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    InvestNews·16 de set., 21:17

    Presidente do Fed explica por que o juro voltou a subir e mercado passa a prever nova alta neste ano

    A decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de subir os juros em 0,25 ponto percentual era quase uma unanimidade no mercado. E a autoridade dos EUA seguiu nesta quarta-feira (16) exatamente o roteiro descrito de antemão pelos agentes financeiros ao elevar as taxas para a faixa entre 3,75% a 4%, de 3,50% a 3,75% antes da reunião. E tomou essa decisão de forma unânime.

    A grande dúvida era qual seria a sinalização do Fed sobre o tamanho e intensidade do ciclo ou ainda se haveria um ciclo de altas ou se o movimento se restringiria a apenas uma elevação pontual. Pela reação do mercado após a entrevista coletiva do novo presidente do BC dos EUA, Kevin Warsh, os investidores passaram a considerar ao menos mais uma elevação de juros pela frente em outubro. Leia também Economia Fed ‘ignora’ pressão de Trump e sobe os juros nos EUA pela primeira vez desde 2023 Mas, eventualmente, o Fed poderia ter de subir a taxa uma terceira vez em dezembro, caso o cenário para a inflação se torne mais duro.

    Uma das falas do presidente do Fed indicou uma visão menos otimista com o comportamento dos preços. Conforme Warsh, “precisamos estar confiantes de que a inflação subjacente está caminhando em direção à nossa meta, de forma clara e em velocidade suficiente e, hoje, o Fed decidiu que esse critério não foi atendido”. O chefe do BC americano buscou afastar a ideia de que o Fed reagiu ao dado mais recente do índice de inflação CPI (ao consumidor) de agosto, publicado na sexta-feira (11) passada, que mostrou uma aceleração da alta de preços.

    O indicador subiu 0,4%, em linha com as projeções, mas acima dio 0,1% em julho. Leia também Investimentos Rendimento do título de 10 anos dos EUA acima de 5,25% pode mudar relação entre ações e títulos. Entenda O ponto de atenção ficou para o comportamento do chamado núcleo do índice, ou seja, a medida de inflação ao consumidor americano sem considerar categorias ”voláteis”, como energia e alimentos.

    O núcleo nos EUA veio em 0,3%, ou 0,1 ponto percentual acima das expectativas. O dado impulsionou as expectativas para uma subida de juros nesta quarta-feira, o que acabou ocorrendo. Até o CPI, o mercado colocava cerca de 70% de chances de uma elevação.

    Após o dado, o percentual subiu para quase 90% e chegou a atingir 95% alguns dias mais tarde. O presidente do Fed chegou a afirmar na coletiva não ser “dependente de dados”, mas, sim, alguém que olha as tendências macroeconômicas, ou seja, enxerga o filme e não a foto. Leia também Investimentos Maior deflação em quatro anos aumenta chance de mais um corte na Selic – nos EUA, a perspectiva é o oposto “Dados pontuais são ruídos”, disse.

    Warsh ainda afirmou que o Fed retirou uma “dose de acomodação” do seu comunicado. Ainda que tenha evitado pontuar se o nível atual de juros já está restritivo, os termos sugerem que na visão do Fed ainda não estão. A principal sinalização de que o Fed pode subir mais as taxas está no relatório de projeções dos integrantes do Fed, chamado de ” dot plot”.

    O documento mostra que 16 integrantes da autoridade monetária enxergam mais uma alta de juros ainda em 2026. Há neste ano de 2026 mais duas reuniões do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), o colegiado do Fed que toma as decisões de política monetária. A pergunta que fica entre os investidores após a decisão é a inclinação entre os integrantes do FOMC e se ela pende mais para qual lado: agir antes diante de sinais de uma inflação mais alta e de uma potencial perda de controle das expectativas ou esperar para ver?

    A reação do mercado mostra que um Fed mais duro com a inflação, ou seja, que suba três vezes em 2026 não está fora da mesa. Os principais índices das bolsas de Nova York apresentavam leves altas antes da coletiva de Warsh. Ao longo da entrevista mudaram de direção.

    No fechamento, o S&P 500 caiu 0,45% e o Nasdaq Composite ficou praticamente estável, com queda de 0,01%. Os juros da Treasury de 10 anos, que estavam em baixa antes da coletiva, passaram a subir e retomaram o patamar ligeiramente acima de 5% ao ano. O índice dólar (DXY), que mede a variação da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas mais usadas no comércio internacional, subiu de volta ao maior nível desde julho.

    547 pontos. O dólar subiu 0,07% ante o real, para R$ 5,15. A moeda americana chegou a apresentar queda de 0,13% por volta do meio dia cotada a R$ 5,13.

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