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    Pressão inflacionária e desaceleração viram dilema para o BC
    Revista Oeste·19 de set., 09:31

    Pressão inflacionária e desaceleração viram dilema para o BC

    A quinta redução seguidas da taxa básica de juros (Selic), feita pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), na última quarta-feira, 16, revela um cenário desafiador, que inclui outros fatores além do ambiente externo incerto por causa das guerras e de questões climáticas. + Leia mais notícias de Economia em Oeste São eles: uma desaceleração em setores cíclicos, mencionados pelo BC, apesar de as projeções de crescimento se manterem, e pressão inflacionária ainda em setores como o de serviços. A inflação geral vem recuando, mas projeções ainda a mantêm acima da meta de 3%.

    O cenário do BC projeta IPCA de 5,2% em 2026. v=nLpUWSUiqfo Para o economista Rodrigo Xavier, formado em Economia pelo Insper , a desaceleração dos setores cíclicos, para o BC, é um componente central na análise da diferença entre a capacidade produtiva da economia e a sua demanda efetiva. Os setores cíclicos são os mais sensíveis a juros altos, no caso atividades como comércio, especialmente bens financiáveis; indústria; construção e alguns serviços.

    Eles são afetados pelo aumento do custo do crédito e do financiamento. O BC, neste momento, considerou que os juros altos haviam refreado demais esses setores e a redução gradual precisa ser mantida para que eles se reaqueçam. "A indústria de transformação e o comércio são fortemente sensíveis ao custo do crédito e às taxas de juros reais de longo prazo", observou Xavier, que é CEO da corretora Oz Câmbio.

    "Quando esses setores mostram sinais de arrefecimento, isso sinaliza uma desaceleração da demanda agregada. " Segundo Xavier, essa perda de fôlego nos setores mais sensíveis ao crédito é entendida pelo Copom como evidência de que a política monetária prévia cumpriu parte do seu papel de reduzir a inflação. Isso, mesmo com segmentos ainda pressionados e com uma projeção ainda acima da meta.

    No entendimento do BC, apesar de alguns segmentos pontuais com inflação mais alta, no geral ela começou a ceder. "Trata-se do clássico dilema da calibração monetária", ressaltou Xaver. "A inflação cheia pode até dar sinais de convergência, mas a persistência de núcleos inflacionários elevados — como o setor de serviços, que é intensivo em mão de obra — exige extrema cautela.

    " Repercussões, para o governo, dos juros reduzidos pelo BC A princípio, esta redução é benéfica para o governo. No entanto, expectativas podem ser frustradas em função do tempo de maturação de uma redução de juros, ainda mais sendo gradual. Neste sentido, as cobranças sobre o governo podem aumentar, segundo o economista.

    Leia mais: "Quase 9 milhões de brasileiros estão inadimplentes com banco e fintech " "No lado positivo, para o Executivo, a queda da Selic reduz o custo de rolagem da dívida pública — que é fortemente atrelada à taxa flutuante —, gerando um alívio nas contas fiscais do Tesouro", afirmou Xavier, lembrando também a já citada facilidade maior para o crédito. " Xavier, então, incluiu neste pacote de repercussões políticas, a questão do tempo. "Por outro lado, o efeito não é imediato devido à defasagem da política monetária, que leva entre 6 e 9 meses para se transmitir integralmente à economia real", destacou o economista.

    " Para ele, questões políticas não interferem nestas decisões do Copom. " O post Pressão inflacionária e desaceleração viram dilema para o BC apareceu primeiro em Revista Oeste . ]]>

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