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    Procura por Mudança para os EUA Segue em Disparada após Saída de Flávio Bolsonaro do Brasil
    Forbes Brasil·31 de out., 08:00

    Procura por Mudança para os EUA Segue em Disparada após Saída de Flávio Bolsonaro do Brasil

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. Historicamente, pe comum que buscas por mudar de país aumentem pontualmente após períodos de eleição, mas neste ano, especialistas têm notado uma intensificação mais longa do interesse em deixar o Brasil. Escritórios que atuam com imigração e negócios internacionais relataram à reportagem da Forbes Brasil que a procura por informações sobre mudança para os Estados Unidos explodiu após a reeleição do presidente Lula e continuou em alta depois que o candidato derrotado Flávio Bolsonaro deixou subitamente o Brasil.

    , afirma que seu escritório em Miami recebeu 724 consultas dia seguinte ao resultado eleitoral. O número bem acima da média mensal de 500 a 600 contatos na área migratória. O ritmo de solicitações de potenciais clientes continua alto.

    Apenas na sexta-feira, 30, até o meio-dia, o painel interno da empresa registrava 420 novas mensagens. “São os pedidos pra gente entrar em contato”. O advogado diz que, em eleições anteriores, a procura costumava atingir um pico nas primeiras 24 horas e depois diminuía.

    Desta vez, segundo ele, a demanda continuou crescendo. Piquet associa a alta à repercussão da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil e à cobertura da imprensa. “Está numa curva ascendente”, afirmou.

    Após a eleição, o escritório enviou mensagens a cerca de 10 mil contatos. Piquet afirma que a ação não mencionava candidatos nem explorava a disputa política. “A gente se mantém 100% imparcial”, disse.

    Segundo ele, a comunicação apresentava alternativas para quem pensava em diversificar negócios, patrimônio ou planos familiares nos Estados Unidos. ” Qualificados lideram mas outros perfis aparecem Entre os interessados que buscaram o primeiro atendimento com o escritório, profissionais qualificados, se destacam. O visto EB-2 NIW aparece com maior frequência entre os caminhos indicados pelo escritório aos clientes que fizeram a primeira conversa com sua equipe, indicando que tratam-se de profissionais com formação, experiência e trajetória qualificadas.

    Em seguida estão o visto EB-1A, voltado a pessoas com habilidades extraordinárias, e o EB-5, direcionado a investidores. O seu escritório também registra consultas sobre expansão de negócios, exportação, imóveis e outras formas de investimento nos Estados Unidos. Piquet afirma que o escritório dobrou, nos últimos 30 dias, a equipe que recebe os contatos, de quatro para oito profissionais.

    “A gente já vinha se preparando”, disse. ” Os contatos que recebe incluem profissionais qualificados, empresários que avaliam ampliar operações e famílias interessadas em alternativas de residência. Segundo Piquet, muitos empresários querem, com a alta do dólar, expandir para os Estados Unidos sem encerrar a operação brasileira.

    “Muitas vezes é expansão, para poder faturar em dólar”, afirmou. O advogado Daniel Toledo, fundador da Toledo e Associados, também relata aumento nas consultas sobre morar e trabalhar nos Estados Unidos. Ele diz que, além de empresários e profissionais qualificados, o escritório tem recebido mais contatos de trabalhadores assalariados e pessoas de renda mais baixa.

    “O que mais chama a atenção é a mudança no perfil dessas pessoas em comparação com o que observamos nas eleições de 2022”, afirmou Toledo. Segundo ele, naquele ano a procura se concentrou principalmente em empresários, profissionais liberais e famílias de classe média e média alta. Agora, o escritório também recebe perguntas sobre vagas em atividades operacionais, agricultura, transporte e serviços que exigem trabalho físico.

    “A diferença salarial entre os dois países, a desvalorização do real e as dificuldades econômicas enfrentadas por parte da população brasileira ajudam a explicar esse interesse”, disse Toledo. Ele acrescenta que ganhar em dólar não significa automaticamente ter maior poder de compra e que moradia, alimentação, transporte, seguro-saúde e impostos precisam entrar na conta. O advogado afirma que empresários e profissionais liberais costumam buscar previsibilidade para planejar as atividades.

    “Para um empresário, não basta saber quanto vai pagar de imposto. Ele precisa ter confiança de que conseguirá planejar suas atividades e tomar decisões de longo prazo com maior estabilidade”, afirmou. Toledo explica que o aumento de consultas não significa que todos os interessados tenham condições de obter autorização para trabalhar ou residir nos Estados Unidos.

    “A vontade de trabalhar nos Estados Unidos não garante a obtenção de um visto”, disse. A possibilidade depende dos requisitos de cada categoria migratória e, em alguns casos, de uma oferta de emprego e do patrocínio de uma empresa americana. O que significam os vistos mais procurados Segundo Piquet, o EB-2 NIW é uma opção para profissionais com formação e trajetória que atendam aos critérios da categoria.

    De acordo com a explicação do advogado, não é preciso ter oferta de emprego nem fazer um investimento. “Você precisa ter um histórico bom”, disse. Ele citou formação superior e experiência, artigos publicados, cartas de recomendação e cargos de destaque entre os elementos que o escritório avalia.

    “Você precisa ter 3 de 7 critérios”, afirmou. O EB-1A é voltado a profissionais com habilidades extraordinárias. Piquet o descreve como uma categoria mais seletiva.

    “O negócio com o EB1A é para quem está topo da pirâmide. ” Segundo ele, o candidato precisa atender a pelo menos três de dez critérios. O advogado também explicou que, ao contrário do EB-2 NIW, o EB-1A não exige demonstrar que a atuação atende a um interesse nacional específico.

    Já o EB-5 é uma opção para investidores. Piquet citou um investimento de US$ 800 mil e disse que a categoria pode levar ao Green Card. As exigências variam conforme o projeto e o caso analisado.

    Alexandre Piquet: equipe do escritório foi reforçada para atender à alta demanda Portugal e Paraguai também atraem interesse Em Portugal, a procura por diversificação patrimonial e mudança também cresceu. Marcelo Rubin Goldschmidt, advogado e sócio-fundador da GMZ Advisors, consultoria voltada a negócios entre Brasil e Portugal, afirma que a demanda semanal ficou 70% acima da média após a eleição. “Esta semana foi 70% mais demandada […] do que na semana média”, disse Goldschmidt, referindo-se tanto às consultas sobre investimentos quanto às mudanças para Portugal.

    O Paraguai também entrou nas pesquisas de quem considera deixar o Brasil. 700%. O dado mede o interesse pelo assunto na ferramenta de buscas, não o número de pessoas que efetivamente planejam emigrar.

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