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    Programas sociais dificultam contratação, diz setor agropecuário
    Poder360·19 de set., 09:00

    Programas sociais dificultam contratação, diz setor agropecuário

    O diretor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Bruno Lucchi, disse que o receio de perder benefícios sociais dificulta a contratação formal no agronegócio. A declaração foi dada em entrevista ao Poder360 , gravada em 9 de setembro de 2026, em Brasília. Lucchi defendeu a integração dos cadastros públicos, o combate a fraudes e uma transição para beneficiários que entram no mercado formal.

    “Os programas sociais, ninguém é contra eles. Eles têm que existir porque tem pessoas que realmente precisam. Agora, eles têm que ser revistos e têm que ter uma melhor efetividade para ter uma inserção produtiva das pessoas que estão no programa” , disse.

    Assista à íntegra da entrevista (38min33s) : FALTA DE TRABALHADORES Um estudo da CNA mostra que 95% dos produtores rurais entrevistados enfrentaram dificuldades para contratar. Nesse grupo, 63% relataram casos de candidatos que recusaram vagas por receio de perder o Bolsa Família. Segundo Lucchi, a falta de trabalhadores já afeta o planejamento das propriedades.

    Produtores atrasam o plantio, a colheita e outras atividades ou trocam setores intensivos em mão de obra, como fruticultura e horticultura, por culturas mais mecanizadas, como soja, milho e algodão. O diretor também relacionou o problema à redução da população rural e ao aumento da escolaridade. Segundo ele, os salários no campo cresceram acima da média urbana e produtores passaram a oferecer benefícios adicionais para manter os empregados.

    PROPOSTAS DA CNA Lucchi afirmou que falhas nos cadastros públicos permitem a sobreposição de benefícios pagos pela União, por Estados e por municípios. A CNA defende as seguintes medidas: cadastros públicos – integrar os dados dos diferentes níveis de governo para identificar sobreposições e fraudes; capacitação – ampliar cursos e criar parcerias com empresas para contratar beneficiários; transição – permitir que o trabalhador receba temporariamente o benefício social e a renda do emprego formal. A proposta de transição manteria os 2 pagamentos por 1 a 2 anos.

    Segundo Lucchi, o período daria segurança para o trabalhador aceitar a vaga e avaliar se conseguirá permanecer empregado antes de deixar o programa social. EMPREGOS PERMANENTES Apesar do caráter sazonal de parte do trabalho rural, Lucchi afirmou que a integração entre atividades e a realização de até 3 safras anuais aumentaram a procura por empregados permanentes. “Se eu faço 3 safras, eu tenho trabalho, demanda de trabalho o ano inteiro.

    Eu não tenho pessoas que vão ficar paradas, que eu vou precisar dispensar e contratar só no momento de colheita ou plantio” , declarou. ]]>

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