Proibição das bets: Qual o impacto no setor imobiliário e nos FIIs, segundo CEO da SiiLA
Engana-se quem pensa que a proibição da operação das bets no Brasil poderá causar impactos apenas sobre a arrecadação de impostos ou o endividamento das famílias. A medida, para o bem ou para o mal, também poderá respingar no setor imobiliário corporativo — incluindo os FIIs . Um levantamento feito pela consultoria SiiLA , ao qual o Money Times teve acesso, detectou cerca de 16 mil metros quadrados (m²) de escritórios locados por casas de apostas online em diferentes cidades brasileiras.
A receita de aluguéis desses espaços é estimada em R$ 22,6 milhões por ano , São Paulo concentrando a maior parte dessa exposição. Na capital paulista, são aproximadamente 13,2 mil m² distribuídos por 15 empresas em 15 edifícios, com valor de mercado anual de aproximadamente R$ 20 milhões . O maior escritório é o ocupado pela Betano , que possui 3,7 mil m² no “ Eldorado Business Tower “, na avenida Rebouças, zona oeste da Terra da Garoa , e aluguel estimado em R$ 8,6 milhões por ano.
Em termos de valores locativos, a inquilina, portanto, representa cerca de 43% da exposição imobiliária das bets em SP. Na sequência aparece a Betnacional , com 804 m² no “ Faria Lima Square ” e aluguel anual de R$ 3,2 milhões , seguida pela Novibet , que ocupa 1,9 mil m² na “ Torre Z ” por R$ 2,3 milhões ao ano . bet Berrini 543 m² R$ 0,7 milhão 3,5% Rivalo Pinheiros 306 m² R$ 0,5 milhão 2,5% BetMGM Vila Leopoldina 864 m² R$ 0,5 milhão 2,5% Aposta Ganha Itaim Bibi 255 m² R$ 0,3 milhão 1,5% DonaldBet Berrini 295 m² R$ 0,2 milhão 1,0% BandBet Marginal Pinheiros 177 m² R$ 0,2 milhão 1,0% Bets nos FIIs A exposição às casas de apostas online também chega a imóveis que estão parcialmente detidos por fundos de investimento imobiliários ( FIIs ).
Segundo a SiiLA, a Betnacional , por exemplo, ocupa o 24º e o 25º andares do “ Faria Lima Square “, imóvel em que o BRCR11 detém 34% de participação. Já a SorteNaBet aluga o 18º andar do “ iTower Alphaville “, edifício no qual o VPPR11 possui fração de 50%. A Responsa Game também ocupa uma sala do portfólio do fundo.
A Superbet , por sua vez, é locatária de um prédio pertencente ao FII Opportunity , de acordo com o levantamento. Além de SP A presença das bets, cabe ressaltar, é menor nos demais mercados monitorados pela SiiLA. Foram identificados outros 2,8 mil m² de escritórios ocupados pelas empresas de apostas em Belo Horizonte (MG), Campinas (SP), Porto Alegre (RS) e Rio de Janeiro (RJ), com a receita dos aluguéis estimada em cerca de R$ 2,61 milhões por ano .
BH concentra praticamente dois terços dessa metragem, com 1,7 mil m² . Caso todos esses espaços fossem devolvidos, a vacância da capital mineira passaria de 12,98% para 13,48%. Impacto limitado Voltando à Terra da Garoa , apesar da exposição, uma eventual saída das bets dos escritórios ocupados em São Paulo teria impacto limitado sobre a vacância do mercado corporativo da cidade, segundo avaliação de Giancarlo Nicastro , CEO da SiiLA.
Em entrevista ao Money Times , o executivo afirmou que, mesmo em um cenário em que todas as casas de apostas devolvessem seus espaços, a taxa de vacância paulistana passaria de 15,88% para 16,02% , um avanço de apenas 0,14 ponto percentual . “As bets, no geral, têm uma ocupação muito pequena em relação ao tamanho do mercado”, afirmou Nicastro à reportagem. Segundo ele, há dois principais motivos para tal movimento: o próprio perfil das companhias e a regulamentação brasileira.
