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    Quem controla a IA? A Anthropic tem um plano a longo prazo
    CNN Brasil·28 de out., 07:10

    Quem controla a IA? A Anthropic tem um plano a longo prazo

    Poucas empresas de capital aberto afirmam ter o futuro da humanidade em jogo enquanto tomam decisões corriqueiras sobre a composição de seu conselho. Não é o caso da Anthropic. Tendo alertado que sua inteligência artificial poderia um dia curar o câncer ou matar até 8 bilhões de pessoas, a Anthropic estabeleceu um plano complexo sobre quem poderá governar a empresa à medida que sua tecnologia avança rapidamente, conforme revelou seu pedido de IPO na segunda-feira.

    A expectativa é que a startup seja avaliada em US$ 1,5 trilhão, o que a tornaria a empresa de benefício público mais valiosa do mundo. Segundo a legislação de Delaware, essa estrutura exige que o laboratório de IA equilibre os interesses dos investidores com a promoção de um bem maior. Leia Mais Anthropic registra IPO; prospecto aponta prejuízo de US$ 80 bilhões Pedido de IPO da Anthropic revela crescimento explosivo e riscos da IA IPO da Anthropic atrai investidores e movimenta mercado de IA Mais do que detalhes técnicos, a estrutura da Anthropic pode ter grandes implicações para investidores e para o público que adota cada vez mais a IA da empresa sediada em São Francisco.

    Os detalhes mostram como a desenvolvedora se isolou da pressão dos investidores para poder seguir o que considera ser o melhor para a humanidade. A Anthropic concedeu 50,1% do poder de voto em determinadas questões aos seus sete cofundadores, que, segundo o documento, estão “distintamente capacitados para serem gestores da nossa missão”, conforme relatado anteriormente pela Reuters. Embora um fundo independente controle a maioria das cadeiras do conselho, o poder de voto dos cofundadores se estenderá às eleições dos demais diretores e às propostas dos acionistas em geral.

    O documento apresentado na segunda-feira revelou ainda mais complexidades na gestão de um negócio que a Anthropic espera que sobreviva à equipe unida que o criou. Assim que a maioria dos cofundadores deixar o cargo e suas ações com direito a voto múltiplo “Classe F” forem vendidas, o conselho da Anthropic se dividirá em três grupos de tamanho semelhante, com mandatos de três anos. Ao adotar um sistema de reeleição de diretores semelhante ao do Senado dos EUA, a Anthropic adotou uma estrutura que já foi popular como forma de impedir aquisições hostis.

    A empresa há muito expressa preocupação com os riscos de a IA cair em mãos autoritárias ou nefastas. Essa estrutura também contraria algumas tendências de governança corporativa. Neste século, as principais empresas americanas passaram a eleger todos os seus diretores anualmente, se tornando mais receptivas às demandas dos acionistas em áreas como remuneração de executivos ou estratégia.

    A Anthropic se recusou a comentar. Flexibilidade a longo prazo Além do seu conselho administrativo, a Anthropic possui outro órgão de governança com seu próprio conjunto de regras: seu fundo fiduciário de benefícios de longo prazo. Atualmente presidido pelo líder global em saúde Neil “Buddy” Shah, o fundo controla uma classe especial de ações chamada “Classe T”, que lhe permite eleger a maioria do conselho da Anthropic.

    A desenvolvedora também já considerou o que aconteceria se essas ações deixassem de existir. O objetivo de tais eventualidades é “preservar a flexibilidade a longo prazo caso as circunstâncias mudem”, afirmou a empresa em seu documento. Mesmo que alguém não vinculado à missão da Anthropic de beneficiar a humanidade adquira suas ações Classe T, a estrutura exigiria que os diretores seguissem “disposições relacionadas ao nosso propósito de benefício público”.

    Em última análise, o poder do fundo sobre o conselho faz da Anthropic uma “empresa controlada” segundo as regras da Nasdaq, se isentando de cumprir alguns requisitos típicos, como ter um comitê independente de nomeação e governança corporativa. A Anthropic está usando essa isenção para colocar Daniela Amodei, presidente e irmã do CEO Dario Amodei , nesse comitê. Os líderes no comando da Anthropic A Anthropic também criou um comitê de segurança e risco em seu conselho, atualmente composto pelo CEO da Novartis, Vas Narasimhan, e pelo ex-funcionário da Casa Branca de Trump, Chris Liddell.

    O bilionário Reed Hastings, cofundador da Netflix, é o atual diretor independente principal da Anthropic. Ainda assim, os sete cofundadores da Anthropic — incluindo os irmãos Amodei — permanecem no centro da governança num futuro próximo. Isso se deve, em parte, à existência de uma entidade chamada “Founder LLC”, que, depois do fundo fiduciário, terá a maior influência nas eleições do conselho.

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