximação com as comunidades judaicas da cidade um elemento forte de sua gestão. “Ao longo do último ano, encontrei-me com nova-iorquinos judeus em todos os cinco distritos da cidade.
Encontrei-me com eles em suas casas, sentei-me ao lado deles no metrô e conversei com eles em suas sinagogas. Repetidas vezes, ouvi a mesma coisa: o antissemitismo é real e está crescendo”, disse Mamdani em um vídeo de dois minutos publicado nas redes sociais, apresentando o que descreveu como “um roteiro de como nossa administração enfrentará o flagelo do antissemitismo”. Leia Mais: Coreia do Norte ameaça Coreia do Sul após acusação por explosão de mina Autoridade da Arábia Saudita nega relatos de reunião com Israel Defesa de Cristina Kirchner contesta condenação por corrupção na ONU O prefeito, em seu primeiro mandato, comprometeu-se a destinar mais de US$ 30 milhões em verbas para esforços de prevenção e para retomar o grupo de trabalho interinstitucional de infraestrutura de segurança, visando ajudar os órgãos municipais a identificar ameaças contra os nova-iorquinos judeus.
Os crimes de ódio antissemitas registraram um aumento de 8% até agora neste ano e representam mais da metade dos incidentes de ódio na cidade de Nova York, segundo estatísticas divulgadas pelo Departamento de Polícia de Nova York no início deste mês. A medida também destinará recursos a centros culturais e organizações sem fins lucrativos judaicos, incluindo US$ 2 milhões para o Queens Holocaust Memorial Garden e US$ 2,5 milhões para o Center for New Jewish Culture, no Brooklyn. “Por gerações, os nova-iorquinos judeus sustentaram nossa cidade”, disse Mamdani no vídeo, citando o renomado compositor Leonard Bernstein e empresas como a Kleinfeld Bridal e a Katz’s Deli.
“Hoje, temos a responsabilidade de apoiar e proteger nossos vizinhos judeus”, afirmou. A nova estratégia surge em um momento em que Mamdani enfrenta questionamentos de grupos judaicos, após ter feito das críticas à condução da guerra em Gaza por parte de Israel um elemento central de sua campanha. Durante a corrida eleitoral, ele sugeriu que, como prefeito, poderia prender o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, com base em um mandado do TPI (Tribunal Penal Internacional) por crimes de guerra, embora os EUA não sejam signatários do TPI.
No início deste verão, o prefeito reconheceu que não teria autoridade legal para tal. Ele também enfrentou críticas após comparar o AIPAC (American Israel Public Affairs Committee) e seus gastos em eleições americanas a “monstros” durante um comício realizado neste verão. O anúncio desta terça-feira gerou reações diversas entre grupos judaicos; muitos apontaram que a retórica de Mamdani sobre Israel contribui para o antissemitismo, enquanto outros argumentaram que sua estratégia não foi suficiente.
“Embora o plano do prefeito contenha vários elementos positivos — incluindo o aumento de verbas de segurança para instituições judaicas e a expansão de programas de eficácia comprovada —, ele falha em abordar uma questão central que o próprio prefeito tem perpetuado: a retórica que demoniza e deslegitima Israel inevitavelmente leva a ataques contra nova-iorquinos judeus”, afirmaram, em comunicado conjunto na rede social X, a United Jewish Appeal Federation of New York, o Jewish Community Relations Council of New York, o American Jewish Committee e o New York Board of Rabbis. Jonathan Greenblatt, CEO da Anti-Defamation League — organização que lançou o “Mamdani Monitor” para acompanhar a gestão do prefeito —, criticou o anúncio em uma publicação no X. “Subsídios para segurança não substituem a clareza moral.
Um prefeito que não define o antissemitismo, que não confronta o desfile de bandeiras de grupos terroristas em bairros judaicos nem a presença de simpatizantes do terrorismo à porta de uma sinagoga, e que não deixa de lado suas próprias inclinações políticas, não está combatendo essa crise. Ele está apenas tentando contorná-la”, disse Greenblatt. “As ações — ou a falta delas — do prefeito só servem para alimentar o antissemitismo em Nova York.
Esse ‘plano’ é mais uma prova disso”, afirmou. O lançamento do plano ocorre poucos dias depois de Netanyahu ter estado em Nova York para a Assembleia Geral da ONU , ocasião em que acusou Mamdani de antissemitismo e de distorcer fatos sobre Israel. Enquanto Netanyahu estava em Nova York, o prefeito publicou um vídeo na rede social X mostrando-se ao plantar uma oliveira na Gracie Mansion com famílias palestinas de Gaza.
Alguns líderes judaicos, no entanto, receberam bem a nova iniciativa. “Em um momento de antissemitismo, extremismo e violência reais e crescentes em todo o espectro ideológico, nossas comunidades merecem uma resposta que envolva todo o governo”, afirmou Amy Spitalnick, CEO do Jewish Council for Public Affairs (Conselho Judaico para Assuntos Públicos). “Essa estratégia representa um passo importante em direção a esse objetivo — fundamentada no reconhecimento de que a segurança da comunidade judaica e uma democracia inclusiva e pluralista devem caminhar juntas”, acrescentou.
A vereadora Julie Menin, presidente de comissão na Câmara Municipal de Nova York — que propôs e aprovou uma legislação exigindo que a polícia publique planos para estabelecer zonas de amortecimento (ou áreas de distanciamento) em escolas e locais de culto durante protestos —, elogiou o plano de aumentar o financiamento para segurança e para a educação sobre o Holocausto. “Os nova-iorquinos judeus, assim como todos em nossa cidade, merecem estar seguros. Espero continuar trabalhando com a administração municipal para enfrentar o aumento inaceitável do antissemitismo em nossa cidade”, disse ela em um comunicado.
Quem é Zohran Mamdani, socialista e 1° prefeito muçulmano de Nova York ]]>
Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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