“As bets são muito mais tecnologia do que pessoas”, disse ele. “E outra: cada licença de uma bet pode operar três marcas diferentes. Então, a empresa não precisa ter três lajes para fazer o negócio”.
Impacto maior em algumas regiões Embora o efeito agregado seja, de fato, pequeno, alguns bairros da capital paulista podem sentir impactos mais relevantes em caso de devolução dos escritórios. É o caso da Rebouças , onde a vacância, segundo o estudo, passaria de 3,99% para 5,83% , alta de 1,84 ponto percentual. Quando o recorte considera apenas os imóveis de padrão A+ da região, a taxa poderia subir de 4,09% para 8,19%.
O maior salto, porém, aparece nos prédios da Vila Leopoldina : uma potencial devolução de 864 m² pela BetMGM, por exemplo, faria a vacância do bairro passar de 14,36% para 28,90% . À reportagem, o CEO da SiiLA explicou o motivo da possível disparada. “Quando você tem uma região menor, qualquer movimentação tem um impacto relevante.
Se você fizer uma devolução de uma laje na Chucri Zaidan, não é nada, porque a Zaidan tem quase 1 milhão de metros quadrados”, afirmou Nicastro. “Agora, quando você faz na Rebouças e na Vila Leopoldina, que são mercados menores, o impacto acaba sendo, em termos percentuais, maior”, acrescentou. O executivo também ponderou por que as empresas de apostas acabaram c oncentrando parte de suas operações nessas regiões.
“Elas [Rebouças e Vila Leopoldina] têm um custo mais atrativo do que lugares como Faria Lima e Paulista. ” Reposição pode ser rápida Para Nicastro, o principal risco para os proprietários – como os FIIs – em uma eventual saída das bets não seria uma deterioração estrutural da demanda, mas uma perda temporária da receita de aluguel . Na região de Rebouças, por exemplo, ele avalia que a reposição tende a ser facilitada pela baixa vacância e pela existência de procura “latente”.
Uma estratégia para acelerar esse processo de reposição, segundo o CEO da SiiLA, seria manter os escritórios mobiliados e aproveitar eventuais estruturas deixadas pelas casas de apostas. “Na Rebouças, o risco está na perda temporária da locação, porque ali é uma região em que a vacância está muito baixa e tem uma demanda latente. Se eu fosse proprietário, numa eventual perda de inquilino, eu tentaria deixar o escritório mobiliado”, afirmou.
Na Vila Leopoldina, entretanto, o cenário é diferente. Como o bairro ainda apresenta maior disponibilidade, os imóveis, de acordo com o executivo, precisam disputar locatários com lugares mais consolidados. “A Vila Leopoldina ainda concorre com localidades mais consolidadas.
” Finanças e tecnologia podem absorver espaços O CEO da SiiLA também vê espaço para que empresas de outros setores – em especial, dois – ocupem eventuais áreas devolvidas pelas bets. Segundo Nicastro, finanças e tecnologia estão entre os segmentos que mais demandaram escritórios nos últimos 12 meses. “Se eu fosse cravar dois setores aqui, é o setor financeiro, e aí você inclui grandes bancos e fintechs , e o de tecnologia”, afirmou.
“Como essas bets são empresas de tecnologia, a chance de você buscar um inquilino de tecnologia é muito maior, porque [os escritórios] devem ter infraestrutura bem-feita”, acrescentou. Companhias ligadas ao chamado digital fulfillment , como Amazon e Shopee , também foram citadas pelo executivo como potenciais inquilinas. Saída não seria imediata O CEO também pontuou que uma eventual desocupação dos imóveis pelas casas de apostas não ocorreria de forma instantânea.
Um dos motivos é a possibilidade de mudanças no cenário regulatório, dado que a medida provisória (MP) que proibiu as bets foi publicada na última sexta-feira (25) e possui validade imediata, mas, para que seja mantida, tem de ser votada e aprovada pelo Congresso Nacional em até 120 dias. Outro ponto é que existe um processo contratual e operacional para o encerramento dos contratos de aluguel. “Você não rompe o acordo de locação da noite para o dia.
Você entra, faz uma renegociação e notifica o proprietário. Depois, tem que fazer vistoria. Então, não é um processo tão rápido”, afirmou.
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Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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